Uma residência localizada na Aldeia Jaguapiré, no município de Tacuru (MS), amanheceu em chamas nesta quinta-feira (29). A região é a mesma onde um servidor público municipal ameaçou envenenar a água após o segundo turno das eleições. Durante o incêndio, foram queimados todos os instrumentos sagrados usados nos rituais da comunidade indígena local, e a comunidade acredita que o incêndio tenha sido criminoso.
A casa pertencia a ñandesy Roberta, de 90 anos. Na cultura indígena, o termo “ñandesy” é utilizado para se referir a mulheres que exercem o papel de liderança espiritual nas comunidades. Segundo denunciado nas redes sociais da assembleia das Mulheres Guarani e Kaiowá de MS, kuñangue Aty Guasu, a dona da residência era frequentemente taxada de feiticeira e chegou a sofrer racismo e intolerância religiosa por realizar práticas espirituais sagradas dentro da cultura da comunidade.
“A ñandesy denuncia que sofrem várias formas de violência no território, por ser rezadeira e defensora da cultura Kaiowá e Guarani. O incêndio criminoso foi denunciado e pedimos justiça, pois muitas casas sagradas já viraram cinzas nas aldeias Kaiowá e Guarani, e nenhuma teve justiça”, denunciou o perfil, nas redes sociais.
O MPI (Ministério dos Povos Indígenas) informou que está ciente das ameaças e dos episódios de violência que têm acontecido contra os povos Guarani e Kaiowá, em Mato Grosso do Sul, e que acionou a Polícia Federal para a devida investigação. “A pasta está em diálogo com as comunidades indígenas, por meio do Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos Fundiários Indígenas (Demed), e segue atuando para que os direitos dos indígenas sejam garantidos e assegurados.”
Também foi dito que os ministérios dos Direitos Humanos e da Cidadania e da Igualdade Racial estão atuando em conjunto por meio de uma força-tarefa, para que os casos sejam investigados e os responsáveis identificados e responsabilizados por possíveis crimes.
O Jornal Midiamax também acionou a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), o MPF (Ministério Público Federal), o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), bem como demais autoridades federais e estaduais para apurar informações sobre o incêndio. A reportagem aguarda a resposta.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)









