Um grupo de criminosos teria invadido o presídio da Gameleira do Regime Semiaberto, em Campo Grande, e feito o resgate de três presos na madrugada de segunda-feira (20). Um dos criminosos é familiar de José Cláudio Arantes, o ‘Tio Arantes’, que também já fugiu do Semiaberto, em 2021.
Conforme apurado pelo Jornal Midiamax, um grupo de seis pessoas armadas, vindas de fora do Estado, teria cortado o alambrado da unidade e ido até uma cela disciplinar com o intuito de “resgatar” Italo de Moraes.
Além de Italo, Bruno Araújo da Silva e Thiago Pereira Costa foram soltos e levados pelo grupo. No dia 4 de julho, criminosos atacaram um comboio do Bope (Batalhão de Operações Especiais) para resgatar um preso.
Diante da evasão, o Jornal Midiamax acionou a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) para saber quais medidas foram adotadas. Em nota, a Agepen negou a invasão ao presídio e o resgate, mas confirmou evasão dos presos. Confira na íntegra:
“A Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) informa que, na manhã de segunda-feira (20), durante os procedimentos de conferência de rotina no Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, em Campo Grande, foi constatada a evasão de três custodiados: Ítalo de Moraes, Bruno Araújo da Silva e Thiago Pereira Costa. Não houve confronto, invasão de grupos armados, tampouco registro de indivíduos portando armamento durante a ação. A estrutura de contenção já foi restabelecida, e já foi instaurado procedimento administrativo para apurar as circunstâncias da evasão.
A partir da verificação da ocorrência, a Polícia Penal adotou imediatamente todas as medidas operacionais previstas para esse tipo de situação. A Diretoria de Operações da Agepen, a Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário e as demais forças de segurança pública foram acionadas, a evasão foi registrada nos sistemas de gestão prisional para o bloqueio dos custodiados, e o fato foi comunicado ao Juízo da 2ª Vara de Execução Penal de Campo Grande para as providências judiciais cabíveis, incluindo a expedição dos respectivos mandados de prisão.
Importante destacar que o Centro Penal Agroindustrial da Gameleira é uma unidade de regime semiaberto, de segurança mínima, com características compatíveis com essa modalidade de cumprimento de pena, na qual parte dos custodiados exerce atividade laboral externa durante o dia, retornando à unidade para pernoite; sendo que a estrutura física segue os parâmetros previstos para essa modalidade de execução penal, distintos daqueles adotados em estabelecimentos de segurança máxima.
A Agepen destaca a pronta resposta da Polícia Penal diante da ocorrência e a atuação integrada com as demais forças de segurança, que já realizam diligências e ações de inteligência voltadas à localização e recaptura dos evadidos.”
Ataque ao comboio do Bope
Conforme apurou o Jornal Midiamax na época do ataque, as equipes do Bope estariam em quatro viaturas, sendo uma delas descaracterizada, transportando o suspeito de Corumbá com destino a Campo Grande. Esse preso seria vinculado ao PCC (Primeiro Comando da Capital).
Na ocasião, os militares teriam parado em um posto de combustíveis às margens da rodovia BR-262, no distrito de Albuquerque, para trocar o pneu de um dos veículos, quando tiros de fuzil foram disparados de uma área de mata.
Os tiros, disparados por supostos integrantes do Comando Vermelho, teriam atingido o suspeito, que não resistiu e morreu no local. A reportagem apurou ainda que haveria um prêmio em dinheiro, entre R$ 200 mil e R$ 2 milhões, pela vida desse suspeito.


Tio Arantes
‘Tio Arantes’, que tem 70 anos, foi preso pela última vez em 2023, na Bolívia. Ele estava foragido desde novembro de 2021, quando fugiu do regime semiaberto, no Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, em Campo Grande.
Apontado como liderança do PCC (Primeiro Comando da Capital), Tio Arantes está entre os acusados de participar da morte do advogado Willian Maksoud Filho, em 2006. Ele estaria preso na época, mas, ainda assim, os suspeitos o apontaram como um dos responsáveis pela decisão do assassinato do advogado.
Arantes também teria liderado a rebelião na Máxima, naquele mesmo ano, a maior já registrada do Estado. Ele tem, ainda, acusações de participar de assaltos a bancos, além de furtos e receptações.
Considerado um dos chefes do PCC, Tio Arantes havia sido preso em outubro de 2017. Na ocasião, o Garras (Delegacia Especializada em Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros) o prendeu pela explosão de caixas eletrônicos de uma agência bancária, no Parque de Exposições Laucídio Coelho.
Na mesma ocasião, Italo também foi preso por participar do crime. Italo é filho de um homem conhecido como ‘Gugu’, que é casado com a filha de Arantes. Em 2013, ele foi denunciado pelo Gaeco junto de Tio Arantes e outros por associação com o tráfico. ‘Gugu’ era apontado como o apoio de Tio Arantes no Estado para a venda de armas ao PCC.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)
*Matéria editada às 17h09 para acréscimo de posicionamento da Agepen






