Uma simples ligação telefônica fez um idoso de 83 anos perder mais de R$ 390 mil em Campo Grande, após cair em um golpe. Mas ele não está só. Isso porque, somente no primeiro semestre deste ano, mais de 4.800 boletins de ocorrência envolvendo fraude eletrônica já foram registrados, o que representa um aumento de 29,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Para termos uma ideia, os registros na Capital passaram de 3.724, de 1º de janeiro a 12 de junho do ano passado, para 4.809 no mesmo período deste ano, o que representa um aumento de 29,1% no comparativo.
Seja na ligação do falso gerente, do filho que trocou de número ou até mesmo daquele processo judicial que está com causa ganha na Justiça, mas precisa realizar o pagamento de taxas. As formas como os criminosos agem são inúmeras; no entanto, para cada público, existe um golpe a ser aplicado de maneira diferente.
Idoso perde economia
Era dezembro de 2025 quando criminosos conseguiram tirar cerca de R$ 393.900 via Pix do idoso morador de Campo Grande. A ação foi rápida e fez a vítima acreditar que estava conversando com o gerente da sua própria agência, o qual, na ocasião, teria conversado presencialmente no banco.
Dessa forma, ele recebeu a ligação, mas, para sua tristeza, eram bandidos do outro lado da linha. As informações de dados corretos passaram a credibilidade necessária para ele confiar que estava falando de fato com o seu gerente.
Durante a ligação, os criminosos tentaram fazer um empréstimo bancário; no entanto, o valor solicitado ficou em análise, e os criminosos não conseguiram ter acesso.

Vítimas idosas
Para tentar arrancar as economias dos idosos, os criminosos utilizam diversas “lábias”. No entanto, segundo o titular da 5ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande, o delegado Leandro Azevedo, o mais comum nesse grupo é o empréstimo consignado fraudulento.
“Começa a ser uma coisa mais sutil que é específica da categoria, o tal dos empréstimos consignados descontados que vêm na fonte. Algumas fraudes [são] mais especiais, às vezes, [feitas] por supostos representantes de algumas empresas que fazem esses empréstimos, e às vezes esse empréstimo é feito, e a conta já é rapelada”, explicou o delegado.

O golpe do empréstimo consignado consiste basicamente em exigir valores ou taxas antecipadas para a liberação de um determinado empréstimo; dessa forma, faz a vítima acreditar que realmente está em contato com um banco ou financeira. No entanto, o mesmo golpe pode ser aplicado de diversas formas.
“Em algumas fraudes mais especiais, as histórias mudam, são muito dinâmicas”, pontuou.
Mas como se blindar?
Para o delegado Leandro Azevedo, as pessoas precisam sair do grupo de vítimas e se tornarem cidadãos protegidos, a partir do momento em que têm acesso a um aparelho celular e até mesmo à internet.
“Ela precisa ter alguns comportamentos mínimos nesse ambiente, que é como no da falsa central. Não existe um banco que liga; tudo é você que liga. Tudo o que chega do ambiente digital sem ser pedido pelo solicitante ou usuário deve ser verificado”, esclareceu.
“Gatilho da urgência, às vezes, é um desconto que ela está perdendo, uma conta que ficou atrasada. Então tem essas artimanhas para a pessoa perder aquele olho de lupa. Você precisa partir do pressuposto de que tem alguém querendo aplicar o golpe. É um ambiente perigoso; se você tiver esse comportamento, já sai de um monte de artimanhas e esquemas para tentar levar o seu dinheiro”, explicou.
Ainda, como no caso do idoso, a pessoa que está por trás da linha que sabe os seus dados pessoais não se torna confiável. “Todos os criminosos têm esses dados à vontade para trabalhar, então, não há credibilidade em uma pessoa ter meus dados — e acontece muito. Nunca se paga alguma coisa para levar dinheiro depois; essa é a regra principal: não se paga para receber. Se você entender isso, você já sai de bastante golpe”, pontuou.
Como procurar ajuda?
O primeiro passo após ser vítima de um golpe, em casos de Pix, é acionar o banco para tentar a restituição. Atualmente, existe uma ferramenta, conhecida como MED (Mecanismo Especial de Devolução), criada pelo próprio Banco Central, que permite o bloqueio preventivo de valores em diversos casos.
“Primeira coisa é acionar o MED; ele tem o objetivo de tentar bloquear esse dinheiro o mais rápido possível, pegando até cinco contas subsequentes. Pode ser acionado pelo aplicativo do cidadão, na seção de contestação de transferência”, explicou Azevedo.
Mas, em todos os casos, é importante realizar o registro do boletim de ocorrência, uma vez que as autoridades competentes precisam estar cientes para iniciarem as investigações. Na delegacia, você vai precisar reunir o máximo de provas que conseguir.
“Acionou, o segundo passo é fazer o boletim de ocorrência. Pegue as provas, não apague os prints, nada. Registra: quanto mais informações tiver, melhor conseguimos trabalhar para onde vai a investigação”, finalizou.

💬 Receba notícias antes de todo mundo
Seja o primeiro a saber de tudo o que acontece nas cidades de Mato Grosso do Sul. São notícias em tempo real com informações detalhadas dos casos policiais, tempo em MS, trânsito, vagas de emprego e concursos, direitos do consumidor. Além disso, você fica por dentro das últimas novidades sobre política, transparência e escândalos.
📢 Participe da nossa comunidade no WhatsApp e acompanhe a cobertura jornalística mais completa e mais rápida de Mato Grosso do Sul.
(Revisão: Dáfini Lisboa)









