Lourival da Cruz Neto, de 19 anos, principal suspeito pelo feminicídio de Joseane Oliveira Nunes, de 33 anos, fugiu para Jaraguari, a 47 km de Campo Grande, de bicicleta. O feminicida foi preso na manhã desta quinta-feira (20), por equipes da 1ª Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) e da Delegacia de Polícia de Jaraguari.
Joseane é a 22ª vítima de feminicídio em Mato Grosso do Sul deste ano. O crime teria sido motivado por ciúmes. Em julho, ela registrou um boletim de ocorrência e pediu medidas protetivas; no entanto, 10 dias depois, solicitou a retirada.
No domingo (16), voltaram a morar juntos, após a medida ter sido revogada. Mas, na noite de quarta-feira (19), a mulher, mãe de três filhos, foi morta com golpes de foice no pescoço e também na nuca, no bairro Cristo Redentor. Um martelo foi encontrado com manchas de sangue e fios de cabelo; o objeto pode ter sido utilizado no crime.


Câmeras de segurança registraram Lourival fugindo do local do crime utilizando uma bicicleta. A reportagem do Jornal Midiamax apurou que, utilizando a mesma bicicleta, ele tinha o objetivo de chegar a uma fazenda em Jaraguari para se esconder. No entanto, foi capturado pela Deam e por policiais civis de Jaraguari, próximo à BR-163.
Confira o vídeo da fuga:
Mensagem em celular
Amigos de Joseane dizem que, horas antes do feminicídio, o autor teria pegado o celular da vítima e, depois de olhar por alguns minutos, teria jogado o aparelho no colo de Joseane.
Na manhã desta quinta-feira, um amigo de infância da vítima lavava o chão sujo de sangue onde Joseane foi morta. Ele conversou com a reportagem, mas não quis se identificar. Ele acredita que algum conteúdo no celular possa ter motivado o crime, mesmo que não haja justificativa para tal violência, conforme reforçou.
Segundo informações levantadas pelo Jornal Midiamax, na noite dos fatos, Joseane estava bebendo em um bar e, em seguida, foi para a casa de uma amiga, onde ambas continuaram a consumir bebida alcoólica na frente da residência.
O autor do crime, Lourival, teria ido até o local, tomado o celular de Joseane e, depois de olhar, jogado o aparelho no colo da vítima e ido embora. Horas depois, Joseane deixou a casa da amiga e foi para a residência que dividia com o autor, onde foi morta violentamente.
“Ele é louco, mesmo. Quando ele passou por mim, ele estava cobrando algo do celular dela [momentos antes do crime]. Parece que ele tinha visto alguma coisa. Ele foi até a casa da amiga dela e eu estava passando. Ele pediu o celular dela duas vezes. Aí ele olhou assim o celular dela, jogou no colo dela e saiu”, disse o amigo de Joseane.
A vítima começaria hoje em um novo emprego, em um supermercado no bairro.
Autor
No dia 6 de julho de 2025, o autor tentou matar um vizinho, mas não consumou o crime por circunstâncias alheias à sua vontade.
Conforme a denúncia, o denunciado cometeu o crime de tentativa de homicídio qualificado pelo motivo torpe e pelo recurso que dificultou a defesa da vida. Segundo foi apurado, o denunciado e a vítima tiveram um desentendimento anterior em razão de uma aposta feita em uma partida de sinuca.
Diante disso, na data dos fatos, Lourival, sem consentimento algum da vítima, adentrou a casa dela e ficou aguardando a sua chegada. Assim, quando o vizinho chegou à sua residência, foi surpreendido pelo denunciado, que, sem dizer nada, partiu pra cima dele, desferiu-lhe golpes de arma branca e, em seguida, evadiu-se sem prestar socorro.
Outro vizinho percebeu a situação da vítima e acionou os serviços de emergência, de modo que o homem foi socorrido e encaminhado para atendimento médico.
“Ressalta-se que o crime foi cometido por motivo torpe, dado que o denunciado agiu com desejo de acerto de contas em decorrência de discussão anterior com a vítima. Assim, decidiu ceifar-lhe a vida. Dada a repugnância da motivação do crime, caracterizada está a qualificadora”, diz a denúncia.

Feminicídios em 2026 em MS:
- Josefa dos Santos (Bela Vista) – 16 de janeiro;
- Rosana Candia Ohara (Corumbá) – 24 de janeiro;
- Nilza de Almeida Lima (Coxim) – 22 de fevereiro;
- Beatriz Benevides (Três Lagoas) – 25 de fevereiro;
- Liliane de Souza Bonfim Duarte (Ponta Porã) – 6 de março;
- Leise Aparecida Cruz (Anastácio) – 6 de março;
- Ereni Benites (Paranhos) – 8 de março;
- Fátima Aparecida da Silva (Selvíria) – 23 de março;
- Marlene de Brito Rodrigues (Campo Grande) – 6 de abril;
- Vera Lúcia da Silva (Eldorado) – 12 de abril;
- Zelita Rodrigues de Souza (Mundo Novo) – 30 de abril;
- Fabíola Marcotti (Campo Grande) – 18 de maio;
- Maria do Carmo de Souza (Naviraí) – 28 de junho;
- Paula de Souza Conceição (Fátima do Sul) – 11 de julho;
- Rosenilda de Oliveira Candelario (Nioaque) – 17 de julho;
- Terezinha Nantes de Arruda (Campo Grande) – 27 de julho;
- Ana Carolina Goes (Água Clara) – 30 de julho;
- Adrielle Encarnação Rodrigues (Corumbá) – 31 de julho;
- Rose Batista Cabreira (Dourados) – 2 de agosto;
- Adriana Barrios (Paranhos) – 5 de agosto;
- Nathalia Rodrigues Nogueira (Rio Verde de Mato Grosso) – 6 de agosto.
- Joseane Oliveira Nunes (Campo Grande) – 19 de agosto.
📍 Onde buscar ajuda em MS
Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira está localizada na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá, 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana.
Além da Deam, funcionam na Casa da Mulher Brasileira a Defensoria Pública; o Ministério Público; a Vara Judicial de Medidas Protetivas; atendimento social e psicológico; alojamento; espaço de cuidado das crianças – brinquedoteca; Patrulha Maria da Penha; e Guarda Municipal. É possível ligar para 153.
☎️ Existem ainda dois números para contato: 180, que garante o anonimato de quem liga, e o 190. Importante lembrar que a Central de Atendimento à Mulher – 180 é um canal de atendimento telefônico, com foco no acolhimento, na orientação e no encaminhamento para os diversos serviços da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o Brasil, mas não serve para emergências.
As ligações para o número 180 podem ser feitas por telefone móvel ou fixo, particular ou público. O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os fins de semana e feriados, já que a violência contra a mulher é um problema sério no Brasil.
Já no Promuse, o número de telefone para ligações e mensagens via WhatsApp é o (67) 99180-0542.
📍 Confira a localização das DAMs, no interior, clicando aqui. Elas estão localizadas nos municípios de Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.
⚠️ Quando a Polícia Civil atua com negligência, má vontade ou comete erros, é possível denunciar diretamente na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone: (67) 3314-1896 ou no Gacep (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS, pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)







