Há séculos, bonecas são brinquedos que provocam encantamento nas crianças. Naturalmente, a mesma sensação é provocada por tudo o que rodeia a brincadeira do cuidado.
E foi assim que, aos 8 anos de idade, a empreendedora Silmeire Gessy Gomes se encantou por um berço de bonecas talhado em madeira maciça.
Av. Bandeirantes dos anos 1980. Foi lá que, em frente a uma loja de veículos, um senhor marceneiro expunha pequenos móveis à venda. Entre a coletânea, o bercinho foi comprado pela mãe de Silmeire, Maria Gessy.
“Ele foi muito desejado e fiquei muito feliz quando ele chegou em casa”, relembra a empresária.
Dona de casa, Maria sempre foi adepta das artes manuais. Gostava de pintar telas, bordar e costurar. Esse dom foi aproveitado para embelezar o tão amado berço da filha caçula.
“Minha mãe fez colchão, travesseiro, lençol e até o mosquiteiro de tule com pedrinhas de cristal. Era lindo, a atração da casa na época”, conta Silmeire. “O bercinho foi muito bem aproveitado, sempre arrumadinho e com uma ou várias bonecas dentro dele que a gente fazia questão de trocar as roupinhas. Inclusive, os vestidos das bonecas e o enxoval delas quem fazia era minha mãe”, completa.
Vinda de uma família grande, com muitos tios e primos, a casa de Silmeire era sempre cheia. E, nos encontros da família, o berço detinha toda a atenção das crianças.
“Brinquei muito com ele. Minha irmã e toda criança que chegava em casa brincava com ele também”, afirma.
Nova geração
O tempo passou, e uma nova geração chegou à família. Cada criança daquela época cresceu e gerou outras duas ou três. Assim, a família se expandiu, e o bercinho ganhou novas funções para além da brincadeira.
“Até bebê de verdade chegou a dormir nele”, menciona Silmeire, lembrando-se de sua irmã mais velha, Silmara, que antes deixava bonecas no berço, mas, adulta, chegou a colocar Mariana, a própria filha bebê, em um momento de descontração.
Outros sobrinhos também aproveitaram o berço de maneiras criativas. Entravam e fingiam que era carrinho — e até mesmo se balançavam nele em algumas ocasiões.

Quando Silmeire se tornou mãe de menina, o bercinho foi herdado pela filha, Stefanie Gabriela, que, assim como a mãe, teve a infância marcada pelo objeto.
“Ele sempre fez parte da infância dela também. Talvez ele tenha sido uma das razões para que ela gostasse tanto de bonecas, porque, mesmo hoje, com 18 anos, ela faz questão de manter as bonecas arrumadas e deitadinhas no bercinho”, afirma.
Silmeire acredita que as próximas gerações da família certamente também se encantarão pelo bercinho.
“Por ser um brinquedo que representa algo da nossa vivência, desperta muito da imaginação, e assim é mais fácil para uma criança de qualquer geração ter interesse em brincar”, conclui.
Brincadeira boa
Brincar de boneca ajuda as crianças a desenvolver empatia, imaginação, habilidades socioemocionais e a capacidade de cuidado.
Isso ocorre porque, ao simular situações de afeto (como dar banho, alimentar ou colocar para dormir), a criança aprende a se colocar no lugar do outro e desenvolve responsabilidade.
As crianças também criam narrativas, inventam diálogos e constroem cenários de “faz de conta”, o que enriquece o pensamento simbólico.
Além disso, conversar com a boneca ou encenar histórias ajuda a ampliar o vocabulário e a expressão dos sentimentos.
Quando praticada em grupo, a brincadeira também estimula a cooperação, a partilha, o diálogo e a negociação de regras.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)









