A guerra entre as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) tem se intensificado em Mato Grosso do Sul e aumentado a violência no Estado. Os crimes relacionados a essa disputa de território ultrapassam as medidas de segurança do Estado e preocupam autoridades de países da fronteira.
No mês passado, a Bolívia lançou o plano Fronteiras Seguras, com o objetivo de combater a expansão de organizações criminosas estrangeiras. Conforme reportagem do jornal Estadão publicada nesta segunda-feira (14), o ministro de Governo da Bolívia, Marco Antônio Oviedo, relacionou o aumento da criminalidade à disputa entre PCC e CV. O plano Fronteiras Seguras prevê o reforço da atuação de forças policiais dos dois países nas áreas de fronteira.
Os episódios recentes mostram que a disputa entre PCC e CV deixou de ser apenas uma briga pelo controle do tráfico e passou a produzir efeitos cada vez mais visíveis nas cidades de Mato Grosso do Sul, com execuções, ameaças e ataques que atingem inclusive pessoas que não teriam relação direta com as organizações criminosas.
Ainda de acordo com o Estadão, o promotor de Justiça Felipe Marques, do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), afirmou que a atual fase da guerra entre as facções começou no ano passado, mas se tornou mais violenta neste ano. Segundo ele, mais de 100 pessoas teriam sido mortas desde janeiro em razão da disputa.
O conflito está relacionado ao controle do território, além do controle das rotas de transporte de drogas que entram no Brasil pelas fronteiras com o Paraguai e a Bolívia. Mato Grosso do Sul ocupa posição estratégica por possuir extensa fronteira seca e estar próximo de importantes corredores de distribuição.
Em entrevista ao Estadão, Marques afirmou que o PCC historicamente manteve hegemonia em Mato Grosso do Sul, enquanto o CV possui forte presença em Mato Grosso. A avaliação é de que integrantes da facção carioca passaram a tentar ampliar seu domínio para o território sul-mato-grossense, principalmente em cidades da região norte.
Informações obtidas pelo Jornal Midiamax apontam que, de fato, a expansão do Comando Vermelho em Mato Grosso do Sul tem sido orquestrada por lideranças da facção presas em Mato Grosso.
‘Lista da morte’ e execuções
Um dos exemplos citados pelo Estadão é a chamada Death List (Lista da Morte). Conforme a reportagem, uma operação do Ministério Público resultou na prisão, em Juscimeira (MT), de um suspeito de divulgar uma relação com 24 pessoas que estariam marcadas para morrer pelo CV.
O Jornal Midiamax já havia noticiado a existência da suposta lista, que reunia nomes de integrantes do PCC jurados de morte pelo CV. Entre os nomes, estava o de Gustavo Loschiavo Araújo, de 29 anos, executado a tiros em Cassilândia no fim de julho. Depois do homicídio, uma publicação nas redes sociais teria apresentado a vítima como “eliminada”.
A violência na região chegou a Cassilândia. O Midiamax noticiou uma execução em que Márcio Aparecido da Silva Filho, conhecido como “Márcio Pelé”, foi morto durante uma emboscada. A filha dele, de apenas 3 anos e 8 meses, também foi atingida e morreu. A investigação apontou possível relação do ataque com a guerra entre as facções.
Outro caso recente revelado pelo Midiamax envolve Nadson Santos Sampaio, conhecido como “Soldado”, preso em São Paulo durante uma força-tarefa que reuniu policiais de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e São Paulo. Segundo a investigação, ele seria um executor itinerante do CV e teria cometido três crimes em menos de 48 horas em Mato Grosso do Sul, com a missão de eliminar integrantes do PCC e conquistar pontos de venda de drogas da facção rival.
Escalada de violência
O Midiamax também acompanha há alguns anos os reflexos da disputa entre PCC e CV no Estado. Em 2024, Sonora, na região norte de Mato Grosso do Sul, registrou uma sequência de homicídios atribuídos à guerra entre as duas organizações.
Ainda naquele ano, o site publicou que a troca de facção de um criminoso conhecido como “Da Leste” teria sido o estopim para o conflito na cidade. Na época, seis mortes já eram relacionadas à disputa pelo tráfico.
Também em 2024, o Midiamax noticiou um novo ataque a tiros em frente a uma boate, que deixou uma jovem de 18 anos morta e um adolescente ferido. A suspeita era de que o atirador, ligado ao CV, tentava atingir um integrante do PCC.
Fronteira com a Bolívia
A disputa também chegou à região de fronteira. Em junho deste ano, um policial militar morreu após ser atingido por um tiro de fuzil durante uma tentativa de abordagem em Corumbá. Horas antes, os criminosos envolvidos na ocorrência teriam tentado matar um integrante do CV conhecido como “Coelho”, em Ladário. Os suspeitos foram apontados como integrantes do PCC.
Em outro episódio recente, o Midiamax mostrou que um jovem apontado como integrante do PCC foi baleado dentro da própria casa, em Dourados. Conforme a apuração, os suspeitos seriam integrantes do CV e teriam ido ao imóvel à procura da vítima.
Drogas e rotas de transporte
Segundo o Estadão, o Paraguai funciona como entreposto da cocaína produzida principalmente na Bolívia e no Peru. A droga pode chegar ao Brasil por veículos e aeronaves ou seguir pelo território paraguaio antes de entrar em Mato Grosso do Sul.
A reportagem também cita a utilização do transporte ferroviário. De acordo com o secretário de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, Antônio Carlos Videira, o CV busca ocupar áreas controladas pelo PCC para assumir o domínio das rodovias e das rotas de distribuição.
Na avaliação das autoridades ouvidas pelo Estadão, a disputa não se limita aos municípios de Mato Grosso do Sul. O conflito também atravessa a fronteira e já provocou confrontos em cidades bolivianas próximas ao Brasil.
O governo boliviano afirma ter ampliado operações contra organizações criminosas e diz ter prendido e expulsado brasileiros suspeitos de ligação com as facções. Segundo as autoridades do país, 17 supostos integrantes do PCC e do CV capturados na Bolívia foram entregues ao Brasil neste ano.
No Brasil, o Ministério da Justiça afirma que mantém estruturas de cooperação internacional na Bolívia e que a Polícia Federal define suas próprias estratégias de combate ao tráfico. Já Mato Grosso do Sul e Mato Grosso dizem ter reforçado as ações de segurança na região de fronteira.
✅ Siga o Jornal Midiamax nas redes sociais
Você também pode acompanhar as últimas notícias e atualizações do Jornal Midiamax direto das redes sociais. Siga nossos perfis nas redes que você mais usa. 👇
É fácil! 😉 Clique no nome de qualquer uma das plataformas abaixo para nos encontrar:
Instagram, Facebook, TikTok, YouTube, WhatsApp, Bluesky e Threads.
💬 Fique atualizado com o melhor do jornalismo local e participe das nossas coberturas!
(Revisão: Nichole Munaro)









