Marcos Antônio de Souza Vieira, acusado de tentar matar a ex-mulher a tiros em um posto de combustíveis de Campo Grande, em maio de 2025, foi condenado pelo Tribunal do Júri, nesta quarta-feira (10), a 22 anos de prisão em regime fechado pela tentativa de feminicídio. Também foi condenado ao pagamento de R$ 50 mil à vítima por dano moral.
Além da tentativa de feminicídio, ele também foi sentenciado por sequestro qualificado e porte ilegal de arma de fogo de uso permitido
Durante o julgamento, o réu disse que não pensou ao efetuar os disparos que atingiram a vítima. “Não. Eu não pensei. Eu não pensei em nada, deu um branco. Eu nem sei por que eu atirei. Na hora deu o start. Eu saí na hora e aconteceu o negócio”, disse ao ser questionado pelo advogado de defesa, Weslley Antero Angelo, sobre o motivo dos disparos.
O acusado também negou ter mirado a arma na direção da vítima. “Dr., eu não tenho nem como mirar, porque eu saí correndo. Não tem nem como mirar. Se tivesse parado, aí sim. Poderia falar que fui para matar ela, mesmo”, afirmou.
De acordo com a denúncia, o réu sequestrou a vítima no dia 29 de maio de 2025, no Jardim Centenário. Em depoimento nesta manhã, Marcos Antônio negou ter tido a intenção de matar a ex-companheira e disse que não obrigou a vítima a entrar em seu carro.
“Eu não ameacei ela, simplesmente parei o automóvel na frente, ela voltou para trás, eu desci do carro, fui até ela e pedi para a gente analisar e resolver o assunto”, alegou o réu.
Ainda de acordo com a denúncia, o casal parou em um posto de combustível. A mulher foi até o banheiro e, quando retornou, o homem estava gritando com ela. A vítima tentou fugir e foi alvejada por disparos de arma de fogo.
Ela foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e encaminhada para atendimento médico. Marcos Antônio, que conseguiu fugir do local, foi preso logo depois, na Avenida Bandeirantes, região do Guanandi.
A arma utilizada por Marcos Antônio foi comprada em Bela Vista, cidade a 313 quilômetros de Campo Grande. Na casa do autor, os policiais encontraram mais 78 munições.
O crime aconteceu poucos dias após a mulher entrar com pedido de divórcio. A vítima já havia pedido medidas protetivas contra Marcos, mas, em dezembro de 2024, a solicitação foi revogada a pedido da vítima.
Em agosto de 2025, Marcos Antônio passou por audiência de instrução. A vítima não acompanhou e apenas o filho dela esteve presente. Na ocasião, ele afirmou que desde que sofreu a tentativa de feminicídio, a mãe, que ficou com sequelas, se mantém isolada.
Nesta quarta, Marcos Antônio ocupou o banco dos réus na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, sob acusação de tentativa de feminicídio, sequestro e porte ilegal de arma de fogo.







