Pular para o conteúdo
Polícia

Preso por feminicídio, médico culpa irmão de Fabíola pela morte e vai para o Garras

O feminicídio de Fabiola foi antecedido por inúmeros pedidos de socorro silenciosos em um diário
Layane Costa, Heloisa Duim -
Preso por feminicídio, médico culpa irmão de Fabíola pela morte e vai para o Garras
João Jazbik saindo da Deam. (Foto: Madu Livramento, Midiamax)

Ao sair da 1ª Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), o médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, culpou novamente o irmão da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos, pela morte dela. O réu pelo feminicídio da ex-companheira voltou a ser preso na tarde desta quinta-feira (3) após o desembargador Emerson Cafure revogar a liminar que concedeu a liberdade provisória ao médico.

Após realizar os trâmites necessários na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, o médico foi encaminhado para a sede do Garras (Delegacia de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros), onde aguardará a audiência de custódia.

Com exclusividade, ele falou com a reportagem do Jornal Midiamax. Enquanto estava caminhando até a viatura, no estacionamento da Deam, ele novamente voltou a afirmar que não matou a fisioterapeuta, mas culpou o irmão pela morte.

“Eu não matei a Fabíola. O episódio que aconteceu com a Fabíola, eu acho que foi um problema do irmão dela ser inimigo da família. A mãe dela tinha um aneurisma de barriga; ele veio de de mão aberta e falou: ‘Eu vou cuidar disso’. Levou dois dias operando [a equipe], foi para o CTI e morreu”, disse João com exclusividade ao Jornal Midiamax.

O réu indo para o Garras. (Foto: Madu Livramento, Midiamax)

Conforme o réu pelo feminicídio de Fabíola, a partir da morte da mãe, a vítima nunca mais teria sido a mesma. “A partir desse dia, a vida da Fabíola acabou; eu vivia em classe A com a Fabíola”, frisou.

‘Fabíola sempre foi respeitada’

Ele afirmou à reportagem que nunca agrediu nenhuma mulher. “Eu nunca dei um beliscão em mulher nenhuma, eu acho que as mulheres precisam ser respeitadas. A Fabíola sempre foi respeitada; ela tinha o problema dela. ‘Você cuida de mim, e eu cuido de você.’ Esse era o nosso projeto, até chegar o irmão dela e acabar com a vida dela”, pontuou.

Diário

Apesar de João dizer que Fabíola sempre foi respeitada, textos escritos a próprio punho no diário da vítima revelam ao contrário.

Era em folhas brancas de uma caderneta que Fabiola descrevia a violência psicológica sofrida rotineiramente no casamento. Os textos começaram a ser escritos em 2022; inclusive, em um deles, a fisioterapeuta chegou a mencionar que o caderno teria se tornado verdadeiramente um diário.

E era justamente nele que, desde 2022, a mulher registrava parte do seu dia a dia ao lado do cardiologista. O último texto foi escrito no dia 16 de maio deste ano, dias antes da sua morte.

O feminicídio de Fabiola foi antecedido por inúmeros pedidos de socorro silenciosos: “SOCORRO, SOCORRO, SOCORRO”.

Para a polícia, a violência psicológica, descrita por Fabíola, não é um crime menor ou acessório. Foi a base sobre a qual o feminicídio foi construído. “O agressor não matou Fabiola apenas com um golpe e um tiro: ele a matou lentamente, dia após dia”, é citado.

Diário de Fabiola. (Reprodução)

Relembre

Fabiola foi encontrada morta com um tiro na cabeça em sua casa, uma propriedade na Chácara dos Poderes, em Campo Grande. A mulher morava com o marido quando foi encontrada sem vida no dia 18 de maio deste ano. Na ocasião, o médico chegou a acionar a polícia e alegou que a esposa teria cometido suicídio.

Ao chegarem ao local, os militares encontraram o marido da vítima e equipes do Corpo de Bombeiros, que já haviam constatado o óbito. Aos policiais, o médico disse que a esposa fez atividades de rotina matinal e, em determinado momento, foi para o andar superior da casa, onde fica o quarto do casal.

Na ocasião, o médico contou ter estranhado a demora de Fabiola e decidiu subir para verificar a situação. Quando chegou, alegou ter encontrado a porta do quarto fechada. Ele bateu à porta, mas não foi respondido.

