A Força Nacional realiza patrulhamento nas comunidades Guarani Kaiowá, em Mato Grosso do Sul, após as recentes ameaças contra indígenas no Estado. Na quinta-feira (29), uma casa amanheceu em chamas na Aldeia Jaguapiré, em Tacuru, mesma região onde um servidor público municipal ameaçou envenenar a água após o segundo turno das eleições.
O ministro do MPI (Ministério dos Povos Indígenas), Eloy Terena, informou em suas redes sociais que foi criada uma força-tarefa para receber denúncias e apurá-las, a fim de identificar os possíveis autores.
“O Ministério da Justiça requisitou de todas as corregedorias estaduais e do Distrito Federal todas as denúncias que estão chegando, para a gente centralizar aqui no âmbito do Governo Federal também”, revelou Eloy.
O ministro afirmou que alguns casos já foram encaminhados à PF (Polícia Federal) e inquéritos foram instaurados. “Alguns dos casos que nós já enviamos à Polícia Federal já tiveram inquérito instaurado. Nós vamos combatendo todo tipo e toda forma de violência contra as comunidades indígenas”, disse.
Diante das recentes ameaças, equipes da Força Nacional estão em patrulhamento nas comunidades Sassoró, Taquapery e Limão Verde. Além disso, foi aberto um canal direto do Ministério dos Povos Indígenas para que as denúncias cheguem mais rápido.
“Canal direto do Ministério dos Povos Indígenas para que essas denúncias cheguem de forma mais célere. Vou deixar aqui na legenda para vocês um número de WhatsApp em que vai ter um servidor do Ministério dos Povos Indígenas para recepcionar essas denúncias. E nós vamos continuar acompanhando”, garantiu o ministro.
O canal de denúncias do MPI é: (11) 98202-5433.

Casa em chamas
Durante o incêndio, foram queimados todos os instrumentos sagrados usados nos rituais da comunidade indígena local. A população acredita que o incêndio tenha sido criminoso.
A casa pertencia a ñandesy Roberta, de 90 anos. Na cultura indígena, o termo “ñandesy” é utilizado para se referir a mulheres que exercem o papel de liderança espiritual nas comunidades. Segundo denunciado nas redes sociais da Assembleia das Mulheres Guarani e Kaiowá de MS, kuñangue Aty Guasu, a dona da residência era frequentemente taxada de feiticeira e chegou a sofrer racismo e intolerância religiosa por realizar práticas espirituais sagradas dentro da cultura da comunidade.
“A ñandesy denuncia que sofrem várias formas de violência no território por ser rezadeira e defensora da cultura Kaiowá e Guarani. O incêndio criminoso foi denunciado e pedimos justiça, pois muitas casas sagradas já viraram cinzas nas aldeias Kaiowá e Guarani, e nenhuma teve justiça”, denunciou o perfil, nas redes sociais.
O Jornal Midiamax também acionou a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), o MPF (Ministério Público Federal), o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), bem como demais autoridades federais e estaduais para apurar informações sobre o incêndio.
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul informa que “o caso foi registrado como Incêndio e a equipe de investigação da unidade policial, juntamente com a equipe da perícia criminal, se deslocaram até a aldeia Jaguapiré após serem contatados por um trabalhador local para realizar os procedimentos que o caso requer. Até o momento não há relatos de ameaças, ou incêndio criminoso“.
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(Revisão: Nichole Munaro)






