A dor do luto ainda está presente na vida dos familiares da estudante de enfermagem Letícia da Silva Camargo, que morreu atropelada aos 25 anos enquanto estava a caminho do estágio pela Avenida Mato Grosso do Sul em Coxim, a 239 quilômetros de Campo Grande. Faltando poucos meses para completar um ano da fatalidade, a mãe da vítima continua lutando por justiça.
Foi na manhã do dia 12 de novembro do ano passado que Letícia teve a vida interrompida após ser atropelada por um ônibus escolar. O veículo, na ocasião, estava sendo conduzido por um servidor público que estava com a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) vencida e transportava várias crianças.

A prisão do motorista ocorreu na época do acidente e ele acabou sendo denunciado pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). Entretanto, neste momento, ele está solto, uma vez que conseguiu a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares em junho, após ser arbitrada a fiança no valor de R$ 10 mil.
Ainda, na ocasião da revogação da prisão, foi determinado que ele passasse a ser monitorado por tornozeleira eletrônica pelo período de 120 dias. Inclusive, com o comparecimento a todos os atos processuais e a proibição de sair da comarca sem autorização.
Do outro lado, faltando poucos meses para completar um ano do falecimento da filha, Neliane da Silva Camargo continua pedindo por justiça. “É única coisa que eu quero é fazer com que o responsável pague”, afirmou.
Está prevista para acontecer no dia 2 de março de 2027 mais uma audiência de instrução e julgamento do caso. “Se ele não for julgado e condenado, imagina voltar para as ruas. É uma indignação muito grande”, desabafou a mãe.
Relembre o caso
A vítima seguia a pé para o estágio quando foi atingida pelo servidor público, que conduzia um ônibus escolar com a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) vencida e levava várias crianças. Devido à gravidade dos ferimentos, ela não resistiu e chegou ao hospital sem vida.
O acidente ocorreu por volta das 6h40 de 12 de novembro. Inicialmente, o motorista informou aos policiais militares que estava mexendo no celular no momento do acidente; contudo, alterou a versão.
Além disso, recusou-se a realizar o teste do bafômetro e a submeter-se a exame médico; ainda, ele saiu do local sem a autorização da PM que o acompanhava.
Confira o momento do atropelamento:
O que diz a defesa do motorista?
Em junho, a defesa do motorista, representada pelo advogado Alex Viana, emitiu uma nota ao Jornal Midiamax com esclarecimentos dos fatos.
“Sobre a suposta embriaguez, a documentação oficial do SAMU e o depoimento dos policiais comprovam categoricamente a ausência de embriaguez no acusado.
Quanto ao uso de celular, não existe prova nos autos de uso de celular no momento do acidente, nenhuma testemunha presenciou tal conduta, e o acusado nega veementemente.
No tocante à conduta pós-acidente, o acusado não fugiu do local, sofreu taquicardia e foi atendido pelo SAMU, que constatou ausência de embriaguez. Saiu do hospital para recuperação domiciliar e compareceu espontaneamente à delegacia.
Por fim, quanto à habilitação, embora a carteira de habilitação estivesse vencida, este fato não altera a realidade de que o acusado é habilitado e possui conhecimento técnico para dirigir. A questão administrativa não se confunde com a capacidade de condução”, diz trecho da nota.
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