Além da fauna e flora que compõem a região do Rio Salobra, afluente do Rio Miranda, outra presença tem chamado atenção no Pantanal de MS. Em um pequeno barco, um sul-mato-grossense encanta a região ao cruzar o rio com a sua harpa pantaneira. Já viu?
Seja ao som de música caipira, do tradicional chamamé ou de clássicos da música brasileira, o instrumentista Rafael Deboleto, natural de Dourados, encanta ao barquear no rio, em Miranda, com sua harpa.
Para além do vídeo em que toca “No Rastro da Lua Cheia”, composição de Almir Sater, Rafael também conquistou seus seguidores ao tocar “Kilómetro 11”, do músico argentino Tránsito Cocomarola, uma das figuras mais influentes do chamamé, e a composição “Velha Infância”, da banda Tribalhistas.
O registro, gravado em 2024 e publicado nas redes sociais do artista, guarda a memória de um momento especial para ele: “Simboliza o início de uma jornada de autoconhecimento, um verdadeiro marco pessoal que guardo com muito carinho”, contou o artista, de 34 anos, ao Jornal Midiamax.
Na ocasião, acompanhado de amigos que o convidaram para um passeio, Deboleto não perdeu a oportunidade e realizou o desejo de tocar harpa em meio à natureza.
Harpa pantaneira?
Mas a suavidade da harpa combina com o ritmo dançante do chamamé? Se a harpa costuma ser associada a uma musicalidade suave e lírica, a versão sul-americana tem outra pegada.
Conforme Rafael, o instrumento nos países latino-americanos tem uma linguagem um pouco mais carregada de destreza e força.
“Por exemplo, na ‘arpa llanera’, que é uma harpa da região da Venezuela e da Colômbia, que compartilham o mesmo bioma, você percebe uma força muito grande.”
“São ritmos rápidos, a utilização da unha como forma de reproduzir e de empregar mais potência no som, então essa é de fato a linguagem mais comum da harpa sul-americana. Logo, o encontro entre a harpa e o chamamé faz todo sentido”, explicou.
Questionado se seria o chamamé o ritmo de Mato Grosso do Sul, o douradense respondeu que a beleza de MS surge exclusivamente de sua pluralidade.
“O chamamé possui uma relevância incontestável na cultura do Estado. Eu acho que Mato Grosso do Sul não é representado por um ritmo em si, mas por essa junção de ritmos decorrentes de um processo histórico-cultural: a polka, a guarânia”, observou.
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(Revisão: Nichole Munaro)









