O jardineiro, de 78 anos, preso por manter a companheira, de 73 anos, em cárcere e proibi-la de ir ao velório do próprio filho, em Campo Grande, ameaçou a vítima de morte ao ser advertido pela filha.
O homem foi preso em flagrante pela equipe da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) na quarta-feira (22) por sequestro e cárcere privado, injúria e ameaça. Ele teve a prisão convertida em preventiva durante audiência de custódia nesta quinta (23).
À polícia, a idosa contou que foi agredida há um tempo, mas que é alvo de xingamentos e humilhações com frequência. Durante a madrugada que antecedeu a prisão do agressor, ela foi ameaçada de morte.
A filha disse aos policiais que foi até a casa dos pais pela manhã e percebeu que sua mãe estava toda trêmula. A idosa afirmou à filha que o marido estaria perturbando-a a madrugada inteira e proferindo xingamentos.
Ao exigir explicações ao pai, ele ameaçou a idosa de morte. Segundo o relato da filha do casal, o homem pediu que a mulher tirasse a vítima do imóvel, “se não vai ser o final dela”. Na ocasião, o jardineiro estava com uma faca.
Ao fim de seu depoimento, a filha acrescentou que o homem não deixa a idosa sair de casa e a impede de ir visitar os próprios filhos. Ela reafirmou que a vítima foi impedida de ir ao velório do filho.
A idosa e a filha pediram medida protetiva de urgência contra o jardineiro. Durante o interrogatório, o suspeito negou as ameaças e xingamentos contra a esposa e a filha, bem como negou ter proibido a idosa de sair de casa.
Cárcere privado
A filha do casal foi até a residência dos pais pela manhã e encontrou a mãe bastante abalada, ocasião em que ela relatou ter passado a madrugada sendo ameaçada pelo marido com uma faca.
Com a chegada da filha ao imóvel, ela questionou o pai sobre as agressões e também foi ameaçada. Ele afirmou que a idosa teria que aceitar suas ordens e seu relacionamento extraconjugal. “Saia daqui, senão você vai ver o que vou fazer com você também”, falou o pai à própria filha.
Diante dos fatos, a filha pediu uma corrida por aplicativo e foi até a Deam com a mãe, que pediu medida protetiva de urgência.
Violência e proibição de ir ao velório do próprio filho
Na especializada, a idosa contou que convive com o suspeito há mais de cinco décadas e que estava sendo agredida por vários anos. O suspeito também cometia violência psicológica, ameaças, injúrias e privação de liberdade.
Segundo o boletim de ocorrência, a idosa era mantida trancada com frequência em casa, humilhada, intimidada e torturada psicologicamente. Há dois dias, ela perdeu o filho e foi proibida de ir ao velório e sepultamento do próprio filho.
À polícia, a idosa contou que o marido mantém um relacionamento extraconjugal e teria insistido para que ela aceitasse que a mulher passasse a morar na mesma casa. Ele também ofendia a companheira com palavras de baixo-calão.
Após o registro do boletim de ocorrência, uma equipe da Deam foi até a residência do casal e prendeu o jardineiro.
📍 Onde buscar ajuda em MS
Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira está localizada na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá, 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana.
Além da Deam, funcionam na Casa da Mulher Brasileira a Defensoria Pública; o Ministério Público; a Vara Judicial de Medidas Protetivas; atendimento social e psicológico; alojamento; espaço de cuidado das crianças – brinquedoteca; Patrulha Maria da Penha; e Guarda Municipal. É possível ligar para 153.
☎️ Existem ainda dois números para contato: 180, que garante o anonimato de quem liga, e o 190. Importante lembrar que a Central de Atendimento à Mulher – 180 é um canal de atendimento telefônico, com foco no acolhimento, na orientação e no encaminhamento para os diversos serviços da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o Brasil, mas não serve para emergências.
As ligações para o número 180 podem ser feitas por telefone móvel ou fixo, particular ou público. O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os fins de semana e feriados, já que a violência contra a mulher é um problema sério no Brasil.
Já no Promuse, o número de telefone para ligações e mensagens via WhatsApp é o (67) 99180-0542.
📍 Confira a localização das DAMs, no interior, clicando aqui. Elas estão localizadas nos municípios de Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.
⚠️ Quando a Polícia Civil atua com deszelo, má vontade ou comete erros, é possível denunciar diretamente na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone: (67) 3314-1896 ou no GACEP (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS, pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.
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(Revisão: Nichole Munaro)









