A região onde o subtenente do Corpo de Bombeiros Elianderson Duarte estava escondido há duas semanas é afastada da cidade, próxima de rodovias e de uma área de mata, na Vila Almeida. O bombeiro, de 45 anos, foi preso em março após ser acusado de matar a esposa, Liliane de Souza Bonfim Duarte, em Ponta Porã, mas fugiu do PME (Presídio Militar Estadual) no dia 12 de junho.
Elianderson ficou duas semanas escondido em uma casa na Rua Presidente Rodrigues Alves, localizada em uma região afastada, quase no cruzamento com a Avenida José Barbosa Rodrigues e atrás de uma área de mata. A região é próxima da MS-010, na saída para Rochedinho.
Após a fuga do presídio militar, o subtenente percorreu 18 quilômetros até a residência na Vila Almeida. Ele ficou escondido até a noite de sexta-feira (26), quando foi encontrado por uma equipe da 5ª CIPM (Companhia Independente de Polícia Militar).
Aos policiais militares, o proprietário da residência alegou desconhecer que o bombeiro era foragido. No imóvel, além do proprietário, estava o irmão do autor, de acordo com o registro policial.
A equipe do Jornal Midiamax esteve na região onde o bombeiro foi recapturado e ouviu relatos de moradores, sendo um deles apontado como o proprietário da casa usada como esconderijo do militar.
Inicialmente, o proprietário se identificou como vizinho e comentou que não sabia que Elianderson estava foragido da Justiça. Porém, afirmou que ele residia no local há aproximadamente duas semanas.
Posteriormente, a reportagem foi informada de que o homem é o dono do imóvel onde o militar estava escondido desde sua fuga. “Ninguém o via, [ele] não saía de casa. Só ficamos sabendo que era foragido porque a polícia veio aqui para buscá-lo”, disse o morador, apontado como proprietário da residência.
“Nem soube da prisão, nem que ele era foragido; não vi nenhuma movimentação ontem”, falou outro vizinho.
Após a recaptura, o bombeiro foi conduzido para a delegacia na noite de sexta-feira (26). Durante a madrugada, ele foi apresentado ao Presídio Militar Estadual.

Prisão
Elianderson estava preso desde março deste ano por matar a esposa, Liliane. O militar agrediu a então companheira com golpes de marreta na cabeça, em uma casa na Vila Reno, e alegou legítima defesa.
Na época, o bombeiro precisou ficar hospitalizado em Ponta Porã, pois se queixava de dores nos pés e escoriações pelo corpo, alegando ter sido agredido por moradores que o perseguiram. Logo depois, surgiram denúncias de que ele estaria recebendo regalias na unidade hospitalar.
Na ocasião, a corporação negou as supostas regalias e informou que todas as providências cabíveis foram tomadas conforme a lei. Após o atendimento médico no hospital, o subtenente do 4º GBM foi transferido para o Presídio Militar Estadual na tarde do dia 5 de março.

Feminicídio
Segundo o boletim de ocorrência, no dia cinco de março, após agredir a esposa e os filhos, o subtenente, de 45 anos, saiu correndo pelas ruas do bairro com duas facas de serra. Quando a equipe policial chegou ao local, o bombeiro estava contido por populares; no entanto, estava alterado e nervoso, gritando que apenas se defendeu de sua mulher, que queria esfaqueá-lo.
Em decorrência disso, ele justificou, conforme o registro policial, que teve de ‘pegar uma marreta e acertar a cabeça dela’. A vítima foi socorrida inconsciente por uma equipe do Corpo de Bombeiros. Já os filhos, de 13, 15 e 17 anos, foram socorridos por vizinhos para atendimento médico.
Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que os filhos do casal saem de casa, às 17h27, e correm pela rua pedindo ajuda para quem passa pela via. Frequentadores e funcionários de um estabelecimento da esquina se depararam com a cena e correram para tentar ajudá-los.
Dias depois da agressão brutal, a vítima morreu no Hospital da Vida, em Dourados.
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(Revisão: Nichole Munaro)




