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Polícia

Clã Haidar ajudou traficante preso em MS a obter documento falso com nome de morto

Jorge Ruiz foi preso em março de 2023, em Jaraguari, e confessou, na época, ser membro de uma facção criminosa
Adriel Mattos, Thatiana Melo -
Clã Haidar ajudou traficante preso em MS a obter documento falso com nome de morto
Jorge foi preso com documento falso em 2023. (Foto: Arquivo, Jornal Midiamax, Kísie Ainoã)

O boliviano Jorge Adalid Granier Ruiz — conhecido como “Pariente”, “Fantasma” ou “Nono” — obteve um passaporte falso por meio de Maroan Fernandes Haidar Ahmed, membro da família apontada como organização criminosa especializada no tráfico de drogas, alvo da Operação Ifrit, da PF (Polícia Federal). Ruiz foi preso em 2023.

Na decisão que autorizou a ação, na quarta-feira (4), o boliviano é apontado como um narcotraficante com atuação na Argentina, no Brasil, no Paraguai e na Bolívia. Ele não tinha relação familiar com os Haidar, mas mantinha uma parceria no crime com o clã.

A PF obteve autorização judicial para monitorar as comunicações de Ruiz. Já se sabia do documento falso, mas foi durante as interceptações que os investigadores descobriram a origem do passaporte e de outras identificações.

Foi Maroan quem obteve para Ruiz o RG, CNH, passaporte, diploma, registro de arma e até Arrais, que é a habilitação específica para conduzir barcos. A decisão não detalha como e quanto a emissão desses documentos custou.

Os dois mantinham intensa negociação em dólar. Maroan chegou a ter dívida de US$ 892,2 mil com Ruiz. Extratos obtidos pela PF mostram que Maroan pagou US$ 120 mil para um intermediário de Ruiz numa casa de câmbio.

Depois da prisão de Maroan, Ruiz continua os negócios com o Clã Haidar, desta vez com o pai de Maroan, Bassam. Isso teria durado até a prisão do próprio Ruiz.

Prisão de traficante boliviano em Jaraguari

No dia 28 de março de 2023, a PRF (Polícia Rodoviária Federal) prendeu Jorge Adalid Granier Ruiz, Valdeson Pereira dos Santos — outro alvo da Ifrit e apontado como segurança pessoal de Bassam — e uma mulher. O grupo estava em uma caminhonete Toyota Hilux.

O boliviano foi preso com documento falso, que disse ter comprado no Pará. Ele confessou que pagou R$ 5 mil em um RG falso e também comprou na Bolívia um documento falso por 200 dólares e um passaporte boliviano, por 500 dólares.

Ainda segundo a PRF, foi difícil identificar Jorge. Isso porque, nas fotos encontradas no sistema policial, ele tinha outra aparência. O suspeito confessou que chegou ao Brasil no fim de dezembro de 2022.

Antes, ele estaria vivendo na Bolívia. Já no Brasil, ele teria feito cirurgia bariátrica e também cirurgias plásticas, tendo a aparência modificada.

Mesmo assim, foi confirmado que se trata de um dos traficantes mais procurados na Argentina. Jorge ainda confessou ser integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital).

Operação Ifrit

Em 4 de novembro de 2026, a PF deflagrou a Operação Ifrit, contra uma organização criminosa transnacional liderada por um núcleo familiar e associada a facções criminosas, com participação de agentes públicos das forças de segurança, incluindo policiais civis e militares de Mato Grosso do Sul e um policial rodoviário federal.

Foram cumpridos 76 mandados de busca e apreensão, 25 mandados de prisão preventiva e um mandado de prisão temporária, além de três medidas de monitoração eletrônica e do afastamento de três policiais civis de suas funções públicas em Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, , Mato Grosso, Goiás e Rondônia.

O grupo é investigado por tráfico transnacional de drogas, tráfico internacional de armas e lavagem de dinheiro, além de crimes violentos, como sequestros, torturas, atentados e homicídios. Segundo a PF, a organização utilizava armamento, estruturas de apoio e veículos blindados para exercer controle territorial e intimidar rivais.

A organização atuava principalmente na região de fronteira entre e Pedro Juan Caballero, no Paraguai, com ramificações em outros estados brasileiros. As investigações apontam que drogas e armas eram obtidas na Bolívia, no Peru e no Paraguai, abastecendo redes de distribuição no Brasil e rotas de tráfico de entorpecentes destinadas à Europa, especialmente Espanha e Portugal. 

Entre os 29 alvos da operação, estão o policial civil Andrey Elesbão Silva; Douglas Tobias; o delegado Hoffman D’Ávila Candido e Sousa; e o clã Haidar: Adel Hassan Haidar e Nasser Haidar, que estão foragidos, e Bassan Hassan Haidar, que está preso.

Conheça os 29 alvos da operação:

  • Adel Hassan Haidar
  • Adule Vasques Haidar
  • Andrey Elesbão Silva
  • Bassam Hassan Haidar Ahmed
  • Brendo Benega Pereira
  • Bruno Banega
  • Bruno Leonardo Bergamasco
  • Daniel Ecleverson da Silva Barbosa
  • Daniel Jonatas Ferreira
  • Douglas Tobias
  • Eduardo Greco
  • Fahd Haidar
  • Hector Salinas Esquivel
  • Hoffman D’Ávila Candido e Sousa
  • Ireneo Ramom Acosta
  • João Fernando Andrade de Carvalho
  • Jorge Adalid Granier Ruiz
  • José Miguel Vela Caprioli Junior
  • Mamede Alhaj Haidar
  • Maroan Fernandes Haidar Ahmed
  • Nasser Haidar
  • Pedro Henrique Flores Camargo
  • Rafael Rodas Neto
  • Renan Braian Garcia Presotto
  • Salazar José Batista
  • Valdeson Pereira dos Santos
  • Valter Ulisses Martins Silva
  • Victor Hugo Santos Queiroz
  • Vitor da Silva

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

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