O sonho de ter uma escola indígena dentro da Aldeia Urbana Água Bonita, em Campo Grande, começou a ganhar forma pelas mãos de estudantes de Arquitetura e Urbanismo da Uniderp. O anteprojeto, elaborado após visitas à comunidade e reuniões com moradores, será entregue oficialmente no dia 11 de agosto, durante a programação em alusão ao Dia Internacional dos Povos Indígenas.
A proposta surgiu em 2025, quando acadêmicos participaram de uma visita técnica à aldeia pelo Projeto EduCAU – Diver_Cidade. Durante a atividade, moradores relataram a necessidade de um espaço de ensino que respeitasse a cultura e as especificidades dos povos indígenas. Depois da visita, a Associação dos Moradores da Comunidade Indígena Água Bonita formalizou o pedido para que a universidade elaborasse um estudo arquitetônico da futura escola.
A reivindicação acompanha uma realidade enfrentada pelas famílias da aldeia: muitas crianças precisam se deslocar para bairros vizinhos para frequentar a escola. A ideia é que uma unidade própria contribua para fortalecer a educação indígena e valorizar as línguas, os conhecimentos tradicionais e a identidade cultural dos povos que vivem na comunidade.
Estudo sendo elaborado
Segundo a coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Uniderp, Gisele Yallouz, o trabalho permitiu que os estudantes compreendessem o papel social da profissão. “A arquitetura tem o poder de transformar realidades quando é construída com diálogo, respeito e participação. Este projeto permitiu que nossos estudantes vivenciassem uma experiência que vai muito além da sala de aula, desenvolvendo soluções a partir da escuta da comunidade e compreendendo que projetar também é valorizar culturas, promover inclusão e gerar impacto social.”
Para o professor indígena Terena Kleber Gomes, mestre em Ensino de História pela UEMS e representante da comunidade no projeto, uma escola voltada à realidade dos povos originários é essencial para fortalecer as línguas maternas, os conhecimentos tradicionais e a identidade cultural das novas gerações. Ele destaca ainda que viver em contexto urbano não descaracteriza a identidade indígena, mas reforça a necessidade de políticas públicas e equipamentos que respeitem as especificidades culturais desses povos.
O anteprojeto foi desenvolvido por estudantes de diferentes semestres, reunindo participantes das disciplinas de Atelier de Projeto Arquitetônico, Trabalho Final de Graduação e do EMAU (Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanismo).

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