O técnico de enfermagem investigado por estupro contra uma paciente na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul) pode retornar ao trabalho nos próximos dias.
A denúncia contra o técnico foi formalizada no dia 11 de julho na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) e, segundo o boletim de ocorrência, a paciente relatou ter sido violentada sexualmente.
Dias após a denúncia, o técnico de enfermagem foi preso e ganhou a liberdade no dia 24 de julho. Na época, a defesa falou em Inocência do servidor e que aguardava o fim das investigações.
De acordo com o advogado Matheus Morandi, a 2ª Câmara Criminal do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) acatou o habeas corpus e revogou as medidas cautelares que haviam sido impostas ao técnico. Ele estava proibido de exercer atividades que envolvessem contato direto com pessoas em situação de vulnerabilidade, o que, na prática, o afastava do exercício da enfermagem.
Ao Jornal Midiamax, a defesa afirmou ainda que o inquérito policial foi relatado no fim de agosto, “com o não indiciamento”, após a autoridade ouvir todas as profissionais da equipe de plantão no dia dos fatos e o próprio técnico.
“Desde o primeiro momento da apuração, a defesa sustentou que os elementos colhidos apontariam para a inocência do investigado. Foi o que se confirmou. Todas as profissionais que estavam no setor no período dos fatos prestaram declarações, de forma espontânea, primeiro em escritura pública lavrada em cartório e depois perante a autoridade policial, no sentido de que o investigado não permaneceu sozinho junto ao leito da paciente e de que não realizou nela qualquer procedimento assistencial. Os depoimentos foram prestados por livre e espontânea vontade, encontram-se documentados e gravados em vídeo, e são coerentes entre si e com os protocolos assistenciais da unidade”, falou o advogado Matheus Morandi.
Com a revogação integral das medidas cautelares, o técnico pode retornar ao trabalho. “Trata-se de profissional com atuação de anos na área, sem qualquer registro anterior de ocorrência semelhante, cuja conduta foi descrita pelas colegas de trabalho como sempre adequada e respeitosa com pacientes e com a equipe”, defendeu o advogado do técnico de enfermagem.
Relembre o caso
Uma paciente de 27 anos do HRMS afirmou que foi estuprada no dia 10 de julho pelo técnico, que foi denunciado no dia seguinte na Deam. Segundo a tia da vítima, ela foi transferida de hospital dias depois da denúncia.
Naquela sexta-feira (10 de julho de 2026), por volta das 5h, o suspeito teria entrado no local onde a vítima estava para injetar os medicamentos diários. Após o técnico aplicar o segundo remédio, a jovem teria dormido e, tempo depois, acordado enquanto o suspeito a violentava sexualmente. Ao ver que a vítima acordou, o homem teria saído do local.
A família foi avisada do caso horas depois. A vítima contou sobre o ocorrido a uma técnica de enfermagem, que repassaria a mensagem à família, já que os pacientes são proibidos de permanecer com celular na UTI. No entanto, segundo a tia, a família não foi notificada e ficou sabendo do caso apenas às 20h, durante visita.
Conforme relato da familiar, o técnico de enfermagem conhecia a tia da vítima e sabia da internação da jovem, bem como do estado de fragilidade dela devido à internação. Ela estava internada desde 15 de junho na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), por conta de complicações na gravidez e no pós-parto.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)





