Os terremotos que atingiram a Venezuela na última quarta-feira (24) podem ter afetado até 6,67 milhões de pessoas, conforme a OIM (Organização Internacional para Migrações), agência ligada à ONU (Organização das Nações Unidas). Entre os impactados, a organização estima cerca de dois milhões apenas em Caracas.
Conforme a ONU News, a OIM trabalha em conjunto com o governo na avaliação dos danos e conta com itens básicos de assistência na capital. A entidade ainda avalia que abrigos de emergência, água, saneamento, medicamentos e medidas de proteção estão entre as grandes prioridades no momento.
Com magnitudes 7,5 e 7,2 na escala Richter, o impacto dos terremotos é considerado um dos piores já registrados. Diante da tragédia, as Nações Unidas coordenaram uma resposta humanitária internacional de larga escala.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou profundo pesar “pela trágica perda de vidas”, além de reafirmar o compromisso da organização com os venezuelanos em meio à destruição generalizada em Caracas e nos estados de Miranda, Carabobo, Yaracuy e La Guaira.
Assim, o Fundo de Emergência da ONU liberou US$ 15 milhões para financiar as atividades de urgência. Profissionais de diferentes nações se unem aos esforços locais e de parceiros do México e de El Salvador, enquanto a gestão da operação, que envolve um grupo de 15 especialistas da rede de Avaliação e Coordenação de Desastres das Nações Unidas, está sendo colocada na coordenação das buscas urbanas.
Número de mortos
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, informou na sexta-feira (26) que o número de mortos subiu para 589, enquanto o de feridos atinge 2.938. Ao fim do dia, agências de notícias apontaram mais de 920 mortes, e o número de feridos ultrapassou 3 mil.
O país declarou estado de emergência, acompanhado de medidas de evacuação e suspensão de serviços essenciais. Conforme portais de notícias, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil confirmou a morte de dois brasileiros. Já o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal declarou que nove portugueses e lusodescendentes morreram e outros 56 permanecem desaparecidos.
O Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, declarou a busca e o salvamento como prioridades máximas. Ao todo, 25 equipes e cerca de mil profissionais de resgate de vários países estão sendo enviados para o local.
Pessoas presas sob escombros
Dados preliminares apresentados pelo presidente da Assembleia Nacional da Venezuela indicam mais de 200 pessoas ainda presas sob os escombros. A infraestrutura do país sofreu danos graves, incluindo oito hospitais e o Aeroporto Internacional Simón Bolívar, suspendendo voos e dificultando a chegada do apoio.
A Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) declarou que a situação nos hospitais é crítica. Com muitos casos de fraturas ósseas e traumatismos cranianos, ferimentos por esmagamento, queimaduras e outras lesões decorrentes do desabamento de edifícios, a equipe encontra-se de prontidão, com especialistas disponíveis conforme necessário.
Proteção das crianças
Já o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) alerta que cerca de 3,9 milhões de crianças vivem nas regiões mais atingidas pelos tremores de terra. A diretora executiva da agência, Catherine Russell, reafirma o compromisso de apoiar os esforços nacionais para proteger os mais jovens e vulneráveis.
Em paralelo, a Acnur (Agência da ONU para Refugiados) mobilizou recursos humanos e materiais para mitigar os efeitos da tragédia. A agência já prestava assistência à nação que, no fim de 2025, tinha mais de 210 mil refugiados e requerentes de asilo.
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(Revisão: Nichole Munaro)






