A distribuidora alvo de investigação sobre esquema clandestino de perfumes em Mato Grosso do Sul garantia, aos seus 126 mil seguidores, um lucro com a revenda das mercadorias. Na terça-feira (22), equipes do MPF (Ministério Público Federal), do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) e da Receita Federal cumpriram mandados em Campo Grande, São Paulo e Pernambuco.
A Operação Perfume de Mulher mirou um grupo que ingressava com perfumes, sobretudo da linha árabe, de forma clandestina no Brasil por meio de Ponta Porã — fronteira com o Paraguai. Os produtos eram guardados em depósitos clandestinos, inicialmente em Campo Grande, e, depois, em outros centros de distribuição em São Paulo e Pernambuco.
O grupo se identifica como “a maior referência em perfumaria árabe do Brasil” e já revendeu inúmeros perfumes em todo o país. Nas redes sociais, a distribuidora possui 126 mil seguidores e afirma: “Revenda com o lucro garantido!”.
Inclusive, dias antes da operação, foi divulgada na rede social a chegada de uma nova coleção. Na publicação, a empresa dizia: “Atacado a partir de R$ 500; enviamos para todo o Brasil; nota fiscal sem custo; seguro de envio”.
A empresa também vendia um kit para revendedor iniciante, garantindo que faria sucesso. “Seu próximo sucesso nas vendas começa aqui!”, diz a publicação. Entre as mercadorias divulgadas, a empresa vendia perfumes árabes, importados, maquiagens e cosméticos, sendo bem ativa nas redes sociais.
Operação Perfume de Mulher
Na manhã de terça-feira (22), foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão e 1 de prisão no estado sul-mato-grossense, em São Paulo e em Pernambuco. Foram R$ 100 milhões em bens e valores apreendidos.
Equipes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) acompanharam o cumprimento dos mandados. Conforme apurado pelo Jornal Midiamax, quatro viaturas do MPU (Ministério Público da União) e uma da Receita Federal chegaram a uma residência no bairro Vivendas do Bosque antes das 5h30.
Investigações
O grupo começou a ser investigado após apreensões entre 2024 e 2026, quando os órgãos registraram mais de 20 apreensões vinculadas à organização. Em outubro do ano passado, aproximadamente R$ 10 milhões em perfumes importados irregularmente foram apreendidos.
As investigações revelaram que os perfumes, sobretudo da linha árabe, entravam de forma clandestina no Brasil por meio de Ponta Porã — fronteira com o Paraguai. Os produtos eram guardados em depósitos clandestinos, inicialmente em Campo Grande, e, depois, em outros centros de distribuição em São Paulo e Pernambuco.
A partir desses pontos, os investigados distribuíam os produtos para vários estados, sendo que a venda era feita, principalmente, pelas redes sociais, marketplaces e plataformas de comércio eletrônico. Inclusive, influenciadores participavam das vendas para impulsionar a divulgação.
O grupo se identifica como “a maior referência em perfumaria árabe do Brasil” e já revendeu inúmeros perfumes em todo o país.
De acordo com o MPF, os investigados apresentavam notas fiscais fraudulentas, com declarações de conteúdo falsas, e usavam diversas pessoas jurídicas para conferir aparência de legalidade às operações comerciais.
Também foram identificados indícios de lavagem de dinheiro por intermédio de empresas de fachada, utilização de “laranjas”, ocultação patrimonial e movimentações financeiras incompatíveis com a capacidade econômica dos investigados.
Com o avanço das investigações, foi identificado o uso de criptoativos em negociações com fornecedores do exterior. Uma movimentação de mais de R$ 300 milhões foi identificada nas contas bancárias relacionadas aos investigados.

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(Revisão: Nichole Munaro)







