Quem ficou curioso ao saber que uma visita guiada ao Cemitério Santo Antônio, em Campo Grande, teve as vagas esgotadas pode estar se perguntando: afinal, o que os participantes vão fazer dentro de um cemitério?
A atividade faz parte da 20ª Primavera dos Museus, realizada entre os dias 21 e 27 de setembro de 2026, e propõe uma maneira diferente de conhecer um dos espaços históricos mais antigos da Capital. A visita está marcada para as 15h deste sábado (26).
Em menos de duas semanas de divulgação, as inscrições totalmente gratuitas, com vagas limitadas, foram rapidamente esgotadas — e não é a primeira vez que isso ocorre.
Mas o que de fato acontece nesse evento? A proposta não é apenas caminhar entre os túmulos. Durante o passeio, por meio de palestra e visita mediada, os participantes são convidados a observar sepulturas, inscrições, monumentos e outros elementos da cultura material funerária, conhecendo histórias relacionadas à formação de Campo Grande.
O objetivo é democratizar o acesso ao patrimônio e estimular o conhecimento das diferentes memórias ali preservadas, entendendo o cemitério também como um espaço de memória e patrimônio cultural. A visita será conduzida por Lilsson Souza, geógrafo com especialização em Ciências Sociais e gestor e administrador do Cemitério Santo Antônio.
Cemitério é considerado museu a céu aberto
O Cemitério Santo Antônio é o mais antigo cemitério público de Campo Grande e reúne túmulos e monumentos que ajudam a contar parte da história da cidade. Inaugurado em 1914, o local possui jazigos de figuras importantes para a história da Capital, além de construções que apresentam diferentes estilos arquitetônicos.
A própria arquitetura dos túmulos é um dos pontos que chamam a atenção. Mármore, esculturas, imagens religiosas e outros ornamentos evidenciam os costumes e as diferenças sociais de outras épocas.
Em visitas guiadas realizadas anteriormente, o espaço também revelou aspectos menos conhecidos, como a organização dos jazigos, os materiais utilizados nas construções e as histórias das famílias sepultadas.
Por que o passeio fúnebre chama tanta atenção?
A ideia de transformar um cemitério em local de visitação cultural pode parecer incomum, mas o turismo cemiterial já é utilizado em outras cidades para preservar e apresentar aspectos históricos, arquitetônicos e culturais desses espaços.
Em Campo Grande, essas iniciativas de visitação vêm ajudando a apresentar o Santo Antônio sob uma perspectiva diferente, como local contemplativo dedicado à memória, um verdadeiro museu construído pela própria população ao longo dos anos.
Com as vagas esgotadas, a procura demonstra o interesse do público por uma “experiência” que foge dos passeios tradicionais e propõe conhecer Campo Grande por meio das histórias, da arquitetura e das memórias guardadas entre os túmulos de um cemitério. Legal ou não?
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(Revisão: Nichole Munaro)










