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Polícia

Clínica Canela induzia cliente ao erro com Mounjaro falso, aponta fiscalização

Mais de 1,2 mil medicamentos vencidos foram apreendidos
Lívia Bezerra, Thatiana Melo -
Remédios vencidos são flagrados em clínica de emagrecimento famosa da Capital
Perícia no local fazendo os levantamentos. (Foto: Pietra Dorneles, Jornal Midiamax)

A fiscalização feita na Clínica Canela, localizada no Centro de , constatou publicidade enganosa no estabelecimento na manhã de quinta-feira (14). Foram apreendidos 1.294 medicamentos vencidos e impróprios, incluindo soro fisiológico, e a enfermeira e responsável técnica pela clínica foi presa em flagrante.

A reportagem do Jornal Midiamax apurou que o Procon-MS (Secretaria Executiva de Orientação e Defesa do Consumidor) constatou que a clínica fazia publicidade enganosa. Isso porque o estabelecimento divulga o uso da marca Mounjaro nas redes sociais, mas as equipes encontraram apenas fracos denominados tirzepatida — o que induz o consumidor ao erro.

Vale ressaltar que a tirzepatida é o princípio ativo do emagrecedor, enquanto o Mounjaro é a marca comercial.

Enfermeira apresentou resistência para abrir sala

Durante a fiscalização, as equipes foram a vários consultórios e se deslocaram para os fundos da clínica, momento em que se depararam com uma porta trancada.

Na ocasião, a enfermeira afirmou que havia pertences pessoais do médico na sala. Ela passou a apresentar resistência para abrir o cômodo, alegando que apenas o médico Jonathas Canela, proprietário da clínica, teria a chave.

Diante da resistência, a equipe da Vigilância Sanitária informou que precisaria chamar um chaveiro para abrir a porta. Então, um funcionário foi até a casa do doutor Canela pegar as chaves do cômodo.

Em seguida, os fiscais entraram na sala e encontraram 1.294 produtos — sendo a maioria injetáveis — vencidos. Os medicamentos eram intramusculares, endovenosos, implantes hormonais, psicotrópicos, soro fisiológico e materiais médicos hospitalares.

A Decon (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo) constatou que os medicamentos vencidos eram impróprios para o consumo. O alvará de localização e funcionamento da Clínica Canela estava vencido desde 15 de fevereiro.

Medicamentos apreendidos. (Foto: Madu Livramento, Jornal Midiamax)

Equipe não apresentou prescrições da tirzepatida

Ainda de acordo com informações, a equipe de fiscalização solicitou várias vezes que o responsável apresentasse as prescrições de tirzepatida, o que não ocorreu. Também foram pedidas notas fiscais da venda dos medicamentos, que não foram apresentadas.

Além disso, foi constatada a venda casada, pois a empresa fazia a prescrição médica e a própria clínica pedia a manipulação do emagrecedor junto à farmácia. Ao Procon-MS, foi afirmado que a clínica não possui inscrição estadual.

A clínica, por sua vez, se manifestou através de uma nota oficial. O estabelecimento nega a fabricação, manipulação, rotulação e venda de medicamentos de forma irregular. Também nega a venda casada.

Confira a nota na íntegra:

“A Clínica Canela informa que está colaborando integralmente com os órgãos competentes em procedimento de fiscalização ainda em andamento.

A instituição reforça que não fabrica, não manipula, não rotula e não comercializa medicamentos de forma irregular. Sua atuação é exclusivamente médica, com avaliação, acompanhamento e prescrição individualizada, quando indicada.

Não há venda casada. O paciente tem total liberdade para adquirir qualquer tratamento prescrito onde desejar, em estabelecimento regular de sua confiança.

Eventuais apontamentos administrativos ou operacionais estão sendo apurados internamente, com adoção imediata das medidas cabíveis e revisão dos protocolos internos.

A Clínica respeita o trabalho das autoridades, confia na apuração técnica dos fatos e reafirma seu compromisso com a ética, a segurança dos pacientes, a transparência e o cumprimento da legislação.”

O médico Jonathas Canela se pronunciou nas redes sociais e disse que estava a caminho de para um atendimento quando aconteceu a fiscalização. Ele negou irregularidades na clínica. Poucos minutos depois, o vídeo foi apagado.

O que diz o CRM-MS?

O Jornal Midiamax acionou o CRM-MS (Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul), que informou aguardar relatórios oficiais e autos de infração para análise técnica e administrativa. Confira a nota na íntegra:

“O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM-MS), no estrito cumprimento de suas atribuições legais e em observância ao seu papel fiscalizatório, informa que acompanhou a operação realizada nesta data em uma clínica de emagrecimento na capital, em conjunto com os órgãos competentes.

A ação teve como objetivo assegurar o cumprimento das boas práticas médicas e garantir a segurança e a saúde da população. Diante dos fatos apurados, o Conselho esclarece que:

Fiscalização e Relatórios: Uma equipe técnica do CRM-MS foi enviada ao local para acompanhar a diligência. O Conselho aguarda agora o recebimento dos relatórios oficiais e autos de infração dos demais órgãos envolvidos para análise técnica e administrativa.

Sigilo Ético: Em conformidade com o Código de Processo Ético-Profissional e visando preservar a ampla defesa e o contraditório, o CRM-MS informa que procedimentos éticos e investigações internas tramitam sob sigilo.

Medidas Cabíveis: Até que o caso seja devidamente finalizado e as responsabilidades apuradas, não serão fornecidos detalhes adicionais sobre o conteúdo das investigações. Caso sejam comprovadas irregularidades ético-profissionais, serão aplicadas as sanções previstas na Lei nº 3.268/57.

O CRM-MS reitera seu compromisso com a ética médica e com a proteção da sociedade, zelando pelo exercício digno da medicina em nosso estado.”

Equipes da Vigilância Sanitária com as anotações. (Foto: Madu Livramento, Midiamax)

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(Revisão: Nichole Munaro)

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