Um estudo publicado na quarta-feira (7) pelo Journal of Vertebrate Paleontology mostrou uma nova descoberta da paleontologia. Cientistas descobriram o primeiro anfíbio extinto da era glacial em Los Angeles, um sapo-de-patas-de-pá, batizado em homenagem aos poços de piche: Spea Labreae.
Escavações nos poços revelaram ossos de espécies que habitaram a região há dezenas de milhares de anos, principalmente grandes mamíferos, como mamutes e mastodontes.
Segundo autores do estudo, o sapo recém-descoberto é o segundo anfíbio extinto do Pleistoceno (entre 2,58 milhões e 11.700 anos atrás) a ser encontrando na América do Norte.
Pesquisadores dos poços descobriram dois diferentes fósseis do sapo-de-patas-de-pá, que estavam escondidos à vista de todos em uma coleção de espécimes escavados em 1929.
Esses fósseis permaneceram sem estudo até 2023, visto que ossos menores geralmente recebem menos atenção do que os maiores. Foi quando o autor principal do estudo, Dr. J. Alberto Cruz, começou a examinar a coleção e encontrou a nova espécie.
“Eu me considero mais um paleoecologista e paleogeógrafo do que um taxonomista. Então, esta é a minha primeira nova espécie. Para mim, é muito emocionante”, disse Cruz, que é pesquisador associado nos Poços de Piche de La Brea e pesquisador do Centro de Pesquisa Paleontológica de Quinametzin, no México, operado pelo Instituto Nacional de Antropologia e História.
Fósseis raros e importantes
Os ossos de anfíbios são pequenos e frágeis, sendo raros de encontrar. Dessa forma, os poços de alcatrão são ótimos para sua preservação, pois protegem os ossos da erosão, decomposição e animais necrófagos.
O asfalto pegajoso dos poços ainda age como um mata-moscas, ou seja, prende qualquer organismo que caia nele e, assim, fornece aos cientistas evidências do mundo antigo. Segundo Cruz, como os anfíbios ficam perto de fontes de água, esses fósseis criam uma visão do clima pré-histórico da região para os cientistas, além de ajudar a proteger os anfíbios em perigo de extinção atualmente
Para descobrir a espécie, Cruz comparou os fósseis de cerca 1 centímetro de comprimento cada com outros ossos de anfíbios da coleção. Dessa forma, ele encontrou distinções no fóssil: uma parte em forma de machado do sacro-urostilo do animal, parte que conecta a coluna lombar aos quadris, era muito menor que a das outras espécies. A pesquisa indicou que essa era, até então, uma espécie desconhecida.
*Com informações da CNN Brasil
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