Nesta terça-feira (21), a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), confirmou a venda do Consórcio Guaicurus. Dessa forma, uma empresa de Goiás, a HP Mobilidade, deve passar a comandar a frota de ônibus da Capital.
Adriane foi comunicada oficialmente sobre a comercialização do Consórcio em reunião nesta terça-feira. “Hoje é mais um passo sendo dado dentro da intervenção”, afirmou. Há anos, a empresa é criticada pela má gestão do serviço prestado em Campo Grande.
Ainda conforme a prefeita, o próximo passo é aguardar a anuência do poder público, que agora passa a cobrar as mudanças necessárias, após uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) e, mais recentemente, o início do processo de intervenção.
“Vejo essa notícia com bons olhos para a reestruturação do transporte de Campo Grande”, disse. A informação surge um dia após o Consórcio Guaicurus conseguir, temporariamente, bloquear o acesso dos interventores a R$ 46 milhões que estão em uma conta da empresa.

Venda teria começado há meses
Rumores sobre uma possível venda do Consórcio Guaicurus ganharam força em abril, quando os próprios funcionários começaram a observar movimentações fora do comum nas empresas e garagens consorciadas.
Na época, a reportagem do Jornal Midiamax confirmou que o conglomerado de empresas que detém concessão bilionária passou por uma auditoria externa, chamada de ‘due diligence‘ — uma espécie de raio-X da saúde financeira da empresa.
Esse seria o primeiro passo em um processo de venda. Normalmente, um relatório auditado serve como referência em negociações de empresas, pois contém análise profunda sobre a empresa e serve para basear processos de venda.

Além disso, estudos de impacto ambiental também teriam sido feitos. Ao longo dos últimos meses, fontes de dentro do Consórcio Guaicurus, ouvidas pela reportagem, confirmaram que o assunto era tratado entre funcionários.
“A conversa que circulou hoje é de que uma empresa vai assumir a operação, que vai trazer 100 veículos usados para substituir os mais críticos”, disse um funcionário, o qual preferiu manter o anonimato, em maio deste ano.
Troca de direção
Quando a intervenção ainda era avaliada, o Consórcio Guaicurus também tirou de cena o então diretor Themis Oliveira e colocou João Rezende novamente à frente dos negócios comandados pela família Constantino.
Aliás, funcionários comentaram com a reportagem que Rezende estaria na ponta de lança das negociações: “Até o senhor João Rezende, que estava sumido, tem ido à garagem todos os dias acompanhar os trabalhos de perto.”
Representantes do grupo goiano também já estiveram nos pátios das empresas que formam o Consórcio Guaicurus para avaliação in loco, segundo fontes do Jornal Midiamax.
Troca de comando e ‘reestruturação’

Em nota oficial, o Consórcio Guaicurus confirmou haver uma auditoria externa, mas evitou dar mais detalhes, limitando-se a dizer que “as auditorias realizadas na concessionária são de natureza sistêmica, periódica e decorrem de estrita determinação editalícia e contratual, fazendo parte da rotina de fiscalização do serviço”.
Na época, a empresa negou que havia negociações. “[…] não existe qualquer processo de compra ou venda do Consórcio Guaicurus. Inclusive, por força legal e contratual, qualquer alteração dessa natureza dependeria de prévia anuência do poder público municipal”.
Conforme o contrato de concessão, a venda do Consórcio Guaicurus é permitida, desde que tenha o aval da Prefeitura.
O vereador Maicon Nogueira (PP) também deu declarações afirmando ter recebido informações sobre a suposta venda do Consórcio Guaicurus a outro grupo. “Temos a informação de que houve uma tentativa de venda da empresa para um grupo de outro estado e estamos aguardando os desdobramentos. A saída do diretor pode ser um indicativo de que houve essa venda”, sugeriu o parlamentar.
Intervenção pressiona o Consórcio
Em 17 de dezembro de 2025, o juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, determinou abertura de processo para avaliar possível intervenção no Consórcio Guaicurus.
As empresas assumiram o transporte público da Capital em outubro de 2012 e, desde então, enfrentam duras críticas pela má qualidade do serviço oferecido. Nesse intervalo de tempo, o Consórcio Guaicurus já foi alvo de diversas CPIs, que sempre ‘terminaram em pizza’. A mais recente, no ano passado, teve relatório encaminhado ao MPMS, onde o caso está parado.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)






