O Centro de Campo Grande ganhou um novo mural que marca a celebração da cultura latino-afro-caribenha. A homenagem, feita a Dandara dos Palmares, pelas mãos dos artistas Bejona e Bene, ilumina a região da Esplanada Ferroviária.
A mobilização aconteceu no último sábado (18), no cronograma do Julho das Pretas. O tema “Vozes de Dandara” celebra a ancestralidade, a resistência e o protagonismo feminino negro, destacando a herança de Dandara — guerreira negra do século XVII, que participava da elaboração das estratégias de resistência do conhecido Quilombo dos Palmares.
“É uma das mulheres mais resistentes da nossa cultura, e trazer essa memória é necessário, porque todas as mulheres alí também são símbolos de resistência”, disse Bejona.
“Nós, mulheres negras, somos a base da pirâmide, então a gente consegue ter uma reflexão muito profunda em relação a vários aspectos da sociedade”, continuou.
Bejona ainda refletiu que “mesmo quem não conhece a história de Dandara consegue se questionar, ao passar pelo mural, sobre a importância daquela mulher ali retratada”. “Espero que a obra estimule quem passe a pesquisar sobre quem é aquela mulher e a importância da luta dela para que todos estejamos aqui, existindo e resistindo”, completou.

Pertencimento
O evento foi uma iniciativa do Coletivo Geni (Grupo de Estudos Negras Intelectuais), do grupo Afrogueto, Casa Pele Preta, Ponto Bar e Feira Afro MS.
Para Ladi Souza, cofundadora do Geni, movimentos de pertencimento como este têm um impacto direto na forma como as pessoas convivem, respeitam as diferenças e imaginam o futuro. “Hoje, celebramos a nossa tecnologia social, a potência dos coletivos negros, pessoas aquilombando os espaços urbanos com arte, música e movimento”, disse.
“Quando a cultura ocupa espaço, ela amplia horizontes, aproxima pessoas e nos lembra que a diversidade é uma riqueza coletiva”, continuou.
A fala foi endossada pela coordenadora do coletivo, Caroline Torres, que afirmou que o sucesso da festa foi a realização de um sonho.
“Assim, a gente fortalece e valoriza artistas locais — principalmente mulheres negras que vêm resistindo e são resilientes há gerações, com pouco ou nenhum respaldo”, acrescentou.
Já a fundadora da Casa Pele Preta, Mari Pele Preta, afirmou que projetos como este “transformam ao criar oportunidades e valorizam a independência financeira de mulheres pretas e periféricas que, por eras, viveram à margem do crescimento econômico”.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)






