O grupo de adolescentes, alvo de uma operação da Polícia Civil após a morte de uma menina em Naviraí, em junho deste ano, recrutava vítimas em situação de vulnerabilidade, especificamente, segundo revelou investigação da Depca (Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente), em coletiva nesta quinta-feira (6).
Conforme a delegada Anne Karine, o grupo é formado basicamente por adolescentes, que recrutam especificamente meninas, muitas vezes em situação de vulnerabilidade, para se tornarem espécie de escravas.
“Entre as tarefas dadas, elas tinham de se automutilar e deixar os nomes dos ‘donos’ no próprio corpo”, disse a delegada em coletiva de imprensa. Ainda segundo a delegada, “são adolescentes de todas as classes sociais. Aparentemente, meninos comuns, tranquilos, mas que eram terrivelmente frios. As famílias não tinham noção do que ocorria”, falou.
Segundo Anne Karine, quanto mais violento o grupo era, mais fazia “fama” nas redes sociais. Ela ainda falou que as meninas recrutadas tinham de cumprir os desafios e, quanto mais desafios cumpridos, mais respeitadas dentro do grupo eram. A delegada alertou para o controle dos pais sobre as redes sociais dos filhos.
No total, foram seis mandados de busca e apreensão cumpridos em vários estados, sendo cinco adolescentes apreendidos e um maior, de 18 anos, que foi preso. Um adolescente de Aquidauana fazia parte do grupo. Ainda conforme a delegada, as investigações continuam, e o grupo responderá por organização criminosa, lesão corporal, homicídio por coação e maus-tratos a animais.
No caso dos maus-tratos, o grupo foi enquadrado pelo crime depois de mandar a Lívia, uma das vítimas, matar o próprio gato, mas não conseguiu e, por isso, a próxima tarefa foi tirar a própria vida.

Itens neonazistas
Durante as buscas, a polícia encontrou materiais de apologia ao neonazismo, armas e conteúdos de abuso sexual infantil com os adolescentes, que são suspeitos de induzir uma menina de 13 anos à morte em Naviraí, a 359 quilômetros de Campo Grande.
Os itens extremistas foram encontrados durante o cumprimento de mandados de busca, que miraram seis integrantes do grupo no Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Pará, Ceará e Minas Gerais. Um adolescente de Aquidauana fazia parte do grupo. A jovem foi coagida a tirar a própria vida durante uma transmissão ao vivo no Discord, que durou cerca de 45 minutos.
Conforme as investigações, a ideologia neonazista era usada pelo grupo para radicalizar os jovens no Discord e no Telegram, onde promoviam discursos de ódio, misoginia e desafios de violência extrema contra crianças e animais.
Morte da adolescente
No dia 22 de julho, a adolescente, de 13 anos, foi encontrada morta na varanda da casa onde morava, em Naviraí. Ela foi encontrada pela mãe e pelo padrasto, por volta das 6h.
Na época, foi divulgado que a vítima estaria participando de um grupo na plataforma Discord. Ela teria sido induzida a tirar a vida de quatro gatos; no entanto, não teria conseguido. O servidor teria sido derrubado após denúncias do Carpe Diem — grupo de hackers éticos que ajuda a polícia.
Tempos depois, o mesmo grupo, já em outra chamada, fez com que a adolescente tirasse a própria vida. Inclusive, os integrantes teriam comemorado a morte entre eles.
Prints de supostas mensagens atribuídas ao grupo chegaram a circular nas redes sociais. “Tropinha, isso é oq acontece quando demora tanto pra fazer a p**** de um lulz, o próximo será possivelmente um homicídio…”, descreve uma das mensagens.
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(Revisão: Nichole Munaro)









