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Polícia

‘Escobar brasileiro,’ ex-major da PMMS volta a julgamento por tráfico internacional de drogas

Conhecido como major Carvalho, ex-militar está preso na Bélgica
Renata Portela -
Com destino incerto, ex-major Carvalho ainda aguarda decisão de país para extradição
Sérgio Carvalho foi preso na Hungria em 2022 (Reprodução: R7)

Na segunda-feira (7), a justiça retomou o julgamento do ex-major da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) Sérgio Roberto de Carvalho, o ‘major Carvalho’. O julgamento paralisou em fevereiro, após juízes declararem suspeição.

Carvalho é acusado de tráfico internacional de drogas e seria um dos responsáveis por comandar uma grande rede de tráfico. Além de Sérgio, também vai a julgamento Flor Besser, figura-chave da organização criminosa.

Besser está preso desde fevereiro de 2022, meses antes da prisão de Carvalho na Hungria. Ao todo, são 31 suspeitos no tribunal criminal. O julgamento pode durar vários dias e deve ocorrer durante o dia todo.

‘Escobar brasileiro’

Major Carvalho, conhecido na Europa como “Escobar brasileiro” e apontado como um dos maiores narcotraficantes do mundo, foi considerado um dos criminosos mais procurados do mundo.

Ele foi preso em 21 de junho de 2022 em um hotel de luxo em Budapeste, na Hungria. Em junho deste ano, o “Escobar brasileiro” foi deportado para a Bélgica sob forte aparato policial.

Investigações da Polícia Federal do Brasil apontaram que o narcotraficante liderava uma organização criminosa responsável pelo envio de 45 toneladas de cocaína para a Europa. Os agentes apuraram que a quadrilha comandada pelo brasileiro movimentou R$ 2,25 bilhões.

Fingiu a morte

Acusado de vários crimes no Brasil e na Espanha, o ex-major da PMMS chegou a ser declarado morto pelo advogado. A defesa encaminhou uma notificação à Justiça de Pontevedra (ES) em 2020 sobre a morte de “Paul Wouter”, identificação falsa usada por Carvalho naquele país.

Expulso da PMMS em 2018, mesmo já tendo sido condenado por crimes desde 1997, Carvalho morava na Espanha, onde tinha uma mansão avaliada em 2 milhões de euros. Usando o codinome Paul Wouter, ele chegou a ser preso também em 2018, por tráfico de drogas. Ele seria o responsável pela entrada de 1,7 tonelada de cocaína no país, através de um navio.

Mesmo assim, acabou liberado. A princípio, o advogado teria encaminhado à Quinta Seção do Tribunal Provincial de Pontevedra a notificação da morte.

No entanto, não teria sido apresentada a certidão de óbito e a defesa também alegava que o corpo do ex-major foi cremado.

Inúmeros crimes

Sérgio Roberto chegou a ser preso em 2009, na Operação Las Vegas, mas acabou conseguindo liberdade em abril de 2013, pela Justiça Federal. Na operação em questão, ele era investigado por esquemas de jogos de exploração de cassinos, mesmo crime pelo qual foi alvo da Operação Xeque-Mate. Neste, ele também já tinha sido preso, em 2007.

No entanto, desde 1988 Carvalho já era investigado por outros crimes. Em 28 de agosto daquele ano, ele foi denunciado por contrabando de pneus do Paraguai. Já em 1997, foi preso com 237 quilos de cocaína em uma fazenda. Ficou preso, condenado a 16 anos em regime fechado, mas logo foi solto.

Em maio de 1999 Carvalho cumpria pena por tráfico de drogas no Presídio Militar de e foi flagrado com celular e fax na cela. Também na unidade foram encontrados US$ 180 mil e R$ 27 mil em espécie. Já em 2001, detido em uma cela do Comando-Geral, o ex-major foi denunciado por falsificar atestado de trabalho, na tentativa de diminuição de pena.

Foi em 2004 que ele recebeu denúncia por adulteração de combustível. A ANP (Agência Nacional de Petróleo) teria descoberto o produto adulterado nos tanques dos postos que Carvalho gerenciava. Já em 2019, Carvalho foi condenado a 15 anos por lavagem de dinheiro, crime novamente atribuído a ele na Operação Enterprise.

Maior operação do ano da Polícia Federal

Conforme a PF, a operação que tinha como objetivo combater a lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas prendeu 37 pessoas no Brasil. Também foi presa 1 pessoa no Panamá, 1 na Colômbia e 1 na Espanha.

Ainda foram apreendidos 200 quilos de cocaína, além de 61 veículos, 5 motocicletas, 4 caminhões e 1 jet-ski. Já o patrimônio bloqueado, em imóveis, carros de luxo, joias e aeronaves, está avaliado em aproximadamente R$ 400 milhões. Só entre as aeronaves, foi realizado sequestro de 37, uma delas na Espanha, avaliada em US$ 20 milhões.

Também foram apreendidas 16 armas de fogo, um simulacro e 507 munições. Já o dinheiro encontrado durante a operação totalizou R$ 1.141.002,00, U$ 169.352,00, € 9.000,00 e 1.120 Dirham (moeda dos Emirados Árabes Unidos).

Tráfico e lavagem de dinheiro

Ao todo foram expedidas 215 ordens judiciais, sendo 66 mandados de prisão e 149 de busca e apreensão. A ação teve a maior apreensão de drogas e de dinheiro da lavagem feita pela organização criminosa que começou a ser identificada em setembro de 2017, após apreensão de uma carga de cocaína no Porto de Paranaguá.

Ainda de acordo com a PF, os membros da organização tinham trânsito livre pela Europa com o uso de passaportes falsos. A ação foi realizada em conjunto com a Receita Federal, em âmbito nacional e internacional, sendo a maior operação do ano no combate à lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e na apreensão de cocaína nos portos brasileiros.

A organização criminosa era dividida em sete grupos no Brasil, sendo que havia grupos responsáveis pela logística do envio da cocaína para a Europa e subgrupos em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.

Em eram dois grupos grandes de logística que fazia o envio através dos portos. Já no Rio Grande do Norte outros dois grandes grupos que faziam o envio através de barcos de pesca e de cargas de frutas.

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