Um homem de 20 anos e uma mulher de 19 anos foram presos no último sábado (24), na BR-060, próximo a Sidrolândia, a 70 quilômetros de Campo Grande, depois de protagonizarem uma perseguição policial de aproximadamente 20 quilômetros pela rodovia. O casal estava em um Volkswagen Virtus, roubado em Ponta Porã, que pertencia a um motorista de aplicativo.
À polícia, eles disseram que tudo começou com uma suposta proposta de emprego para que o jovem trabalhasse como piloto de avião e que, posteriormente, ele teria sido ameaçado e torturado.
O jovem teve a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva depois da audiência de custódia, nesta terça-feira (27), no Fórum de Campo Grande. Já a mulher teve a liberdade provisória concedida.
Entenda o caso
O casal foi detido no sábado (24), após a PRF (Polícia Rodoviária Federal) localizar um veículo roubado em Ponta Porã passando pela unidade operacional de Sidrolândia. O jovem dirigia o veículo e, segundo os policiais, ignorou as ordens de parada e iniciou fuga em alta velocidade.
Durante a perseguição, o carro teria feito ultrapassagens em faixa contínua, trafegado pelo acostamento e avançado em direção a outros veículos. A PRF efetuou disparos contra os pneus para tentar interromper a fuga. Depois de cerca de 20 quilômetros, o rapaz perdeu o controle do Virtus ao tentar uma ultrapassagem, invadiu a contramão e bateu contra um barranco. Os dois foram presos.
Proposta de emprego como piloto
Em depoimento, o jovem contou que havia concluído recentemente um curso de aviação e encaminhava currículos em busca de emprego. Segundo ele, entrou em contato com um homem identificado como “Mauro”, que teria oferecido uma vaga para trabalhar como piloto na pulverização de lavouras.
A proposta, conforme o relato, previa contrato de seis meses e salário mensal de R$ 5,5 mil. O jovem disse que ainda precisava acumular horas de voo e não tinha habilitação completa, mas teria ouvido do suposto contratante que isso não seria um problema.
Dias depois, o suposto contratante teria aparecido para tratar da assinatura do contrato. O jovem disse em depoimento que entrou em um veículo e encontrou outros dois homens. Foi então que, segundo a versão dele, descobriu que o serviço seria outro.
Inicialmente, teria sido orientado a transportar um avião carregado até Cuiabá, em Mato Grosso. Ele teria se recusado e, nesse momento, um dos homens teria usado um alicate para apertar um de seus dedos. O suposto contratante também teria exibido uma arma de fogo e passado a ameaçá-lo.
Ameaças contra familiares
Ainda conforme o jovem, depois da recusa em pilotar o avião, ele recebeu a ordem de conseguir um carro e levá-lo até Cuiabá. O homem, identificado como Mauro, ainda teria sugerido, inicialmente, que ele furtasse ou roubasse o veículo de um vizinho.
O jovem relatou que as ameaças também passaram a atingir familiares que vivem em Campo Novo, em Mato Grosso. Segundo ele, o suposto contratante dizia saber onde eles moravam e chegou a enviar uma fotografia da residência do casal para mostrar que a companheira também estaria sendo monitorada.
O jovem afirmou ainda que Mauro teria criado uma conta em um aplicativo de transporte, chamado uma corrida e determinado que ele roubasse o veículo do motorista.
Ele confessou à polícia que utilizou um pedaço de madeira para ameaçar o motorista e tomar o carro. Depois do roubo, teria se encontrado novamente com Mauro nas proximidades de um campo de futebol, onde um dispositivo de rastreamento teria sido instalado no carro.
Segundo o depoimento, Mauro também teria apagado as conversas do celular do jovem, entregue a ele apenas um número anotado em um papel e determinado que não obedecesse a uma eventual ordem de parada da polícia.
O jovem descreveu o homem como alto, branco, de cabelos grisalhos, com aproximadamente 40 anos e que usava óculos.
Mulher confirma versão sobre ameaças
A mulher contou à Polícia Civil que foi ela quem encontrou nas redes sociais o contato da pessoa que oferecia a suposta oportunidade de trabalho ao namorado. Segundo a jovem, inicialmente a oferta era para que o companheiro atuasse com pulverização em uma fazenda de Ponta Porã. Posteriormente, o suposto contratante teria informado que o serviço envolveria o transporte de uma carga para Cuiabá.
A jovem também afirmou que havia pessoas vigiando a residência do casal e que o companheiro teria sido ameaçado. Na madrugada do crime, ele chegou em casa dirigindo o Virtus e disse que precisavam levar o carro até Cuiabá.
Os dois deixaram Ponta Porã por volta das 2h. Segundo ela, o suposto contratante teria instalado um rastreador no veículo, proibido paradas que não fossem para abastecimento e ameaçado inclusive a bisavó do jovem.
Ao passarem pela base da PRF, a jovem afirmou ter pedido para o namorado parar, porém o rapaz teria continuado a fuga por medo das ameaças.
Motorista também ouviu versão sobre ameaça
O motorista de aplicativo, de 51 anos, vítima do roubo, contou que foi chamado para uma corrida por volta das 23h12. Durante o trajeto pela BR-463, o passageiro teria sacado uma arma pequena, colocado o objeto contra a cabeça dele e ordenado que entrasse em uma estrada vicinal.
Segundo a vítima, antes de levar o carro, o autor pediu desculpas e afirmou que estava cometendo o roubo para salvar a mulher, que estaria nas mãos de um homem que ele identificou como “Martins”. Além do veículo da vítima, o jovem levou um aparelho celular, cartões bancários e a CNH.
Indiciados por roubo
Embora documentos iniciais tenham registrado o caso como receptação, o delegado responsável pelo flagrante entendeu que havia elementos para indiciar o casal por roubo majorado pelo emprego de arma.
A autoridade policial destacou a confissão do jovem sobre a prática do roubo. O casal não tinha condenações nem processos anteriores registrados nas fichas anexadas ao flagrante.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)










