Hoffman D’Ávila Candido e Souza, preso durante a Operação Infiltrados, deflagrada na quinta-feira (24), passou por audiência de custódia neste sábado (26). À reportagem do Midiamax, a defesa informou que o delegado apresenta problemas de saúde e será mantido em uma das celas do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros), para onde foi levado após se apresentar na sede da CGPC (Corregedoria da Polícia Civil).
Hoffman é apontado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) como comandante do esquema de desvio de drogas que acontecia na Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico). Segundo as investigações, o servidor público atuava como delegado titular da Especializada no período dos desvios.
Ao Midiamax, o advogado de Hoffman, José Roberto Rodrigues da Rosa, disse que o delegado apresenta problemas de saúde e necessita de atenção especial. “A saúde dele não está muito boa. A gente vai precisar ter muita cautela com a questão dos medicamentos de que ele faz uso”, destacou, sem informar mais detalhes.
O advogado também explicou que a audiência foi realizada a fim de averiguar a legalidade da prisão; portanto, não foi realizado pedido de liberdade do investigado.
“Estamos fazendo estudo caso, vamos fazer um parecer depois. Hoje, a audiência de custódia é para ver a legalidade da prisão, então, não temos apresentação de nenhum tipo de pedido. A prisão, em tese, não teve obstáculo legal e foi mantida. Ele já está custodiado no Garras, onde deve permanecer”, explica.
A defesa também afirmou que não teve acesso ao processo. “Nos próximos dias, devemos estar ingressando com algum tipo de medida. Vamos tentar restabelecer a liberdade do delegado. Penso que quaisquer juízos sobre as provas são prematuros. A quantidade de elementos que foram trazidos para o processo é razoável, vamos precisar de alguns dias para nos inteirarmos sobre tudo e, logo em seguida, vamos tomar uma posição. Qualquer outra situação é muito especulativa nesse momento,” ressalta José Roberto Rodrigues da Rosa.
Hoffman se apresentou na tarde de quinta-feira na sede da CGPC (Corregedoria da Polícia Civil) e foi encaminhado para o Garras, onde permanecerá. Um dia após a prisão, ele foi afastado da função. A portaria com o afastamento foi assinada pelo delegado de polícia e corregedor-geral da Polícia Civil, Clever José Fante Esteves.
Além do delegado, passaram por audiência de custódia Douglas Tobias, Luiz Carlos de Souza, Marcos André Santos Chaves, Nelson Ricardo Barros de Oliveira, Neverson Vieira de Araújo e Nilton César Sales dos Santos. Todos foram alvos da Operação Infiltrados e permanecerão presos. O inquérito segue em sigilo.
Operação Infiltrados
A Operação Infiltrados, do Gaeco, investiga um esquema de desvio de drogas apreendidas por agentes de segurança, principalmente cocaína. Segundo o MPMS, parte dos entorpecentes seria omitida dos registros ou retirada de depósitos policiais e depois repassada a traficantes para retornar ao mercado ilegal. A investigação começou em outubro de 2025.
Conforme o documento, as evidências encontradas indicam que, ao menos entre 2021 e 2026, em Mato Grosso do Sul, um grupo de policiais civis vinha se valendo de suas funções públicas para desviar drogas apreendidas e reinseri-las no mercado ilegal.
Eles desviavam as drogas aprendidas, seja por meio da omissão — nos registros formais da ocorrência — de parte da droga efetivamente arrecadada, fazendo com que esse montante não fosse oficialmente contabilizado como apreendido, seja pela subtração de entorpecentes diretamente do depósito da delegacia, com posterior repasse ao traficante Lucas da Silva dos Santos, o ‘LK’, que usava uma construtora para legalizar os recebimentos obtidos por meio do crime.
A operação cumpriu 24 mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisão temporária e 38 de busca e apreensão nas cidades de Campo Grande, Dourados e Terenos.
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(Revisão: Nichole Munaro)







