Réu por feminicídio, Edvan da Silva Rodrigues, acusado de matar Bruna dos Santos Maroto, em 2024, declarou-se inocente na manhã desta quarta-feira (21), durante o julgamento na 2ª Vara do Tribunal do Júri, em Campo Grande. Conforme a denúncia do Ministério Público, o crime foi praticado com emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.
Bruna foi espancada e asfixiada no dia 17 de dezembro. O acusado negou a autoria do crime e disse que Bruna já estaria morta quando ele chegou ao local, uma casa abandonada onde ele estava morando há poucos dias. Nesse endereço, segundo ele, Bruna já não ficava mais. “Eu acho que ela ia para a casa do pai ou da prima”, disse.
O acusado contou que tentou salvar a vida da ex-companheira pedindo ajuda na rua. “Eu pedi ajuda a um homem, pedi o telefone dele emprestado e liguei para o Samu. Depois, fui tentar achar alguém que tivesse carro e levasse ela para emergência.”
Segundo ele, os ferimentos encontrados na vítima foram causados por crises epilépticas. “Ela tinha crises de epilepsia e caía no chão se debatendo. Ela sempre se machucava”, disse o réu.
Durante o interrogatório, Edvan disse não se recordar de diversas situações, como endereços, nomes de rua e até do próprio CPF. No entanto, a promotoria se surpreendeu quando o réu lembrou da marca da bermuda que usava no dia do crime. “Era uma bermuda vermelha, da marca Cobra d’Água. Mas a cor da camiseta eu não lembro”, disse ele.
A causa da morte, segundo o laudo pericial, foi asfixia. Inicialmente, foi informado que a vítima teria sido morta a facadas. Porém, exames periciais desmentiram essa versão. Uma faca chegou a ser apreendida com Edvan no dia do crime, mas foi descartada como prova.
O réu afirmou que o relacionamento com a vítima era “pacífico”, até que Bruna passou a usar drogas, o que teria tornado a relação difícil. “Ela fazia muitas dívidas por causa da droga. Teve uma situação em que vieram cobrar R$ 800 e eu disse que iria pagar parcelado. Fui ameaçado por essa pessoa, caso não pagasse”, disse o réu.
O réu afirmou que trabalhava em um depósito de reciclagem, no bairro Los Angeles, onde, no dia do crime, Bruna teria ido duas vezes pedir dinheiro. “Eu acabei dando R$ 5.”
Os dois estavam juntos desde 2020, e a relação era marcada por boletins de ocorrência e pedidos de medidas protetivas de urgência. O réu alegou ter conhecimento de apenas uma das medidas protetivas. “Depois que ela começou a usar drogas, ela nem ficava mais comigo. Quando ainda morávamos juntos, no fim de semana, ela queria sair e ficava dois ou até quatro dias fora de casa. Quando voltava, dizia que ia embora de casa de novo.”
Segundo o réu, Bruna vendia alguns de seus pertences para comprar drogas. O júri foi presidido pelo magistrado Aluízio Pereira dos Santos. O Ministério Público é representado pela promotora de Justiça Daniele Borghetti Zampieri de Oliveira, e a defesa é feita pelo defensor público Nilson da Silva Gerado.
Defesa e acusação rejeitaram alguns dos jurados no momento do sorteio, sendo três mulheres por meio da defesa e dois homens pela promotoria, ficando o conselho de Justiça formado por cinco mulheres e dois homens.
Relembre o caso
À época do crime, Edvan disse que havia ido ao supermercado e, quando retornou, encontrou Bruna morta. A vítima apresentava lesões graves no rosto e no crânio.
Edvan foi preso horas depois do feminicídio, escondido na casa de um amigo. Questionado sobre a morte de Bruna, ele disse que estava com a companheira naquela noite, mas alegou que, em determinado momento, ela teve uma crise epiléptica, passando a se debater no chão e se machucar.
Segundo a denúncia, o acusado acumula diversos registros por violência doméstica. A última ocorrência registrada por Bruna contra Edvan foi em novembro de 2023.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)








