O vereador Maicon Nogueira (PP) virou alvo de pedido de cassação do mandato na Câmara de Campo Grande. A representação foi protocolada pelo vereador Beto Avelar (PP) após atritos em comentários no plenário e nas redes sociais sobre a Operação Buraco Sem Fim, que investiga o serviço de tapa-buraco da Capital.
O líder da prefeita Adriane Lopes (PP) na Casa de Leis afirma que o vereador Maicon Nogueira teria compartilhado de forma distorcida um discurso feito em sessão, sugerindo que Beto Avelar seria alvo das investigações ou autor dos crimes mencionados na operação.
A representação foi protocolada na Comissão de Ética da Câmara de Vereadores pedindo a cassação ou a suspensão do mandato do vereador, ou, ainda, a censura escrita.
O vereador Maicon Nogueira era líder do PP na Casa de Leis, mas deixou o cargo para ter mais independência no mandato e sair da base da prefeita. A função foi assumida posteriormente por Beto Avelar.
Discussão

Em 12 de maio, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) deflagrou a Operação Buraco Sem Fim, que mirava R$ 113 milhões em contratos fraudulentos de tapa-buraco de Campo Grande, firmados desde 2018. Servidores e ex-servidores da Prefeitura de Campo Grande foram alvos de mandados de prisão e/ou de busca e apreensão.
Em 19 de maio, o vereador Maicon Nogueira fez críticas, na sessão ordinária, sobre os supostos esquemas de corrupção na Prefeitura de Campo Grande. O vereador Beto Avelar respondeu às acusações afirmando que “quem acusa deve citar nomes e assumir as consequências”, sob risco de correr em leviandade.
No dia seguinte, em 20 de maio, Maicon Nogueira teria realizado uma publicação nos stories do Instagram em que aparece a imagem de Beto Avelar, acompanhada do print de uma matéria com o seguinte título “Como funcionava esquema suspeito de desviar milhões com ‘obras fantasmas’ no tapa-buracos de Campo Grande”. A publicação veio acompanhada da mensagem “Te aviso, cuidado porque tem gente aí de estopim curto”.
Na representação, Beto Avelar afirma que, “de forma ardilosa”, Maicon Nogueira teria se apropriado da frase dita em plenário sobre “Acusa e assuma as consequências”, “invertendo seu sentido original para sugerir que este representante seria o alvo das investigações ou o autor dos ilícitos mencionados”, diz.
O líder da prefeita classifica a atitude como “comportamento abjeto”, que fere o decoro parlamentar, ultrapassa a imunidade parlamentar e macula a imagem e a honra do vereador.
Beto Avelar ainda cita o agravante do alcance das redes sociais, visto que Maicon Nogueira tem cerca de 25 mil seguidores.
“Eu estou pedindo esclarecimento, que seja oficiado também o Ministério Público para que diga se eu estou envolvido em alguma situação, se eu fui acusado, se fui indiciado, enfim, é uma situação gravíssima. A gente constrói toda uma vida pautada na idoneidade e, de repente, cai por terra numa situação dessas. A gente tem que ter muita responsabilidade com a rede social”, afirmou o vereador.
Beto Avelar é o presidente da Comissão de Ética na Câmara de Vereadores. O rito prevê que, nessas situações em que o autor da denúncia é o presidente da comissão, quem assumiria a relatoria do caso é o vice-presidente — neste caso, o vereador Silvio Pitu (PSDB).
O que diz Maicon Nogueira?
A reportagem acionou o vereador para pedir um pronunciamento sobre o tema e perguntar se já tinha conversado com o vereador Beto Avelar. Maicon Nogueira negou que tenha associado Avelar à Operação Buraco Sem Fim.
Ele também informou que aguarda receber uma cópia da representação. Confira a resposta sobre o caso:
“Eu fiz uma fala crítica repercutindo na Câmara os escândalos de corrupção envolvendo operação de tapa-buraco em Campo Grande, e eu exigi uma postura firme e clara da prefeita e da Prefeitura em relação aos esclarecimentos que a Casa precisava naquele momento. O vereador se sentiu ofendido porque ele é líder da prefeita e ele fala em nome dela, durante as sessões, e ele me rebateu falando que eu não poderia fazer falas sobre corrupção e sobre as prisões das pessoas porque não havia transitado em julgado aquela questão das sete pessoas presas.
Eu contra-argumentei, o que eu encaro como natural a postura dele, até porque ele é líder dela e ele tem um compromisso com ela. Porém, na minha postagem que ele alega na representação, que eu o ofendi, o ligando ao contexto, eu postei um vídeo dele defendendo a posição da prefeita, que era não fazer julgamentos precipitados, e ele quis dar uma conotação nessa representação como se eu tivesse ligado ele aos fatos, e não é, nunca fiz isso.
Qualquer um que assista, qualquer um que possa assistir na sessão do dia, não vai ver eu falando que o vereador Beto Avellar está ligado direto e indiretamente a qualquer tipo de denúncia ligado a Operação Tapa-Buraco, então é infundado o pedido do vereador, mas encaro como natural até porque ele é líder da prefeita e uma eventual cassação do meu mandato ajudaria o ex-vereador e ex-secretário de saúde dela, Sandro Benites, a assumir no meu lugar.
Acredito que isso não vai prosperar dentro da Comissão de Ética, vou pedir uma posição do próprio jurídico da Câmara a respeito do pedido infundado do vereador, e tô bem tranquilo, isso me motiva mais ainda a fazer mais denúncias e fiscalizações ao entorno dessa gestão”, finaliza o vereador.
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(Revisão: Nichole Munaro)







