Na segunda-feira (16), o influenciador Junior, da página “Passeando em Campo Grande”, fez um post nas redes sociais lançando o 1º Campeonato de Farmar Aura de Campo Grande. Apesar da competição ser uma brincadeira, houve quem demonstrou interesse em se inscrever. Mas o que é “farmar aura”? Um verbo? Um adjetivo? É um termo inventado?
Para muita gente da Geração Millennial — os nascidos entre 1981 e 1996 —, conversar com adolescentes hoje pode parecer o equivalente a abrir um aplicativo em outro idioma.
As palavras são novas, surgem e desaparecem em questão de semanas, misturam inglês, memes, jogos on-line, redes sociais e um humor que nem sempre faz sentido… e essa é justamente a graça.
Enquanto gerações anteriores adaptavam expressões da vida off-line para a internet, a Geração Alpha praticamente criou um dialeto próprio, alimentado por streamers, redes sociais, vídeos curtos e partidas de videogame.
Dicionário básico
Boa parte do vocabulário vem do inglês, mas ganha novos significados quando desembarca nas conversas da internet brasileira. Conforme o relato de adolescentes e de posts nas redes sociais, o Jornal Midiamax reuniu algumas das gírias mais populares do momento para que você não fique completamente perdido na próxima conversa com um sobrinho, filho ou aluno adolescente.
- Rizz – “Você tem rizz”. A palavra significa que a pessoa possui muito carisma e facilidade para conquistar ou flertar com os outros.
- Farmar aura – inspirada nos videogames, “farmar” significa acumular recursos. Já “aura” representa presença, estilo e carisma. Ou seja, quem está “farmando aura” está construindo uma imagem de pessoa interessante, confiante e admirada.
- Betinha – é praticamente o oposto de alguém “alpha” ou “sigma”. “Betinha” costuma ser usado para quem pagou mico, perdeu a moral ou demonstrou insegurança.
- Sigma – o famoso “lobo solitário”. A gíria descreve alguém independente, confiante, descolado e que não precisa da aprovação dos outros.
- Delulu – é a abreviação de “delusional”, tradução do inglês de “delirante”. É usada quando alguém cria expectativas completamente irreais, principalmente em relacionamentos.
‘Tankar’
- Mewing – nasceu como uma técnica para definir o maxilar por meio da posição da língua. Nas redes sociais, porém, virou meme e também é usada para indicar que alguém está ficando muito Bonito ou investindo pesado na aparência.
- Tankar – veio diretamente dos jogos on-line. O “tank” é o personagem que aguenta muito dano; por isso, “tankar” passou a significar suportar alguma situação. Nas escolas, é comum usada no exemplo: “Não tanko em matemática”.
- Shade – também importada do inglês, a expressão significa fazer uma crítica indireta, uma alfinetada ou um comentário venenoso, normalmente com humor. Essa expressão também é usada por muitos Millennials.
- Gag – popularizada pela cultura drag, especialmente em “RuPaul’s Drag Race”, descreve um estado de choque diante de algo impressionante. É comum a reação: “tô gag” ou “gag de la gag”, que representa um nível ainda maior de surpresa.
Six seven
- Skibidi – talvez a palavra mais difícil de explicar. Surgiu a partir da série viral “Skibidi Toilet” e acabou virando uma expressão coringa. Dependendo do contexto, pode significar algo muito legal, muito estranho ou simplesmente funcionar como um meme sem sentido.
- Six seven – outra gíria que desafia qualquer lógica. “Six seven” é usada como uma piada absurda, uma interrupção aleatória ou um comentário completamente nonsense. Muitas vezes não quer dizer absolutamente nada — e justamente por isso faz sucesso entre os mais novos.
- Old – esqueça a tradução literal de “velho”. Nas redes sociais, “old” virou uma forma descontraída de dizer “é óbvio”, “claro” ou “todo mundo sabe”.
- Pura essence – expressão usada para elogiar alguém que transmite autenticidade, personalidade e presença. É como dizer que a pessoa “tem essência” ou “nasceu para aquilo”.
Das gírias dos Millennials ao idioma Alpha
No fim das contas, o idioma muda, mas a intenção continua a mesma: criar um jeito próprio de se comunicar, fortalecer o sentimento de pertencimento e, de quebra, deixar os adultos completamente perdidos.
Toda geração cria seu próprio vocabulário. Se antes alguém que passava vergonha “pagava um mico”, hoje provavelmente virou um “betinha”. Quem fazia comentários venenosos “mandava indireta”; agora, está apenas “jogando shade”.
E se você conseguiu chegar até aqui entendendo tudo, parabéns. Você acabou de farmar um pouco de aura. Esquecemos de alguma? Envie para o nosso WhatsApp.
Cérebro podre
Esse tipo de conteúdo também faz parte do que vem sendo chamado de “brain rot” (apodrecimento cerebral). Ou seja, a deterioração cognitiva e mental causada pelo consumo de conteúdos superficiais.
O apodrecimento cerebral tem vários impactos na saúde dos jovens, como aumento da ansiedade, estresse, desmotivação e fadiga mental, além de dificuldade de concentração, lapsos de memória e dificuldade em processar informações complexas.
O “brain rot” seria causado, majoritariamente, pelo vício em telas, especialmente o consumo de vídeos curtos por causa da dopamina que esse tipo de conteúdo libera no cérebro.
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(Revisão: Nichole Munaro)







