A Justiça de Mato Grosso do Sul analisa o pedido de instalação de sensores eletroquímicos de alta sensibilidade na planta industrial da JBS no bairro Nova Campo Grande, saída para Terenos.
A medida consta em ação movida pelo Ministério Público, que investiga episódios de mau cheiro exalado há anos pelo frigorífico na região.
A tecnologia proposta promete monitorar o ar minuto a minuto e de forma automática, eliminando a dependência de medições manuais ou da percepção olfativa humana.
A decisão cabe ao juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos.
No documento protocolado na Justiça, a defesa da JBS argumenta que os sensores trarão dados científicos e objetivos para tentar provar que a unidade opera dentro de todas as normas ambientais.
Juiz mandou JBS provar que não espalha mau cheiro em bairro
O pedido da JBS sobre os sensores ocorre após decisão recente do juiz, que inverteu o ônus da prova, ou seja, mandou o próprio frigorífico provar que não é o responsável pelo forte odor que toma conta do bairro há anos.
A decisão marcou o avanço da ação para a fase de instrução, em que são colhidos depoimentos, confeccionados laudos periciais e outras provas para a decisão final.
Para a próxima fase, o juiz definiu quais são os pontos que precisam ser esclarecidos: “Fixo como pontos controvertidos a serem provados durante a instrução processual: apurar a conduta, o nexo causal, o dano ambiental e o dano moral
coletivo”.

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A reportagem acionou a JBS para se manifestar sobre o avanço do processo e aguarda retorno. O espaço segue aberto para posicionamento.
MP diz que JBS não cumpriu acordo para resolver problema
Após anos de inquérito e TACs não cumpridos, o MPMS entrou, em 2025, com ação civil pública contra o fedor exalado pela JBS na Vila Nova Campo Grande.
Em manifestação apresentada no processo, a promotora de Justiça Luz Marina Borges Maciel Pinheiro afirma que o frigorífico não cumpriu todas as obrigações acordadas com o MP. “Este Parquet entendeu que as obrigações contidas nos itens 11 e 22 da liminar não haviam sido devidamente cumpridas, eis que as medidas levadas a efeito pela requerida eram insuficientes para tanto.”
No ano passado, foi realizada audiência de conciliação para tentar chegar a um consenso com moradores — que movem ações individuais pleiteando indenizações morais por conviverem com o fedor —, mas os advogados do frigorífico não apresentaram proposta.
São mais de 200 ações de moradores que também tramitam na Justiça e aguardam um desfecho judicial.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)








