Fahd Haidar, de 25 anos, ganhou a liberdade provisória um dia depois de ser preso durante a Operação Ifrit, deflagrada pela PF (Polícia Federal), em conjunto com a Receita Federal, em Ponta Porã, cidade que faz fronteira com o Paraguai por meio de Pedro Juan Caballero.
Deflagrada na última quarta-feira (4), a Operação Ifrit cumpriu mandados em Mato Grosso do Sul e outros seis estados. A operação mirou organização criminosa transnacional liderada por um núcleo familiar e associada a facções criminosas, com participação de policiais civis e militares de Mato Grosso do Sul e um PRF (policial rodoviário federal) de outro estado. Entre os 29 alvos da operação, estão o policial civil Andrey Elesbão Silva; Douglas Tobias; o delegado Hoffman D’Ávila Candido e Sousa; e o clã Haidar: Adel Hassan Haidar e Nasser Haidar, que estão foragidos, e Bassan Hassan Haidar, que está preso.
Fahd Haidar vivia em uma casa de alto padrão em Ponta Porã, onde foi preso com duas pistolas de calibre 9 mm. Ele havia passado por audiência de custódia no mesmo dia, tendo a prisão mantida pela Justiça. Já na tarde de quinta (5), ganhou a liberdade provisória.
A decisão da soltura de Fahd é do juiz de Direito, Fernando Moreira Freitas da Silva, de Naviraí. “Cabe ressaltar que, no caso concreto em apreço, o suposto autor da infração penal atuou, de acordo com os elementos informativos acostados aos autos, sem o emprego de violência ou de grave ameaça à pessoa, na medida em que foram imputados delitos previstos na Lei n. 10.826/03”, pontuou.
O magistrado também explicou que “inexiste, à primeira vista, qualquer circunstância que denote ter se excedido o custodiado na realização do tipo penal, eis que, ao praticar, em tese, o delito imputado, não extrapolou a normalidade esperada pelo legislador, a indicar que não representa risco à ordem pública”.
“Apesar de a apreensão ter ocorrido em contexto de cumprimento de mandado de busca e apreensão, tal fator não justifica, isoladamente, a decretação da segregação cautelar, sobretudo porque o ordenamento jurídico pátrio, em matéria criminal, não adotou a responsabilização objetiva. Dessa feita, o fato de as particularidades de caso concreto distinto recomendaram ou sugerirem a adequação da busca ou da prisão preventiva não faz com que essa deva ser tida como automática em todo e qualquer caso no qual tenha sido ele vinculado à imputação de infrações penais”, afirmou o juiz de Direito, Fernando Moreira Freitas da Silva.
Assim, foi concedida a liberdade provisória a Fahd, mediante algumas medidas cautelares, como o recolhimento domiciliar noturno e a proibição de se mudar de residência ou de se ausentar por mais de oito dias, sem prévia comunicação ao juízo.
Fahd também deverá comparecer a todos os atos do inquérito policial e de eventual ação penal a que for convocado. O juiz também determinou o comparecimento bimestral à Justiça para informar e justificar suas atividades.
Fahd Haidar
Filho de Nasser Haidar e primo de Adule, Maroan e Mamede, Fahd é apontado como um dos operadores financeiros do grupo. De acordo com o relatório ao qual a reportagem do Jornal Midiamax obteve acesso, Fahd teria sido detido em Pedro Juan Caballero no dia 1º de março de 2024 após atirar mais de 20 vezes, juntamente com o primo, Mamede e outros brasileiros. Um dos tiros atingiu um hospital público e a polícia recolheu 25 cápsulas deflagradas, carregador de pistola e cartuchos intactos.
Inclusive, os investigadores encontraram fotos de uma videochamada feita no dia 8 de novembro de 2022 em uma festa promovida por Adule. Fahd e Mamede aparecem segurando armas longas e pistolas na videochamada com Adule.