Em seguida, o cardiologista desceu até a cozinha e ligou para Fabiola, mas ela não atendeu. Pouco tempo depois, ele disse ter ouvido um disparo de arma de fogo e retornou ao andar superior, momento em que viu a porta do quarto aberta e a companheira caída ao chão. Ele não soube precisar o horário exato.

Segundo o registro policial, o médico acionou seu ex-caseiro, que chegou ao imóvel pelos fundos. Logo, ele e os atuais caseiros foram até o quarto e acionaram o 190.

A 1ª Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) instaurou inquérito para investigar o caso.

O cardiologista também foi preso, no dia da morte de Fabiola, por posse irregular de arma de fogo, após a polícia encontrar armamento sem documentação na casa.

Para os familiares da vítima, a decisão judicial assegura que os laudos periciais e os depoimentos das testemunhas sejam concluídos com “rigor técnico”. O caso segue sendo investigado.

📍 Onde buscar ajuda em MS

Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira está localizada na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá, 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana.

Além da Deam, funcionam na Casa da Mulher Brasileira a Defensoria Pública; o Ministério Público; a Vara Judicial de Medidas Protetivas; atendimento social e psicológico; alojamento; espaço de cuidado das crianças – brinquedoteca; Patrulha Maria da Penha; e Guarda Municipal. É possível ligar para 153.

☎️ Existem ainda dois números para contato: 180, que garante o anonimato de quem liga, e o 190. Importante lembrar que a Central de Atendimento à Mulher – 180 é um canal de atendimento telefônico, com foco no acolhimento, na orientação e no encaminhamento para os diversos serviços da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o Brasil, mas não serve para emergências.

As ligações para o número 180 podem ser feitas por telefone móvel ou fixo, particular ou público. O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os fins de semana e feriados, já que a violência contra a mulher é um problema sério no Brasil.

Já no Promuse, o número de telefone para ligações e mensagens via WhatsApp é o (67) 99180-0542.

📍 Confira a localização das DAMs, no interior, clicando aqui. Elas estão localizadas nos municípios de Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.

⚠️ Quando a Polícia Civil atua com negligência, má vontade ou comete erros, é possível denunciar diretamente na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone: (67) 3314-1896 ou no Gacep (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS, pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.

Compartilhe

Notícias mais buscadas agora

Saiba mais
TSE rejeita lista tríplice com apenas uma mulher para vaga no TRE-MS

TSE rejeita lista tríplice com apenas uma mulher para vaga no TRE-MS

Bazar beneficente reúne mais de 12 mil peças de roupas a partir de R$ 10 em Campo Grande

Bazar beneficente reúne mais de 12 mil peças de roupas a partir de R$ 10 em Campo Grande

Homem que atropelou e tentou esmagar ex-namorada contra o muro é condenado a 23 anos de prisão

Homem que atropelou e tentou esmagar ex-namorada contra o muro é condenado a 23 anos de prisão

‘Eu não matei a Fabíola’, diz cardiologista preso pela terceira vez ao chegar na Deam

‘Eu não matei a Fabíola’, diz cardiologista preso pela terceira vez ao chegar na Deam

Notícias mais lidas agora

Waldir Neves recorre a Moraes para se livrar de ação por rombo de R$ 106 milhões no TCE-MS

Waldir Neves recorre a Moraes para se livrar de ação por rombo de R$ 106 milhões no TCE-MS

Candidato ao Senado pelo PSOL, Beto do Movimento defende transparência nas emendas

Candidato ao Senado pelo PSOL, Beto do Movimento defende transparência nas emendas

Médico acusado de matar fisioterapeuta volta à prisão após duas semanas em liberdade

Médico acusado de matar fisioterapeuta volta à prisão após duas semanas em liberdade

Carreta da Saúde da Mulher oferece exames gratuitos pelo SUS em Dourados

Carreta da Saúde da Mulher oferece exames gratuitos pelo SUS em Dourados

Últimas Notícias

Brasil

Senado aprova MP da ‘taxa das blusinhas’ e isenção se torna definitiva

Texto foi modificado pela relatora na comissão especial mista

Economia

Dólar tem ligeira queda e fecha a R$ 5,10 com ajustes após rali eleitoral

Com mínima de R$ 5,0705 e máxima de R$ 5,1137

Trânsito

VÍDEO: Motociclista persegue e ataca jovem com barra de ferro em Campo Grande

Perseguição ocorreu na Rua Ezequiel Ferreira Lima

Polícia

Suspeito de estuprar criança de 7 anos é preso em Campo Grande

Crime foi denunciado há quase dois meses