‘Quase morri na cirurgia e depois fui abusada’: paciente relata terror em UTI do HRMS Pular para o conteúdo
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‘Quase morri na cirurgia e depois fui abusada’: paciente relata terror em UTI do HRMS

Jovem revelou que só foi transferida após ameaçar ir embora do hospital
Lívia Bezerra -
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Hospital Regional de Mato Grosso do Sul. (Madu Livramento, Midiamax)

A paciente de 27 anos que denunciou ter sido estuprada por um técnico de enfermagem do HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul), em , vivenciou um verdadeiro terror após relatar o caso. O estupro teria ocorrido na última sexta-feira (10) e o técnico foi preso temporariamente pela Polícia Civil na segunda-feira (13).

Desde que a denúncia foi formalizada na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), a Polícia Civil ouve testemunhas, coleta provas técnicas e adota as medidas cabíveis para a completa apuração do ocorrido.

Durante entrevista ao Jornal Midiamax, a vítima relatou que estava internada no hospital desde 15 de junho, pois precisou ser transferida da Santa Casa. No dia 30, quando deu à luz, a jovem foi diagnosticada com acretismo placentário.

A condição grave ocorre quando a placenta se fixa anormalmente à parede do útero. A paciente sofreu uma hemorragia durante a cesárea e foi para a UTI, onde ficou entubada por oito dias.

“Nunca imaginei [passar por isso]. A cirurgia já foi muito complicada. Eu quase morri na cirurgia e, depois, ainda passei por isso — eu tinha acabado de acordar. Fiquei oito dias entubada. Fiz a cirurgia dia 30”, relatou a jovem.

Após o crime, a vítima esperou a troca do plantão e relatou a situação para uma enfermeira. Logo, a profissional acionou a enfermeira-chefe, que foi até o leito da UTI e afirmou que a palavra da paciente não seria suficiente.

“Ela foi bem ríspida, falou que só com a minha palavra não dá para fazer nada. Ela chamou a psicóloga e a médica. Comunicaram-me que minha família tinha sido avisada. Meu esposo estava lá embaixo, mas não avisaram ninguém. Fiquei desamparada até às 20h da noite”, contou.

‘Não deram assistência’

Após a ida para o quarto, a jovem recebeu a visita da irmã e relatou o estupro. Na manhã de sábado (11), a tia dela foi até a Deam e registrou boletim de ocorrência.

Na especializada, foi solicitada medida protetiva de urgência, que foi deferida no domingo (12). Mesmo com a medida em vigor, a jovem continuou no hospital. O afastamento do técnico de enfermagem foi formalizado somente na segunda-feira (13).

“Não deram assistência nenhuma, só começaram a fornecer ajuda depois que saiu na mídia. Eu já estava com a medida protetiva desde domingo, mas não tive nenhuma assistência”, afirmou.

À reportagem, a vítima revelou que só foi transferida do HRMS após ameaçar evadir-se da unidade. “Ameacei ir embora. Eu estava pronta para sair, e foram cerca de dez diretores do hospital pedindo para eu esperar a transferência. No mesmo dia fui transferida, mas demorou até isso acontecer”, falou.

Em meio à situação, a jovem trata uma bactéria adquirida durante a internação na UTI e ainda precisa lidar com a distância do recém-nascido e do filho mais velho. “É muito difícil. Fiquei longe dos meus dois filhos, o de 8 anos e o bebê, que nasceu há 15 dias. Até agora, estou sem eles. O bebê eu só vi no dia do parto e no domingo, pois me autorizaram a ver ele depois do ocorrido”, desabafou a paciente.

O técnico de enfermagem foi preso temporariamente na segunda-feira (13). A vítima disse que relatou os fatos à polícia através de áudio, visto que continua hospitalizada. Agora, assim como toda a família, ela espera por justiça.

“Quando ele foi preso, fiquei bem aliviada, mas espero que ele fique [preso] mais tempo. Eu espero justiça e mudança das leis para as mulheres; que tenha uma segurança para as mulheres, ainda mais em uma situação tão vulnerável em que a gente se encontra. Toda a minha família está muito revoltada! Indignada!”, relatou.

Denúncia de estupro

A jovem havia sido extubada dois dias antes de sofrer a violência. Na sexta-feira, por volta das 5h, o suspeito teria entrado no local onde a vítima estava para injetar os medicamentos diários. Após o técnico aplicar o segundo remédio, a jovem teria dormido e, tempo depois, acordado enquanto o suspeito a violentava sexualmente. Ao ver que a vítima acordou, o homem saiu do local.

A família foi avisada do crime horas depois. A vítima contou sobre o ocorrido a uma técnica de enfermagem, que repassaria a mensagem à família, já que os pacientes são proibidos de permanecer com celular na UTI.

No entanto, segundo a tia, a família não foi notificada e ficou sabendo do caso apenas às 20h, durante visita à jovem.

Conforme relato da familiar, o técnico de enfermagem conhecia a tia da vítima e sabia da internação da jovem, bem como do estado de fragilidade dela devido à internação.

Durante o plantão, ele teria dado banho na paciente, juntamente com outra técnica. Na ocasião, a profissional apresentou o homem à jovem, afirmando que ele era conhecido de sua tia e a conhecia também. Segundo a tia, durante a apresentação e o banho, o homem teria ficado em silêncio.

A vítima estava internada desde 15 de junho na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), por conta de complicações na gravidez e no pós-parto.

O que diz a defesa do técnico?

Na segunda (13), o HRMS informou que instaurou uma sindicância para apurar o caso e que o técnico foi afastado oficialmente. Ao Jornal Midiamax, o advogado Matheus Morandi, que defende o suspeito, confirmou que o técnico foi preso temporariamente.

A defesa ainda afirmou que a prisão foi recebida com surpresa e que tomará as medidas para tentar reverter a decisão.

“Embora respeite a decisão judicial, entende que a medida é desnecessária e desproporcional ao caso concreto. Serão adotadas, de imediato, todas as medidas judiciais cabíveis para reverter a decisão”, afirmou Matheus Morandi.

📍 Onde buscar ajuda em MS

Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira está localizada na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá, 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana.

Além da Deam, funcionam na Casa da Mulher Brasileira a Defensoria Pública; o Ministério Público; a Vara Judicial de Medidas Protetivas; atendimento social e psicológico; alojamento; espaço de cuidado das crianças – brinquedoteca; Patrulha Maria da Penha; e Guarda Municipal. É possível ligar para 153.

☎️ Existem ainda dois números para contato: 180, que garante o anonimato de quem liga, e o 190. Importante lembrar que a Central de Atendimento à Mulher – 180 é um canal de atendimento telefônico, com foco no acolhimento, na orientação e no encaminhamento para os diversos serviços da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o Brasil, mas não serve para emergências.

As ligações para o número 180 podem ser feitas por telefone móvel ou fixo, particular ou público. O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os fins de semana e feriados, já que a violência contra a mulher é um problema sério no Brasil.

Já no Promuse, o número de telefone para ligações e mensagens via WhatsApp é o (67) 99180-0542.

📍 Confira a localização das DAMs, no interior, clicando aqui. Elas estão localizadas nos municípios de Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.

⚠️ Quando a Polícia Civil atua com deszelo, má vontade ou comete erros, é possível denunciar diretamente na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone: (67) 3314-1896 ou no GACEP (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS, pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.

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(Revisão: Nichole Munaro)

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