A influenciadora digital Virgínia Fonseca usou uma peça produzida em Mato Grosso do Sul para compor um look verde e amarelo durante o jogo do Brasil contra o Japão, em Houston, nos Estados Unidos. O chapéu, com a inscrição “Brasil”, foi feito pela sul-mato-grossense Malu Pires, conhecida como Malu dos Chapéus.
Malu compartilhou o registro nas redes sociais e celebrou: “Agora o Hexa vem”. Além de Virgínia, outros famosos também já usaram peças da marca, como Anitta, Flavia Pavanelli, Romana Novais e Silvia Braz.
O modelo faz parte da coleção “Malu na Copa”. Chamado de Chapéu Cowboy Rústico Brasil – Hexa, é produzido com palha invertida de carnaúba e possui aba larga. A peça acompanha a tendência do streetwear e também de looks praianos, além de ser funcional ao proteger o rosto e a nuca contra a exposição solar.
Novela
Ser “fissurada” em moda significa ter uma paixão intensa, quase obsessiva, pelo universo fashion, em que roupas e acessórios expressam identidade pessoal e artística. Foi exatamente com a fascínio nas tendências que a jovem empresária Malu Pires, mais conhecida como Malu dos Chapéus, transformou o chapéu em peça de destaque no guarda-roupa de famosos.
O acessório tradicional do interior de Mato Grosso do Sul ganhou espaço no horário nobre da televisão brasileira. As peças de Malu passaram a integrar a cenografia da novela “Coração Acelerado”, em cenas com as cantoras Maiara e Maraisa e a atriz Isabelle Drummond.
Do início aos holofotes
Natural de Rio Verde de Mato Grosso, a 203 quilômetros de Campo Grande, Malu começou a produzir os chapéus de forma artesanal, em um espaço pequeno e com apoio da família. O negócio, que teve início despretensioso, evoluiu ao longo dos anos até alcançar nomes conhecidos e, mais recentemente, a televisão.
O interesse pela moda surgiu ainda cedo, antes mesmo da consolidação das redes sociais como vitrine do setor. “Sempre gostei de moda, desde novinha. Já acompanhava os blogs de moda, mesmo quando não existia Instagram. Desde novinha também me vestia diferente, fui a diferente da turma, das amigas. Sempre olhava o que estavam usando lá fora, o que as pessoas estavam vestindo na rua. Então, sempre tive esse olhar diferenciado de me vestir diferente, de me comportar diferente. Eu acredito que moda é isso.”
A ideia de transformar o chapéu em peça de destaque surgiu a partir de uma observação do cotidiano regional. O acessório, comum no Pantanal e associado ao trabalho no campo, foi reinterpretado com foco estético e urbano, especialmente com toque fashionista.
“A família do meu marido, na época, produziu os chapéus de roça, o mais comum [usado] no Pantanal, do homem pantaneiro. Vi que não tinha um chapéu mais voltado para o fashion, colorido. Consequentemente, vi as influenciadoras trazendo de fora do Brasil. Naquela época, estavam começando os blogs.”
O primeiro protótipo foi desenvolvido com ajuda dos sogros. “Falo que a Malu surgiu de uma brincadeira, porque não esperava que tomaria essa proporção. Sou formada em Direito, estava tirando a carteirinha da OAB, e começou em meados de 2014. Eu comecei a usar, fiz por hobby e bombou.”
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