Envolvidos na administração do Asilo de Bela Vista, município a 325 km de Campo Grande, foram alvos de Operação Melhor Idade, da Polícia Civil, na manhã desta terça-feira (7). A investigação foi deflagrada após série de reportagens do Midiamax denunciar a situação debilitada em que viviam os idosos.
Vistorias realizadas ao longo de dez anos, por diferentes entidades, mostraram a situação de vulnerabilidade dos acolhidos, que residiam no casarão em meio ao mofo, comida vencida, paredes rachadas, sem acessibilidade, entre outros problemas.
Vídeos obtidos pelo Midiamax mostraram idosos com feridas pelo corpo e até um buraco em carne viva. Áudio revelou funcionário rindo e mandando servir manga aos idosos como jantar.
A operação mira suspeitos de desviar recursos públicos destinados à instituição, que foi administrada pela IUP (Associação de Proteção aos Idosos de Bela Vista) por décadas. Contudo, decisão da Justiça transferiu a administração da associação para a Prefeitura de Bela Vista. Os mais de 20 acolhidos foram transferidos para outro endereço.

Cerca de cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços vinculados aos investigados. Durante as buscas, a polícia encontrou duas armas de fogo e descobriu que um aparelho de fisioterapia, destinado ao asilo, estava sendo utilizado em uma clínica particular.
A operação, intitulada “Melhor Idade”, conta com autoridades policiais de Jardim e Guia Lopes da Laguna. A operação também investiga a prática dos crimes de peculato, desvio de dinheiro público, apropriação indébita, maus-tratos contra idosos e exposição da saúde e da vida de idosos a perigo.
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Segundo informações, entre os anos de 2024 e 2025, o asilo, que é administrado pela IUP, recebeu “expressivos recursos públicos”. O dinheiro seria de origem da Câmara Municipal de Bela Vista, assim como de emendas parlamentares estaduais e federais, destinadas ao atendimento de idosos acolhidos.
A operação segue em andamento.
Asilos em Bela Vista
Denúncias revelaram que idosos viviam sob más condições em uma instituição administrada pela Associação Evangélica de Proteção aos Desamparados de Bela Vista.
Conforme apurado, mais de 20 idosos viviam em situação precária no asilo. O imóvel em questão tinha mofo, tração e rachadura, além de apresentar falta de acessibilidade.
No último dia 16 de junho, os idosos foram transferidos para outro local, com outra equipe, segundo a secretária de Assistência Social de Bela Vista, Pâmela Pires.
Em denúncia, o Jornal Midiamax recebeu vídeos que revelavam a precariedade em que os idosos se encontravam. Nas imagens, era possível ver feridas nos corpos dos idosos, assim como a espessura fina das pernas e dos braços.
As denúncias contra esse asilo aconteceram há dez anos, em 2016. No mesmo ano, um procedimento administrativo foi aberto e resultou em uma ação judicial que se arrasta há anos.
Em 2020, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) entrou com uma ação civil pública. Vistorias realizadas desde 2016, pelo MPMS, pela Prefeitura de Bela Vista, pela Vigilância Sanitária e por outros órgãos, identificaram deficiências estruturais e de gestão. Na última visita, em março deste ano, a Promotoria apontou a necessidade de manutenções corretivas, como nas instalações elétricas e hidráulicas.
Sobre a alimentação, foram encontradas comidas vencidas e batatas impróprias para o consumo, exalando forte odor. O relatório da 1ª Promotoria de Justiça de Bela Vista alertou sobre o déficit de profissionais qualificados para atender os 20 idosos.
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(Revisão: Nichole Munaro)







