O sacerdote salesiano Padre João Crippa tem uma rua com seu nome em homenagem, no Centro de Campo Grande, justamente por passar em frente à Igreja São José. A trajetória do religioso volta a ter destaque, porque ele será o primeiro servo de Deus de Mato Grosso do Sul.
Na próxima terça-feira (20), a Igreja Católica dará início oficialmente ao Inquérito Diocesano da Causa de Beatificação do sacerdote. Logo, o assunto levanta a questão: o que levou o Vaticano a considerar o padre de Campo Grande servo de Deus, 80 anos após a sua morte?
Quem era Padre João Crippa?
Nascido em 10 de outubro de 1861, na cidade de Asso, na região da Lombardia, Itália, João Crippa ingressou na formação salesiana em 1885. Teve contato com São João Bosco durante sua formação e, posteriormente, dedicou a vida à missão educativa e evangelizadora da Congregação Salesiana. Foi ordenado sacerdote em 17 de fevereiro de 1894.
Depois de atuar no Uruguai e em obras salesianas no Estado de São Paulo, chegou à região de Mato Grosso em 1912. Desenvolveu atividades pastorais em Cuiabá e participou de iniciativas missionárias junto aos povos indígenas Bororo. Nos anos seguintes, também atuou em paróquias do sul do então Estado de Mato Grosso, incluindo Aquidauana, Miranda e Campo Grande.
Em Campo Grande, sua atuação deixou marcas importantes na história da Igreja local. Em 1925, adquiriu os dois primeiros lotes para a construção do Oratório São José, conhecido popularmente como “Capelinha”. O espaço foi pensado para acolher crianças e jovens, oferecendo catequese, momentos de oração, convivência e atividades recreativas, conforme a tradição dos oratórios festivos de Dom Bosco.
Com o crescimento da comunidade, Padre João Crippa passou a idealizar uma igreja maior, dedicada a São José. A pedra fundamental do templo foi lançada em 15 de maio de 1938, e a construção começou em 1939. O sacerdote, porém, não chegou a ver a conclusão da igreja, inaugurada em 1949. A obra que ajudou a iniciar deu origem à atual Paróquia São José, que sediará a abertura de sua causa de beatificação.

Trajetória por Três Lagoas
A história do sacerdote também está ligada a Três Lagoas. Em 1924, a presença salesiana assumiu paróquias em Campo Grande e no município, como parte da expansão missionária no sul do então Estado de Mato Grosso.
Foi em Três Lagoas que padre João Crippa morreu, em 1º de agosto de 1941, aos 79 anos. Sua memória, entretanto, permaneceu especialmente viva em Campo Grande, onde seus restos mortais estão sepultados em uma capela no interior da Igreja São José.
A lembrança de sua dedicação à população e ao Oratório Festivo continua presente na história salesiana. Entre suas últimas recomendações ao inspetor salesiano, ficou a exortação: “Insista, insista a fim de manter o espírito de dom Bosco!”. A frase sintetiza o compromisso que marcou sua missão e o serviço prestado às comunidades por onde passou.

Abertura da causa
A proposta foi motivada pela fama de santidade atribuída a Crippa e pela devoção de fiéis. As articulações para iniciar o processo ganharam força em 8 de março de 2024, durante a visita do então reitor-mor dos Salesianos, cardeal Ángel Fernández Artime, a Campo Grande.
Na ocasião, o cardeal visitou a Igreja São José, onde estão sepultados os restos mortais do sacerdote, e conversou com o padre Paulo Roberto de Oliveira sobre a possibilidade de iniciar a causa.
Dom Ángel Artime considerou positiva a iniciativa de valorizar os testemunhos de santidade salesiana na região. A partir desse diálogo, a Arquidiocese de Campo Grande e a Missão Salesiana avançaram nas articulações para dar início ao processo canônico.
Uma das etapas preliminares foi a análise do Dicastério para as Causas dos Santos, órgão da Cúria Romana responsável por acompanhar esses processos.
Após verificar se havia impedimentos à abertura da causa, o órgão emitiu o rescrito Nihil Obstat (“Nada obsta”), assinado pelo cardeal Marcello Semeraro. A autorização permite iniciar formalmente a investigação diocesana sobre a vida do sacerdote, suas virtudes, a fama de santidade e as graças atribuídas à sua intercessão.
Trâmites finais
Com a abertura, João Crippa passará a ser reconhecido como servo de Deus, título concedido a pessoas cuja causa de beatificação foi oficialmente iniciada. Ele será o primeiro sul-mato-grossense a receber esse reconhecimento.
A sessão solene será realizada das 18h às 18h40, na Paróquia São José. A cerimônia contará com a presença do postulador da causa, Dr. Paolo Vilotta, que virá de Roma, na Itália.
Às 19h, será celebrada uma missa em ação de graças, presidida pelo arcebispo metropolitano de Campo Grande, dom Dimas Lara Barbosa. A celebração contará também com a presença e a concelebração de dom André Alves dos Santos, OSB, presidente da Academia Brasileira de Hagiologia e integrante da Arquidiocese de São Paulo.
“O primeiro homem de coragem, de fé, um homem que testemunhou por tantos e tantos anos a Jesus Cristo. Temos aqui várias pessoas que agradecem a ele por tantos anos”, afirmou o pároco da Paróquia São José, padre Paulo Roberto de Oliveira.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)











