O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, preso na quinta-feira (25) durante a Operação Infiltrados, é apontado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) como o comandante do desvio de drogas que acontecia na Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico). O servidor público atuava como chefe da Especializada no período dos desvios.
As investigações tiveram início em outubro de 2025, durante as operações Traquetos e Blindspot, quando foram encontrados indícios que apontavam a participação de policiais civis no desvio de drogas, especialmente de cocaína.
Conforme o documento, as evidências encontradas indicam que, ao menos entre 2021 e 2026, em Mato Grosso do Sul, um grupo de policiais civis vinha se valendo de suas funções públicas para desviar drogas apreendidas e reinseri-las no mercado ilegal.
Eles desviavam as drogas aprendidas, seja por meio da omissão — nos registros formais da ocorrência — de parte da droga efetivamente arrecadada, fazendo com que esse montante não fosse oficialmente contabilizado como apreendido, seja pela subtração de entorpecentes diretamente do depósito da delegacia, com posterior repasse ao traficante Lucas da Silva dos Santos, o ‘LK’.
Segundo o Gaeco, as provas produzidas demonstram que o então delegado “ocupava posição de comando e chancela institucional do esquema, sendo responsável por viabilizar a atuação da organização criminosa, da qual é um dos principais beneficiários”.
Em um dos áudios gravados pelo traficante ‘LK’, as investigações apontam que Hoffman é mencionado por meio do apelido ‘Careca’. Na data da conversa, o servidor público teria ficado exaltado com o fato de ter perdido um veículo no qual eles, naquele momento, queriam instalar um GPS para acompanhar a carga.
“Ô, mãe, centraliza tudo em mim aqui os áudios e vai me posicionando. É, o CARECA tava meio exaltado aqui, isso aí a gente já contornou já, beleza, pode ficar tranquilo aí, nós estamos por aqui, nós estamos caçando a carreta, vamos confiar que vai dar bom, vai conferindo aí o que o chegado vai falando aí, se você quiser que eu fale com ele também, você sabe que eu falo de boa, então pode ser qualquer coisa, você me passa contato dele, beleza, mas vai fazendo a ponte aí, fechou?”
Conforme o Gaeco, o teor do áudio sugere que o indivíduo identificado como ‘Careca’ ocupava a posição de ascendência hierárquica no grupo, justamente o que acontece com Hoffman, “que é calvo e é Delegado de Polícia, chefiando assim a equipe dos policiais civis”.
Ou seja, para o Grupo de Atuação Especial, o delegado participava diretamente do esquema, inclusive dando ordens aos demais, voltado à apreensão e ao posterior desvio da droga que seria transportada no veículo mencionado no áudio de ‘LK’, confirmando seu papel de destaque na organização criminosa.

A reportagem do Jornal Midiamax acionou a defesa de Hoffman. O espaço segue aberto para posicionamento.
Afastamento
A Corregedoria da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul afastou compulsoriamente, nesta sexta-feira (25), o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa.
Segundo a portaria publicada no Diário Oficial do Estado, o afastamento leva em consideração a decisão judicial proferida nos autos nº 0914919-48.2026.8.12.0001, pela Vara do Juiz de Garantias da Comarca de Campo Grande, que determinou a prisão preventiva de Hoffman. O resultado das investigações decorrentes será objeto de ação disciplinar na Corregedoria.
Com isso, o delegado foi afastado compulsoriamente de suas funções, pelo prazo em que perdurar a prisão, determinando o recolhimento da arma, carteira funcional e demais pertences do patrimônio público do policial, além da suspensão de senhas e logins de acesso aos bancos de dados da instituição policial, aos sistemas Sigo e Infoseg, e da suspensão de férias, caso tais medidas ainda não tenham sido tomadas.
O afastamento tem efeito a contar da data do cumprimento do mandado de prisão, ocorrido no dia 24 de setembro.
A portaria com o afastamento foi assinada pelo delegado de polícia e corregedor-geral da Polícia Civil, Clever José Fante Esteves.
Operação Infiltrados
A Operação Infiltrados, do Gaeco, investiga um esquema de desvio de drogas apreendidas por agentes de segurança, principalmente cocaína. Segundo o MPMS, parte dos entorpecentes seria omitida dos registros ou retirada de depósitos policiais e depois repassada a traficantes para retornar ao mercado ilegal. A investigação começou em outubro de 2025.
A operação cumpriu 24 mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisão temporária e 38 de busca e apreensão nas cidades de Campo Grande, Dourados e Terenos.
As investigações foram iniciadas em outubro de 2025, a partir de provas descobertas nas operações Traquetos e Blindspot, que revelaram, segundo o MPMS, a participação de vários policiais em um esquema de desvio de drogas, especialmente cocaína.

Desvio de drogas
Segundo o MPMS, o modus operandi adotado pela organização criminosa consistia no desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais, seja por meio da omissão — nos registros formais — de parte da droga efetivamente arrecadada, seja pela subtração de entorpecentes diretamente do depósito da delegacia.
A droga desviada seria repassada para traficantes ligados à organização criminosa, os quais seriam responsáveis por reintroduzir a droga no mercado ilícito.
Segundo a investigação, os policiais suspeitos de integrar a organização criminosa se valiam de suas funções públicas exercidas no combate à criminalidade para atuar como fornecedores para o tráfico.
Confira a lista dos presos:
- Alison Lemes Bezerra (policial militar);
- Ana Carolina da Silva dos Santos (irmã de investigado);
- Augusto Torres Galvão Florindo (ex-policial civil);
- Carlos Alberto Alves Fonseca (investigado);
- Douglas Tobias (policial civil);
- Eberthe Batista de Almeida (investigado);
- Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa (delegado);
- Jéssica da Silva dos Santos (advogada);
- Kayon Lucas Leodoro da Silva (investigado);
- Lavínia Carvalho da Luz (investigada);
- Lucas da Silva dos Santos (investigado);
- Luiz Carlos de Souza (policial civil);
- Marcos André Santos Chaves (policial civil);
- Matheus Gabriel Machado Bezerra (investigado);
- Nelson Ricardo Barros de Oliveira (policial civil);
- Neverson Vieira de Araújo (policial civil);
- Nilton Cesar Sales dos Santos (policial civil);
- Paulo Sérgio Alves Duarte (investigado);
- Rayane Luiz Vieira (investigada);
- Roberto Palmeira da Silva (policial civil);
- Thiago Bezerra Laurentino (policial militar);
- Valdenice da Silva Gois (investigada);
- Vitor Ribeiro Venâncio dos Santos (policial penal);
- Wesley Benite Matos Pereira Duarte (investigado).
💬 Receba notícias antes de todo mundo
Seja o primeiro a saber de tudo o que acontece nas cidades de Mato Grosso do Sul. São notícias em tempo real com informações detalhadas dos casos policiais, tempo em MS, trânsito, vagas de emprego e concursos, direitos do consumidor. Além disso, você fica por dentro das últimas novidades sobre política, transparência e escândalos.
📢 Participe da nossa comunidade no WhatsApp e acompanhe a cobertura jornalística mais completa e mais rápida de Mato Grosso do Sul.
(Revisão: Nichole Munaro)






