Fazendeira toma atitude e revela realidade de mulheres pantaneiras em MS: 'Não quero romantizar' Pular para o conteúdo
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Fazendeira toma atitude e revela realidade de mulheres pantaneiras em MS: ‘Não quero romantizar’

Além dos relatos, ela compartilha receitas tradicionais e um glossário com expressões que traduzem o jeito de falar dos locais
João Ramos -
realidade mulheres pantaneiras
Gabriela e suas duas filhas. (Foto: Arquivo Pessoal)

Além dos animais, o Pantanal de Mato Grosso do Sul é lar de milhares de famílias que ali nascem, crescem e estabelecem raízes de conexão com a natureza rica e diversa. Entre trabalhadores e moradores que compreenderam os ciclos pantaneiros e adaptaram a rotina à vida no bioma, as mulheres se destacam como símbolo de força e sabedoria em seus clãs e grupos amigos.

Pensando em dar visibilidade às histórias reais dessas trabalhadoras que vivem no coração do Pantanal, mas sem romantizá-las, a pecuarista sul-mato-grossense Gabriela Bacchi tomou a atitude de escrever um livro, reunindo depoimentos e expondo as vivências cotidianas da mulherada pantaneira.

Para tanto, Gabi entrevistou 26 mulheres que moram e trabalham em fazendas da região da Nhecolândia, em uma obra que é resultado de um processo de observação iniciado há anos.

“Comecei a sentir essa necessidade há cerca de cinco anos, mas só iniciei a escrita em outubro de 2024, concluindo o livro em abril de 2026. Embora sempre tenha convivido com o Pantanal, foi ao me aproximar da rotina da fazenda que passei a enxergar essas mulheres de outra forma. A admiração pela força, sabedoria e capacidade de fazer muito com pouco foi determinante para que eu decidisse registrar suas histórias”, comenta a autora.

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Fazenda no Pantanal da Nhecolândia. (Foto: Arquivo Pessoal)

Indo além dos relatos, o livro intitulado “Olhares” também apresenta capítulos dedicados ao bioma pantaneiro, receitas tradicionais preparadas em comitivas e fazendas e um glossário com expressões que traduzem o jeito dos locais se comunicarem.

A própria autora cresceu no Pantanal e, anos mais tarde, herdou um pedaço da propriedade da família, passando a administrar a fazenda, acompanhada do marido e das duas filhas. Por isso, reforça que não pretende romantizar a realidade das trabalhadoras, mas sim registrar suas histórias e valorizar a contribuição dessas mulheres para a construção e a preservação da cultura pantaneira.

“O que mais me encanta é a simplicidade e a integração do homem e da mulher com o bioma. Eles têm um ritmo próprio e aprenderam a viver respeitando os ciclos das águas e da seca. Gosto de dizer que sabem ‘ler’ os sinais da natureza, porque convivem diariamente com desafios como o calor intenso, as cheias, a estiagem e até a presença constante dos mosquitos”, detalha.

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Gabriela e suas duas filhas. (Foto: Arquivo Pessoal)

Segundo Gabriela, um dos maiores desafios no processo de elaboração da obra foi conquistar a confiança das entrevistadas e garantir que suas histórias fossem retratadas com respeito e fidelidade. Por esse motivo, todas conheceram previamente a proposta do livro e autorizaram o uso de seus nomes verdadeiros.

“Meu maior cuidado sempre foi preservar a essência de cada relato. Queria que essas mulheres se reconhecessem nas páginas do livro e percebessem que suas histórias mereciam ser contadas exatamente como aconteceram”, afirma.

A autora conta que, em alguns casos, voltou a encontrar as trabalhadoras para ler o texto elaborado a partir das entrevistas. A reação, segundo ela, quase sempre era de emoção.

“No primeiro encontro, muitas perguntavam o que poderiam ter de interessante para contar, pois acreditavam que a própria rotina não tinha importância. Quando ouviam suas histórias transformadas em texto, porém, muitas se emocionavam e chegavam a dizer: ‘Mas, gente, essa é a minha vida’.”

O lançamento de “Olhares” está previsto para agosto, em .

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(Revisão: Nichole Munaro)

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