De batalhas medievais a caçada Pokémon, conheça clubes 'diferentões' de Campo Grande Pular para o conteúdo
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De batalhas medievais a caçada Pokémon, conheça clubes ‘diferentões’ de Campo Grande

Os clubes transformam hobbies em comunidade, fazem amigos e ajudam a sair da rotina
Karina Campos -
Pessoas compartilham interesses em comum e procuram algo cada vez mais raro na vida adulta: um lugar para pertencer. (Reprodução, Arquivo Pessoal)

Nem todo mundo precisa passar o fim de semana assistindo a séries ou “enfurnado” nas redes sociais. Em , há quem troque a rotina por batalhas medievais em praça pública, disputas acirradas de videogame, caminhadas em busca de criaturas virtuais ou coreografias que parecem sair direto de um palco de show.

Em tempos de relações cada vez mais mediadas pelas telas, os clubes são espaços para amizades construídas presencialmente — e, às vezes, basta um hobby considerado “diferente” para encontrar a própria turma.

Pensando nisso, o Jornal Midiamax encontrou clubes que transformam o hobby em encontros de convivência para pessoas que compartilham interesses em comum e procuram algo cada vez mais raro na vida adulta: um lugar para pertencer.

Clube de swordplay

É o caso dos Filhos de Pandora, grupo de swordplay criado em 2015 por jovens universitários da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) que já praticavam o esporte na adolescência. A modalidade mistura atividade física, estratégia e interpretação de personagens, utilizando réplicas acolchoadas de espadas, lanças e escudos para simular combates inspirados em diferentes culturas medievais.

“O nome veio em homenagem a um outro grupo de swordplay que se chamava Pandora, fazendo alusão à figura mítica da primeira mulher da mitologia grega. O interesse pela luta medieval e suas variantes fez o grupo surgir”, conta Iris, conhecida como Sereia, líder do grupo.

Atualmente, o grupo é formado por jovens e adultos entre 18 e 33 anos, mas adolescentes já participaram do clube. Embora as espadas chamem a atenção de quem passa, Iris afirma que o hobby vai muito além.

“A pluralidade que o esporte representa não é apenas uma fantasia. Temos a temática do medievo — roupas, estilos de espadas —, mas não ficamos apenas focados na parte europeia, e sim também nos estilos medievais da Ásia e do Norte da África. O swordplay acaba se tornando um estilo de vida, pois estamos sempre pensando em uma maneira de incrementar o esporte e trazer novidades.”

Como se inscrever

Segundo a líder, o grupo reúne pessoas de diferentes perfis e idades, atraídas principalmente pelo universo dos animes, games e da cultura medieval. Os treinos acontecem quinzenalmente, no primeiro e terceiro domingo do mês, no Palco da Orla Morena.

Clube de Nintendo

A sensação de pertencimento também está presente na Liga Meteor Spike, comunidade dedicada aos jogos da Nintendo e, especialmente, ao competitivo de Super Smash Bros.

A história começou de forma modesta, há cerca de 10 anos, entre amigos de igreja que se reuniam para jogar. Com o passar do tempo, os encontros ganharam força, novos participantes chegaram e o grupo se consolidou na cena gamer local.

João Vítor Henning Sodré, líder da comunidade, conta que, nos primeiros anos do grupo, os jogos para computador eram os preferidos dos participantes, mas a plataforma dificultava a realização de encontros presenciais.

Após algumas tentativas, a iniciativa perdeu força. Em 2014, ao assistir a uma competição de Super Smash Bros. Melee durante o EVO, um dos principais campeonatos de jogos de luta do mundo, ele se impressionou com o nível dos jogadores e decidiu investir na modalidade.

Jogar em grupo

Apesar das dificuldades para organizar os primeiros torneios, o grupo ganhou fôlego com o apoio de Yuri Ricarte, que ajudou a reunir novos participantes, sediou encontros em sua casa, incentivou a realização de campeonatos em eventos e, anos depois, colaborou na criação do nome atual da comunidade: Liga Meteor Spike, ou Liga MS.

“Qualquer videogame se joga encarando uma tela. Mas quando se está com amigos ou conhecendo gente que compartilha um gosto em comum, você olha para o lado e tem alguém ali para trocar uma ideia, mostrar no controle como se faz um movimento, levantar para tomar uma água ou comprar um lanche e conversar sobre qualquer coisa no caminho. Jogar sozinho também é muito bom, mas nada como ter alguém dividindo uma experiência do seu lado”, descreve.

