Oficinas de pintura em tecido e cerâmica, promovidas em junho, fortalecem o artesanato no Território Indígena Kadiwéu, em Mato Grosso do Sul. A proposta visa valorizar saberes tradicionais, ampliar a geração de renda e incentivar a autonomia das comunidades indígenas que vivem na região.
Na Aldeia Campina, houve atividades de pintura em tecido, com foco no aprimoramento das técnicas tradicionais e na produção artesanal. Já na Aldeia Alves de Barros, as ações deram continuidade à oficina iniciada em março, com o aprimoramento de cerâmica voltada para pintura e acabamento das peças.
Desenvolvido pela Wetlands International Brasil e pela Mupan – Mulheres em Ação no Pantanal, o projeto compõe o Programa Corredor Azul. Conforme Lílian Pereira, coordenadora do componente Modos de Vida, as ações fazem parte do Plano de Qualificação Produtiva, Design Estratégico e Acesso a Mercado para o artesanato Kadiwéu, que prevê diversas formações ao longo dos próximos meses.
“A proposta inclui capacitação técnica, valorização cultural e estratégias para ampliar a comercialização do artesanato produzido nas aldeias, fortalecendo a cadeia produtiva local”, explica Lílian.
Preservação da cultura
Além do aspecto econômico, as oficinas ainda contribuem para a preservação da cultura Kadiwéu. Assim, a proposta promove a troca de conhecimentos entre gerações e a manutenção de práticas tradicionais, como a cerâmica, que fazem parte da identidade do povo.
“Nosso trabalho é conectar tradição e oportunidades, sem interferir na identidade cultural do povo Kadiwéu. A cultura já existe e é extraordinária. O design entra como uma estratégia para ampliar o reconhecimento desse patrimônio, agregando valor aos produtos, fortalecendo a autonomia das comunidades e criando novas possibilidades de acesso a mercados, sempre com respeito aos conhecimentos tradicionais”, destaca Fabio Lapuente, consultor em Design Estratégico, Branding e Acesso a Mercados.


Território Indígena Kadiwéu
O Território Indígena Kadiwéu reúne cerca de 1.400 pessoas, distribuídas em seis aldeias: Alves de Barros, Campina, Córrego do Ouro, Tomázia, São João e Barro Preto. Uma das principais fontes de renda local, o artesanato é também uma importante expressão cultural da comunidade.
Da Aldeia Campina, a artesã indígena Samila Fernandes participou da oficina de pintura em tecido e destacou a importância da capacitação. “Além de aprimorar ainda mais nossa técnica, a oficina abre portas para novos mercados e oportunidades de venda. É uma grande oportunidade para nós, do povo Kadiwéu, valorizarmos nossa cultura, mostrarmos nosso trabalho para mais pessoas e fortalecermos nossa geração de renda por meio do nosso talento e da nossa arte”, afirma.
As oficinas dão continuidade a uma série de ações previstas para os próximos meses. A iniciativa foca na qualificação da produção artesanal e no fortalecimento do artesanato Kadiwéu como atividade cultural, social e econômica no Pantanal.
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(Revisão: Nichole Munaro)








