A defesa de Marcos Antônio de Souza Vieira — condenado a 22 anos de prisão por tentativa de feminicídio — vai pedir pela desclassificação do crime. A sentença do réu foi proferida nesta quarta-feira (10), na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande.
Marcos Antônio foi condenado por tentar matar a ex-companheira a tiros em um posto de combustíveis no bairro Aero Rancho, na Capital, em maio do ano passado. Além da tentativa de feminicídio, o réu foi condenado por sequestro qualificado, porte ilegal de arma de fogo de uso permitido e pagamento de R$ 50 mil à vítima por dano moral.
Ao Jornal Midiamax, o advogado Weslley Antero Angelo, que representa o homem, revelou que vai recorrer junto ao TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) para pedir a desclassificação para lesão corporal grave e absolvição pelo crime de sequestro qualificado.
“Entraremos com apelação ao tribunal. Nossa tese é de desclassificação para lesão corporal grave, absolvição do crime de sequestro por falta de provas de autoria e materialidade, e consunção, além da tese de consunção quanto ao crime de porte ilegal”, explicou Weslley.

‘Não pensei em nada’, disse réu
Durante julgamento na quarta-feira (10), Marcos Antônio disse que não pensou ao efetuar os disparos que atingiram a vítima.
“Não. Eu não pensei. Eu não pensei em nada, deu um branco. Eu nem sei por que eu atirei. Na hora deu o start. Eu saí na hora e aconteceu o negócio”, disse ao ser questionado pelo advogado de defesa, Weslley Antero Angelo, sobre o motivo dos disparos.
Marcos Antônio também negou ter mirado a arma na direção da vítima. “Doutor, eu não tenho nem como mirar, porque eu saí correndo. Não tem nem como mirar. Se tivesse parado, aí sim. Poderia falar que fui para matar ela, mesmo”, afirmou.
Durante o interrogatório, Marcos Antônio também negou ter tido a intenção de matar a ex-companheira e disse que não obrigou a vítima a entrar em seu carro.
“Eu não ameacei ela, simplesmente parei o automóvel na frente, ela voltou para trás, eu desci do carro, fui até ela e pedi para a gente analisar e resolver o assunto”, alegou o réu.
Relembre o caso
Conforme a denúncia, a mulher foi sequestrada pelo companheiro no Jardim Centenário. Depois, o casal parou em um posto de combustível. A mulher foi até o banheiro e, quando retornou, o homem estava gritando com ela. A vítima tentou fugir e foi alvejada por disparos de arma de fogo.
A mulher foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e encaminhada para atendimento médico. Marcos Antônio, que conseguiu fugir do local, foi preso logo depois, na Avenida Bandeirantes, região do Guanandi.
A arma utilizada por Marcos Antônio foi comprada em Bela Vista, cidade a 313 quilômetros de Campo Grande. Na casa do autor, os policiais encontraram mais 78 munições.
O crime aconteceu poucos dias após a mulher entrar com pedido de divórcio. Segundo a delegada Analu Ferraz, da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), a vítima havia pedido medidas protetivas contra o companheiro, mas, em dezembro de 2024, a solicitação foi revogada a pedido da vítima.
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(Revisão: Nichole Munaro)