“Apesar de o nosso foco serem disputas um contra um, Super Smash Bros. Ultimate permite que até oito controles sejam conectados. Virou até tradição nossa terminar um campeonato e fazer essa disputa maluca com o máximo de jogadores. Mal dá para entender o que está acontecendo, mas, em partidas assim, vencer ou perder não importa, o que vale é a bagunça com a galera.”

Como participar

Segundo a organização, qualquer interessado pode participar das competições. Os torneios são gerenciados pela plataforma Start.gg, embora o cadastro não seja obrigatório. Em 2026, a maioria dos eventos tem sido realizada na Deck Store, localizada no bairro Vilas Boas, graças a uma parceria com a comunidade, mas as disputas também acontecem em outros locais.

As jogatinas costumam ocorrer nos fins de semana, sem calendário fixo. Para acompanhar os próximos campeonatos, os organizadores recomendam seguir as redes sociais ou ingressar na comunidade do grupo no WhatsApp por meio do link disponível na bio.

Pokémon Go

Enquanto alguns duelam com espadas ou controles nas mãos, outros percorrem a cidade em busca de monstrinhos virtuais. É o caso da comunidade Poké Go CG, criada oficialmente em 2023 para organizar encontros de jogadores de Pokémon GO.

O grupo promove atividades coletivas durante os eventos do jogo e atrai participantes de diferentes idades, embora a maioria seja formada por adultos.

“Representa uma forma de manter contato com várias pessoas e também um incentivo para se manter saudável. Caminhar é uma tarefa primordial para poder aproveitar o jogo”, explica a líder da comunidade, Thayná Almeida.

União

Segundo ela, amizades construídas desde o lançamento do aplicativo, em 2016, permanecem até hoje. “Muitas pessoas acham bobo ou perda de tempo sair por aí atrás de Pokémon. O que podemos fazer é mostrar que é uma atividade que nos agrada e por que nos divertimos com isso.”

“Se quiser jogar com a gente, é só aparecer em algum evento. Deixamos divulgado se vamos nos encontrar e quais atividades realizaremos. O dia mais comum de encontro é o Dia Comunitário, que acontece uma vez por mês. Jogamos juntos, fazemos atividades como quiz e bingos, de forma gratuita, além da interação entre as pessoas”, pontua Thayná.

Just Dance

Já para quem prefere trocar os controles pelos movimentos do corpo, o grupo Alta Performance encontrou no Just Dance uma forma de unir competição, atividade física e expressão artística.

Criado em 2021 por um grupo de amigos, o coletivo nasceu com o objetivo de fortalecer a comunidade do jogo em Mato Grosso do Sul e mostrar que a modalidade vai além de uma simples brincadeira de festa.

“O que nos motivou a fazer parte foi o nosso interesse pela dança e pelo jogo. Antes, a maioria de nós ficava em casa dançando e jogando com amigos e familiares.”

Os integrantes participam de eventos, organizam competições e treinam regularmente para campeonatos. Muitos chegaram à comunidade por gostarem de dançar sozinhos em casa e encontraram, nos encontros, pessoas com a mesma paixão.

Paixão pela música e dança

“Para mim, o Just Dance representa um encontro onde você pode ser quem quiser, se expressar como quiser, seja com o corpo ou com a performance e as habilidades que o jogo exige. Isso é importante para mostrarmos às pessoas que levamos a sério e que também é um jogo em que temos pró-players, bicampeões, tricampeões e até tetracampeões.”

“Além disso, permite aprender modalidades, estilos diferentes de dança e coreografias, além de incentivar exercícios físicos e aeróbicos, ajudando na resistência e no desenvolvimento tanto individual quanto profissional.”

A equipe do Alta Performance abre inscrições apenas duas vezes por ano e por períodos limitados. Segundo os responsáveis, a maior parte dos interessados conhece o projeto por meio de eventos e competições. Quem deseja participar deve acompanhar o perfil do grupo no Instagram para ficar atento à abertura de novas vagas. Clique aqui para conferir.

Grupo de Just Dance. (Instagram, @altaperformancejd)

Esporte e Tecnologia

Segundo a Fesp-MS (Federação de Esportes Eletrônicos e Tecnologia de Mato Grosso do Sul), há outros clubes e grupos que unem diversão, hobby, esporte e tecnologia abertos para novos integrantes.

Inclusive, a realização de eventos voltados para o universo de games, cosplay e dança, como o recente ExpoGeek, abre a oportunidade de conhecer novas comunidades.

Confira:

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(Revisão: Nichole Munaro)

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