O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) fará mais diligências para definir se instaura Inquérito Civil contra a clínica DaVita, da Rua 13 de Maio, bairro São Francisco. Vigilância Sanitária Estadual e polícia também investigam o caso.
No dia 27 de abril, pacientes precisaram de socorro médico ao mesmo tempo. Um deles, morador de Aquidauana, de 62 anos, morreu no dia 30, internado em hospital da Capital. Na certidão de óbito, a causa da morte foi registrada como “septicemia bacteriana e pneumonia”. Outra paciente, uma mulher, morreu no dia 18 de maio, após ficar internada.
Também em maio, o MPMS pediu informações à Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), à Vigilância Sanitária Estadual e à própria clínica. Nesta terça-feira (9), a 76ª Promotoria de Justiça de Campo Grande informou ao Jornal Midiamax que recebeu esses documentos e determinou a realização de novas diligências.
A notícia de fato recebida pelo MPMS tem prazo de 120 dias para a apuração. Assim, os elementos serão analisados para a definição da possível instauração de um Inquérito Civil.
Processo sanitário
Agentes da Vigilância Sanitária Estadual visitaram a clínica no dia 7 de maio e encontraram irregularidades que levaram à autuação do serviço. A clínica segue sob monitoramento e precisará corrigir falhas, segundo a Vigilância. O relatório da fiscalização está com o Ministério Público.
Nesta terça-feira (9), A SES (Secretaria de Estado de Saúde) informou ao Jornal Midiamax que a empresa DaVita apresentou sua defesa no prazo estabelecido, encerrado em 3 de junho. Agora, os documentos apresentados vão para análise das áreas técnicas.
Em seguida, o processo sanitário será encaminhado para julgamento pela coordenação responsável. “Todas as medidas administrativas e sanitárias cabíveis serão adotadas, observados os princípios do
devido processo legal e do direito à ampla defesa”, conclui nota da SES.
Reúso de capilares
Pacientes e ex-funcionários da clínica informaram à reportagem que era comum os capilares arrebentarem durante o uso, o que causava transtornos no tratamento. Além disso, eles relatam que os capilares só eram reutilizados em pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde). A clínica DaVita nega.
Há dois anos, uma pessoa alertou a clínica DaVita sobre o assunto, em avaliação no Google. “Penso que precisam se preocupar mais com o risco de infecções, lavagens de capilares, desinfecção no local da fístula. Estão ocorrendo sempre infecções em corrente sanguínea, por favor, vejam isso mais de perto”, escreveu.
A Vigilância Sanitária Estadual informa que a reutilização de capilares até 20 vezes para o mesmo paciente não é proibida, “desde que mantenha processos rigorosos de limpeza e desinfecção” e “caso o capilar esteja íntegro e em pleno funcionamento”.
3ª maior clínica de hemodiálise do SUS em MS
A clínica DaVita, no bairro São Francisco, em Campo Grande, é a terceira maior de Mato Grosso do Sul em atendimentos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A unidade possui 57 aparelhos de hemodiálise e atende 273 pessoas, com uso exclusivo do sistema público.
A segunda unidade da DaVita, na Rua Antônio Maria Coelho, é a segunda maior. Esta clínica destina 50 aparelhos de hemodiálise ao SUS, com 300 pacientes.
Inclusive, pacientes do interior de Mato Grosso do Sul recebem atendimento nessas unidades de saúde. Outra publicação expõe que, além de moradores da Capital, pessoas de outras 16 cidades do Estado são encaminhadas para hemodiálise na DaVita. Pelo menos duas pessoas que passaram mal eram do interior.
A DaVita possui convênio para receber incentivo financeiro público para a Atenção Especializada em Doença Renal Crônica, o que inclui custeio das sessões de hemodiálise e ampliação do acesso à diálise peritoneal para pacientes crônicos no SUS.
O que diz a DaVita?
Em nota enviada ao Jornal Midiamax, a clínica DaVita confirma ter recebido o relatório da Vigilância Sanitária. Confira o posicionamento na íntegra:
“A clínica informa que recebeu relatório da Vigilância Sanitária com apontamentos que serão respondidos dentro do prazo determinado pelo órgão. Reforça, ainda, seu compromisso com a segurança, a qualidade do atendimento e o cuidado prestado em suas unidades.”
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