Ayla ou Lindalva? Suzilaine ou Nazaré Tedesco? Se não fosse pelos nomes, a história de um sequestro real ocorrido em Campo Grande (MS), neste mês, poderia ser confundida com a trama da novela “Senhora do Destino”, transmitida pela TV Globo em 2004 e um dos maiores clássicos da teledramaturgia brasileira.
De acordo com a investigação, Suzilaine da Graça Costa, sequestradora presa por raptar a bebê Ayla Emanuelly, na capital de Mato Grosso do Sul, escondia uma falsa gravidez com o objetivo de sustentar uma relação amorosa. Seu plano era roubar uma criança recém-nascida para apresentar como filha ao parceiro e, assim, manter o casamento.
A tramoia é a mesma de Nazaré Tedesco, uma das vilãs mais emblemáticas da ficção nacional. Na novela “Senhora do Destino”, a malvada sequestrou a bebê Lindalva, filha da mocinha Maria do Carmo, com a mesma intenção.

Sustentando uma gravidez de araque, ela precisava da criança para “segurar” a relação com o amante José Carlos (Tarcísio Meira) e enganou a protagonista da história — tal como a sequestradora campo-grandense.
Contudo, enquanto Nazaré agiu sem planejar, no calor da emoção, a responsável pelo rapto em MS teria planejado o crime com pelo menos um mês de antecedência. Além disso, a vítima escolhida em Campo Grande foi uma adolescente em situação vulnerável.
Nenhuma confissão confirmou se a novela inspirou a vida real e se Suzilaine realmente “copiou” o plano da vilã da Globo. No entanto, as similaridades são inegáveis e vão além.

Os detalhes da trama
Conforme informações da Polícia Civil, Suzilaine havia mentido para a família que estava grávida. Depois, disse que tinha perdido o bebê em um suposto aborto espontâneo. Porém, a investigação afirma que o procedimento não ocorreu e também não confirma a gravidez.
De acordo com a família da mãe que teve a filha roubada, a suspeita teria se aproximado da vítima durante a gestação e se oferecido para fazer um book de fotos da recém-nascida de graça. Elas se conheceram em um grupo de doações no bairro, e a autora ainda prometeu presentear a pequena Ayla com roupinhas novas.
Para atrair a adolescente grávida, Suzilaine ofereceu R$ 100 para que ela cuidasse de um bebê de 6 meses em sua casa. Foi assim que a autora conseguiu raptar a pequena Ayla, apenas 28 dias após seu nascimento, e fugir para o Paraguai.
“Ela conheceu essa moça por um grupo de doação, quando ela estava na reta final da gravidez, e, por volta dos oito para nove meses de gestação, essa moça falava que ia doar roupa para ela, dar carrinho e um book de fotos. Aí ela aceitou”, conta a familiar.

Momento do rapto
Foi então que, no início do mês de agosto, Suzilaine foi à casa da adolescente para levar as roupas prometidas e chamou a vítima para cuidar de outro bebê em sua residência, no bairro Universitário, em Campo Grande. “Essa moça falou que ia pagar R$ 100 para ela cuidar da filha de seis meses dela [suspeita], que ela podia levar a recém-nascida junto”, explica a mesma parente.
A vítima então foi até o local, junto da irmã, de 12 anos, em um carro de aplicativo pago pela autora. Ao chegar ao imóvel, a mãe de Ayla pediu um copo de água, momento em que a suspeita levou a adolescente de 12 anos para os fundos da casa.
Com isso, um homem, que já estava na residência, teria aparecido e pressionado um pano no rosto da vítima, fazendo-a desmaiar. Em seguida, ele trancou a mãe da bebê dentro do banheiro e a amarrou. Já a irmã da vítima teria sido trancada no quarto, junto da sobrinha recém-nascida.

Final feliz? Como tudo terminou na vida real
O sequestro aconteceu no dia 6 de agosto, mesma data em que Suzilaine e seu marido fugiram com Ayla para o Paraguai. O caso ganhou destaque na mídia, a polícia montou uma força-tarefa, e a criança foi localizada três dias depois. Na mesma ocasião, a autora e seu marido, Alex Melo de Abreu, foram presos pelo rapto.
Assim, uma semana após ser sequestrada, a bebê voltou para os braços da mãe no começo da tarde desta quinta-feira (13), em Campo Grande.
Desde domingo (9), Ayla estava sob responsabilidade do Conselho Tutelar, enquanto aguardava a decisão judicial para voltar à família. Na tarde desta quinta-feira (13), uma familiar confirmou à reportagem do Jornal Midiamax o retorno dela. “Está bem, linda e gorda”, disse.
Nesse caso, o desfecho foi rapidamente resolvido pelas autoridades e bem diferente da novela “Senhora do Destino”, sem que mãe e filha ficassem mais de 20 anos separadas e a menina crescesse com outra identidade, sem conhecer sua verdadeira história. Daqueles casos de quando a vida imita a arte, mas, desta vez, com um final feliz e a captura imediata dos criminosos.

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(Revisão: Dáfini Lisboa)







