Um dos alvos da Operação Nexum, deflagrada pela PF (Polícia Federal) nesta quarta-feira (9), em Campo Grande, identifica-se como “Victor – Fio do Bigode” nas redes sociais, onde revela uma vida de ostentação. Inclusive, há quase um ano, o investigado usou seu perfil para publicar vídeo brincando de ser preso.
A operação mira uma organização criminosa que vendia mercadorias eletrônicas do Paraguai e extorquia clientes. Diversos produtos eletrônicos foram apreendidos durante o cumprimento de 12 mandados de busca e apreensão e dois de prisão. Um terceiro investigado foi submetido a monitoramento eletrônico.
Nas redes sociais, um dos investigados afirma que vende produtos de alto padrão e tem mais de 1,5 mil negócios no ‘fio do bigode’. Ele também declara que possui crediário próprio, semanal ou quinzenal. Algumas das publicações revelam a ostentação de uma vida de luxo, com viagens para Fernando de Noronha, cruzeiro pelo litoral do Brasil, Jericoacoara e outros estados brasileiros.
Em outubro, Victor publicou um vídeo brincando de ser preso. “Mercado em choque: Fio do Bigode detido por segurar o estoque do iPhone 17 Pro Max”, escreveu o investigado, simulando manchete de um jornal.
Outra postagem de Victor revela a comercialização de R$ 1 milhão em mercadoria. “Aqui não tem conversa fiada: é confiança, porque sua palavra, pra mim, vale mais que qualquer contrato”, escreveu na publicação.
No dia 14 de fevereiro, o investigado gravou um vídeo na beira da piscina de casa e anunciou a chegada de mercadoria. Na legenda, ele ainda escreveu: “No Fio do Bigode, onde fazer o certo é tão sagaz que até parece coisa errada”.
Nesta quarta (9), policiais federais, juntamente com uma equipe da Receita Federal, estiveram em uma residência no bairro Los Angeles, onde apreenderam eletrônicos e perfumes.
O Jornal Midiamax acionou a defesa de Victor, que também representa a defesa do segundo investigado, mas foi informado que ainda não teve acesso aos autos da operação.




Investigações
De acordo com a PF, a operação visa reprimir um grupo suspeito de promover a internalização irregular de mercadorias eletrônicas oriundas do Paraguai e vendê-las de forma parcelada e informal. Posteriormente, os criminosos cobravam as dívidas com ameaça e, inclusive, usando arma de fogo de grosso calibre.
As investigações identificaram que o grupo divulgava as mercadorias nas redes sociais e cobrava os clientes com ameaças. Eles também teriam feito empréstimos informais e praticado extorsão. Além disso, a polícia identificou indícios de tráfico de drogas, posse e porte irregular de armas de fogo e lavagem de capitais.
A Operação Nexum conta com mais de 50 policiais federais de várias unidades da Superintendência Regional de Mato Grosso do Sul e apoio da Receita Federal.
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(Revisão: Nichole Munaro)







