Balanço divulgado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) neste sábado (6) indica 84 mortes por ebola no continente africano e 471 casos confirmados. A situação preocupa a OMS e autoridades de saúde dos Estados Unidos, que alertam que o atual surto de infecções pelo vírus pode atingir a mesma gravidade da epidemia registrada em 2014.
Para evitar o cenário, entidades pedem a adoção de ações de resposta rápidas. A maior parte dos registros da doença está concentrada na República Democrática do Congo, com 452 casos confirmados e 82 mortes desde o dia 15 de maio, quando o governo declarou a epidemia naquele país.
No entanto, a vizinha Uganda também confirmou novos casos e mortes pelo vírus. O território ugandense registrou 19 pessoas infectadas e dois óbitos na fronteira com o Congo, acendendo o alerta internacional.
Conforme especialistas, há risco de uma nova catástrofe humanitária no continente. “É urgente tomar medidas para conter a propagação deste surto e evitar que ele atinja uma magnitude equivalente, ou até superior”, disse Jason Asher, diretor do CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA), a agência pública de saúde do país norte-americano, considerada uma referência global.
A pior epidemia de ebola da história matou mais de 11 mil pessoas. Entre 2014 e 2016, o surto que começou na Guiné devastou a África Ocidental e registrou mais de 28 mil casos da doença.
Possibilidade de disseminação
Ainda conforme Asher, modelos matemáticos indicam que o contágio pode atingir altos índices rapidamente, por isso, sem ações de saúde eficientes para conter o avanço, o surto atual pode repetir o desastre do passado.
Atualmente, a variante Bundibugyo é a responsável pelo surto, uma cepa muito rara do ebola. A transmissão ocorre por meio do contato próximo e pela troca de fluidos corporais de pessoas infectadas.
Não há vacina ou tratamento aprovado para combater especificamente esse tipo de vírus.
Para tentar conter o avanço, a OMS e o CDC África lançaram uma força-tarefa de R$ 2,65 bilhões com plano de ação de seis meses, focado na melhoria de testes de laboratório, vigilância e prevenção de novos contágios.
O diretor-geral da OMS cobrou rapidez e união dos países contra a doença. “A epidemia avança rapidamente e estamos ficando para trás. Trata-se de uma epidemia grave, e sabemos como contê-la, mas devemos agir com rapidez”, diz Tedros Adhanom Ghebreyesus.
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