O relatório também descreve um diálogo entre Adule e Bassam Hassan Haidar Ahmed, ocorrido em 2022. Na ocasião, Bassam enviou um áudio de uma terceira pessoa sobre a retirada de 5 mil dólares em uma casa de câmbio. Em seguida, determinou que Adule fizesse a operação na casa de câmbio, segundo a PF, destinada ao pagamento de uma dívida de Fahd, anteriormente cobrada por Bassam.
Fahd também é dono do Centro Hípico Fahd Haidar, em Ponta Porã, a 315 quilômetros de Campo Grande. A empresa teria sido beneficiada com o pagamento de R$ 109.714,72, pago em dez boletos, com recursos das contas de Nasser. Desde 2013, dois imóveis comerciais avaliados em R$ 674.206,40 estão em nome de Fahd. Ele também possui três veículos de alto padrão.
Diante das investigações, a PF indica que Fahd e sua empresa atuariam como pessoas interpostas em benefício do verdadeiro titular dos recursos, que é seu pai, Nasser Haidar. O intuito seria a ocultação patrimonial e lavagem de capitais.
‘Inocência de Fahd Haidar será devidamente demonstrada’, alegou defesa
O Jornal Midiamax acionou a defesa de Fahd Haidar, representada pelo Hazime Advocacia, que, em nota, informou que está analisando as imputações e os elementos que integram a investigação. Confira a nota na íntegra:
“A defesa técnica de Fahd Haidar, em razão das recentes notícias relacionadas à Operação Ifrit, informa que está analisando criteriosamente as imputações e os elementos que integram a investigação, cujos autos tramitam sob sigilo judicial.
Em respeito ao sigilo processual, ao devido processo legal e à própria condução da defesa, esclarece que as manifestações sobre o mérito serão apresentadas oportunamente nos autos, perante o Poder Judiciário, foro adequado para o esclarecimento dos fatos.
A defesa reafirma sua confiança na Justiça e está convicta de que, assegurados o contraditório e a ampla defesa, a inocência de Fahd Haidar será devidamente demonstrada.
Por fim, ressalta que a existência de uma investigação e a imposição de medidas cautelares não constituem reconhecimento de culpa, devendo ser respeitada a presunção de inocência.”
Operação Ifrit
Em Campo Grande, as equipes levaram um Mustang de um condomínio de luxo, na região do Parque dos Novos Estados. O veículo seria de Douglas Tobias, policial civil alvo da Operação Infiltrados, que investiga um esquema que desviava drogas apreendidas pela Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico).
Os policiais federais também foram até a residência de Hoffman D’Ávila para cumprir mandados. Ou seja, essa é a segunda vez em que o delegado e o policial civil são alvos de operação em menos de dois meses.
A organização criminosa investigada pela PF também teve apreendidos uma caminhonete L200 Triton, armas, munições, dinheiro, dólar e até um relógio Rolex dourado, guardado em uma caixa.
A Operação Ifrit cumpriu 76 mandados judiciais, sendo 25 deles de prisão preventiva e um de prisão temporária, e foi realizada em Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Rondônia. Três policiais civis foram afastados das funções.
Saiba quem são os 29 alvos da operação:
- Adel Hassan Haidar
- Adule Vasques Haidar
- Andrey Elesbão Silva
- Bassam Hassan Haidar Ahmed
- Brendo Benega Pereira
- Bruno Banega
- Bruno Leonardo Bergamasco
- Daniel Ecleverson da Silva Barbosa
- Daniel Jonatas Ferreira
- Douglas Tobias
- Eduardo Greco
- Fahd Haidar
- Hector Salinas Esquivel
- Hoffman D’ávila Candido e Sousa
- Ireneo Ramom Acosta
- João Fernando Andrade de Carvalho
- Jorge Adalid Granier Ruiz
- José Miguel Vela Caprioli Junior
- Mamede Alhaj Haidar
- Maroan Fernandes Haidar Ahmed
- Nasser Haidar
- Pedro Henrique Flores Camargo
- Rafael Rodas Neto
- Renan Braiana Garcia Presotto
- Salazar José Batista
- Valdeson Pereira dos Santos
- Valter Ulisses Martins Silva
- Victor Hugo Santos Queiroz
- Vitor da Silva
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