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Polícia

Chefão do PCC que ‘escapou pela porta da frente’ e traficante estão entre alvos da PF

Operação mirou grupo que transportava drogas em caminhões de minério
Rodrigo Santos, Lívia Bezerra -
Sequestro de Boeing e execução cinematográfica na fronteira de MS: quem é Gerson Palermo
Gerson Palermo foi preso no dia 26 de maio, na Bolívia. (Foto: Reprodução)

O narcotraficante Gerson Palermo, apontado como chefão do PCC (Primeiro Comando da Capital), é um dos alvos da Operação Capolinea, deflagrada pela Ficco-MS (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Mato Grosso do Sul) nesta quinta-feira (15) em MS, SP e MG.

A operação mira um grupo criminoso que transportava drogas em caminhões de minério e teria movimentado mais de R$ 24 milhões. Um vigilante da PF em Corumbá, a 444 quilômetros de Campo Grande, foi preso após informar ao grupo sobre a rotina interna da unidade, a presença de equipes policiais e a situação dos presos.

O vigilante é enteado de um dos líderes da organização criminosa e enviava fotos de apreensões e documentos feitos dentro da delegacia da PF. Ele também guardava drogas em casa e fazia o transporte entre a Bolívia e o Brasil, inclusive da carga apreendida em .

Conforme apurado pelo Jornal Midiamax, Gerson Palermo e Aguinaldo Chaleira estão entre os alvos da operação desta quinta-feira (15), além do vigilante. Palermo foi preso em maio, na Bolívia, após ficar seis anos foragido.

Operação Capolinea

Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Federal de . A Justiça também autorizou a inclusão de três investigados que vivem no exterior na Difusão Vermelha da Interpol. 

Conforme apurado pelo Jornal Midiamax, um investigado foi preso em flagrante com um revólver de calibre .32 em Campo Grande. Os policiais cumpriram dois mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e quatro de busca e apreensão na Vila Jacy e no bairro Vida Nova. Na zona rural de , um investigado foi preso preventivamente e um mandado de busca e apreensão foi cumprido.

Em Corumbá, onde está situado o comando desse grupo criminoso, quatro investigados foram presos preventivamente, quatro foram presos temporariamente e nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos. Alvos também foram localizados no município de Ladário, onde foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária.

Ainda em Mato Grosso do Sul, a equipe da Ficco-MS prendeu outro investigado preventivamente e cumpriu mais um mandado de busca e apreensão. Um mandado de busca e apreensão também foi cumprido em Jataí (GO), assim como em Lagoa da Prata (MG), Piumhi (MG) e São Paulo (SP).

Diante do mandado contra Gerson Palermo, o Jornal Midiamax acionou a defesa dele, que informou que ainda não teve acesso ao caso. O espaço segue aberto para manifestações futuras.

Equipes em São Paulo. (Reprodução, PF)
Equipes em Corumbá. (Reprodução, PF)
(Reprodução, PF)
(Reprodução, PF)
(Reprodução, PF)
(Reprodução, PF)
(Reprodução, PF)
(Reprodução, PF)
(Reprodução, PF)
(Reprodução, PF)
(Reprodução, PF)

Transporte da droga

O grupo trazia a droga da Bolívia pela fronteira de Corumbá com Puerto Quijarro e a distribuía para Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais. A droga era transportada em caminhões que levavam cargas de minério de ferro, aproveitando o grande movimento desse tipo de frete na região.

Para o transporte, o grupo aliciava funcionários de mineradoras, como supervisores e operadores de balança, e os pagava via Pix, para que os caminhões fossem carregados sem fiscalização. 

Também foram identificados esconderijos em pneus e tanques de combustível de caminhões e em cargas de grãos.

Investigações

As investigações começaram após a análise de um celular apreendido com um integrante do grupo, que levou à identificação do líder da organização criminosa, escondido na Bolívia há cerca de seis anos.

As investigações identificaram que o grupo transportava drogas em caminhões de minério de ferro e utilizava diferentes métodos para ocultar os entorpecentes, além de aliciar funcionários de mineradoras para facilitar o transporte.

Uma dessas remessas foi apreendida em Três Lagoas em agosto de 2025: eram 35 kg de cocaína e 12,5 kg de maconha escondidos dentro de um pneu. Segundo a investigação, o grupo negociou cerca de 24 toneladas de drogas no período analisado.

Quem é Gerson Palermo, alvo da operação

Bastante conhecido, Palermo é apontado como integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital) ligado ao narcotráfico internacional, com atuação no tráfico transnacional de cocaína, na lavagem de dinheiro e na articulação logística entre Brasil e Bolívia.

Palermo é apontado como um dos chefões do PCC e tem registros policiais desde o início dos anos 90. A maior pena do traficante é por um caso histórico: o sequestro de um Boeing 727 da Vasp, em 2000. Na ocasião, Palermo liderou uma quadrilha que tomou o controle do avião após a decolagem em Foz do Iguaçu, fronteira com o Paraguai.

Então, Palermo, que também é piloto de avião, deu as coordenadas e obrigou o piloto a pousar na cidade de Porecatu, no interior do Paraná, onde o grupo roubou nove malotes do Banco do Brasil, com cerca de R$ 5,5 milhões.

Gerson, que já havia sido preso em 1991 por tráfico de drogas, foi preso novamente em 29 de agosto de 2000 pelo sequestro do avião. Por esse crime, ele foi condenado a 66 anos e 9 meses de prisão. Nessa época, ele já era considerado pela PF como um dos maiores traficantes do país.

Palermo se beneficiou com prisão domiciliar em 2020, na época da pandemia de covid-19. Ele integrava supostamente o grupo de risco e, com isso, passou a usar tornozeleira eletrônica.

No dia 22 de abril daquele ano, Palermo estava na casa da esposa e arrancou a tornozeleira eletrônica, fugindo por volta das 20h40. Na época, já havia a suspeita de que o chefão do PCC teria ido para a Bolívia, uma vez que teria uma residência em Corumbá.

Ele foi preso pela PF (Polícia Federal), no dia 26 de maio deste ano, na Bolívia, fronteira com Mato Grosso do Sul.

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(Revisão: Nichole Munaro)

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