A Justiça Federal negou o pedido de soltura de um empresário de Campo Grande, preso em maio de 2026 sob suspeita de integrar uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias e lavagem de dinheiro. Ele foi um dos alvos da Operação Cyber Trap, da PF (Polícia Federal).
Na época, foram apreendidos três carros (Ford Mustang, Volkswagen Amarok e Volkswagen Virtus), uma pistola Taurus calibre .380, sem a documentação regular, acompanhada de um carregador e 17 munições.
A defesa sustentou que a prisão seria ilegal, já que o inquérito da PF deveria ter sido concluído em 4 de junho e não houve indicação de que a investigação seria prorrogada. O MPF (Ministério Público Federal) se manifestou contra, alegando que persistem os motivos da prisão.
Na decisão, o juiz federal substituto Felipe Alves Tavares, da 3ª Vara Federal de Campo Grande, citou que já havia sido deixado claro que a PF justificou a demora devido à necessidade de tempo durante a apuração, por conta da análise de dados dos dispositivos eletrônicos apreendidos. Além disso, a boa conduta do empresário não implica uma penalidade branda.
“As condições pessoais favoráveis invocadas pela defesa, como primariedade e bons antecedentes, não são, por si sós, suficientes para revogar a custódia cautelar, quando presentes os requisitos que a autorizam, os quais foram detidamente analisados na decisão que decretou a prisão preventiva, permanecem hígidos e inalterados desde a sua decretação”, concluiu.
Operação Cyber Trap
Em 21 de maio de 2026, a PF foi até um condomínio de luxo para cumprir mandados. Lá, um morador foi preso e quatro veículos foram apreendidos — entre eles, um Mustang. Outras duas caminhonetes e um carro modelo Virtus também foram alvo de busca e apreensão.
As investigações começaram em 2023, após a Caixa Econômica Federal informar a existência de um site especializado na venda de cartões bancários fraudados. Assim, os policiais federais identificaram o principal suspeito, vinculado ao município de Campo Grande.
Logo, ele e outros integrantes da organização foram identificados pela PF, que descobriu um esquema sofisticado de ocultação patrimonial. O grupo teria movimentado mais de R$ 120 milhões por meio de criptomoedas e empresas de fachada.
Foram apreendidos aparelhos celulares, computadores, veículos, joias, dinheiro em espécie, criptoativos, imóveis e outros bens relacionados aos fatos investigados. Além de Campo Grande, são cumpridos mandados em Campo Limpo Paulista, no Estado de São Paulo.
A operação, que integra as ações do Projeto Tentáculos, mobiliza cerca de 44 policiais federais para cumprimento de um mandado de prisão, 10 mandados de busca e apreensão e medidas de bloqueio patrimonial.
O Projeto Tentáculos é uma iniciativa da Polícia Federal em parceria com a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e instituições financeiras para o combate qualificado às fraudes bancárias eletrônicas.
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(Revisão: Nichole Munaro)







