Candidatos do Partido Missão em Mato Grosso do Sul manifestaram repúdio à decisão que suspendeu a campanha eleitoral à presidência da República de Renan Santos. O ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Dias Toffoli, apontou que houve omissão na informação das redes sociais do candidato.
A decisão foi proferida no fim de semana, mas divulgada apenas nesta segunda-feira (31). A medida também vale para o candidato a vice-presidente na chapa, Aroldo Medina.
Em Mato Grosso do Sul, o Missão lançou seis candidatos a deputado federal. Renan Santos veio ao Estado, em julho, para participar do lançamento das candidaturas.
Entre os postulantes, Lucas Vendite Macedo classificou a decisão do ministro como “rasa, antidemocrática e absurda”, mencionando o envolvimento de Toffoli com o Banco Master.
“Nesse contexto que Renan, em janeiro deste ano, organizou manifestações pela investigação do caso e foi muito claro ao questionar o envolvimento de Toffoli no episódio do resort Tayayá. E na época, sem medir palavras, fomos as ruas e pedimos o impeachment de Dias Toffoli. Se eu pudesse resumir tudo em uma única frase, seria: ‘Façam barulho, porque essa pode ser a última chance de sermos ouvidos’”, afirma.
A candidata Mavi Cunha afirmou que o partido não deve desistir da candidatura devido ao histórico ligado ao MBL (Movimento Brasil Livre) de militância nas ruas. A postulante também acredita que as críticas relacionadas ao envolvimento do ministro com Daniel Vorcaro têm relação com a decisão.
“Estamos muito confusos com essa decisão monocrática e desproporcional. Tem tanta campanha, principalmente presidencial, sob suspeita de abuso de poder econômico e campanha antecipada, e segue tudo normal. Mas por uma questão de atualização de perfis em redes sociais, resolveram derrubar a campanha do Renan inteira, com prazo de seis horas pras plataformas tirarem os perfis do ar. Isso é DESPROPORCIONAL e um ABSURDO! Nós que estamos na linha de frente da campanha de 2026, sabemos que um ou dois dias a menos de campanha prejudica MUITO. Principalmente a do Renan que é praticamente toda midiática”, destaca.
Matheus Quadros disse que a decisão é “um absurdo completo”. Um ministro numa decisão monocrática suspender uma candidatura presidencial que seguiu todos os ritos legais para seu registro na corrida presidencial. Inclusive as redes sociais foram declaradas ao TSE, estando elas constando no divulgacand”, argumenta.
A candidata Kellyanne Correa também relaciona o posicionamento do partido, de ter se manifestado publicamente pelo impeachment do ministro Dias Toffoli.
“Entendemos essa decisão como mais uma tentativa do sistema de calar quem tem coragem de questioná-lo. Seguimos confiantes. Isso só confirma o que sempre dissemos: a Missão incomoda porque não faz parte do sistema, não deve favores a ele e não vai se calar diante dele. Vão tentar nos intimidar, mas não vão conseguir, a verdade sempre vem à tona, e vamos recorrer da decisão até o fim, com a certeza de que a voz de Renan e de todos que acreditam nesse projeto vai continuar sendo ouvida pela sociedade”, aponta.
O candidato Germano Caires classificou a decisão como “absurda e desproporcional” e que a eventual falha no registro das redes sociais não deveria resultar na suspensão de propaganda, debates e recursos de uma campanha presidencial.
“Existe um contexto que não pode ser ignorado: Renan Santos e o MBL fizeram manifestações públicas muito duras contra o STF e contra o próprio ministro Dias Toffoli. Portanto, é legítimo questionar a proporcionalidade e a imparcialidade de uma decisão dessa dimensão tomada justamente por ele. Se houve irregularidade, que seja corrigida e investigada com direito de defesa. Mas democracia se resolve nas urnas, não pela retirada de um candidato do debate público por decisão monocrática. Se querem derrotar o Renan, que seja no voto”, destaca.
Já o candidato Rodrigo Correa do Couto diz que a decisão vai além do que deve ser decidido em um registro de candidatura. “Não houve qualquer denúncia de qualquer cidadão à respeito, inclusive o parecer da Procuradoria-Geral Eleitoral está no sentido de que não há qualquer ilegalidade e que o registro da candidatura deve ser deferido. A decisão é inédito no âmbito das eleições. Não posso fazer ilações a respeito, mas é muito suspeito que a decisão tenha sido monocrática e no presente momento, faltando 35 dias para as eleições”, alega.
Proibição em debates e podcasts
A proibição inclui sites, redes sociais e aplicativos de mensagens que não foram informados previamente à Justiça Eleitoral. O ministro aponta que perfis irregulares estariam sendo usados para divulgar conteúdos favoráveis ao candidato do Missão.
Os candidatos são obrigados a informar à Justiça Eleitoral os perfis oficiais nas plataformas digitais. O RRC (Requerimento de Registro de Candidatura) de Renan Santos foi protocolado em 7 de agosto, mas quase duas semanas depois, em 19 de agosto, foi apresentada uma petição complementar com a relação dos 16 perfis utilizados na campanha.
A decisão cautelar do ministro prevê a suspensão da propaganda digital e o bloqueio dos repasses do FECF (Fundo Especial de Financiamento de Campanha). Renan Santos também ficou proibido de participar de debates no rádio, na televisão, em podcasts e em outros meios de comunicação.
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