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Política

EXCLUSIVO: Lula diz que UFN3 em MS garante soberania do agro em entrevista ao Midiamax

Lula participa de cerimônia de entrega de títulos da reforma agrária no Estado
Eser Caceres -
O presidente Lula. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O Jornal Midiamax entrevistou, com exclusividade, o presidente Lula (PT), que cumpre agenda nesta quinta-feira (25) com diversos compromissos em Mato Grosso do Sul, nas cidades de Três Lagoas e .

Lula participa de cerimônia de entrega de títulos da reforma agrária no Estado e da assinatura dos contratos das empresas vencedoras das licitações para finalização das obras da UFN3 (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados), em Três Lagoas.

O presidente comentou sobre a retomada da obra e outros aspectos importantes no cenário político de Mato Grosso do Sul, além das questões da segurança pública no Estado. Confira:

1. ⁠A planta da UFN3/Petrobras em Três Lagoas é uma resposta do país às recentes incertezas internacionais ligadas ao fornecimento de fertilizantes? Nesse sentido, o senhor defende que o Brasil priorize a independência na produção desses insumos agrícolas e qual o impacto desta decisão política para o agronegócio nacional?

Sempre defendi que o Brasil não ficasse na mão do mercado mundial de fertilizantes. Aliás, se a construção da Unidade de Três Lagoas não tivesse sido interrompida em 2015, ela já estaria pronta há muito tempo. Como brasileiros, não podemos admitir termos a autossuficiência em petróleo, contarmos com uma gigante mundial do porte e da qualidade da Petrobras e, ainda assim, passarmos dificuldades toda vez que eclodem conflitos internacionais, como os que envolvem a Rússia e a Ucrânia, e, agora, o dos Estados Unidos, Israel e Irã. Guerras que não são nossas. A verdade é que produzirmos nossos fertilizantes é uma questão de soberania. É uma questão de garantia de nossa segurança alimentar, pois tanto as grandes empresas como a agricultura familiar precisam desses insumos para produzir.

Não podemos cair na conversa fácil de que é melhor ficarmos importando ou de que o investimento é gasto. Foram as décadas de investimento em pesquisa e tecnologia, por meio da Embrapa, que transformaram nosso agronegócio em um dos mais avançados do mundo. E nossa produção ficará ainda mais competitiva quando contar com a garantia de fornecimento de insumos, independente das turbulências que ocorrem com cada vez mais frequência no mercado internacional. Sem falar dos benefícios para a economia do próprio Mato Grosso do Sul. A planta produzirá 16% de toda a demanda nacional de ureia. E a produção abastecerá não só o Centro-Oeste, mas também será exportada para estados do Sul e do Sudeste. Isso mostra como soberania, investimentos e desenvolvimento andam de mãos dadas, trazendo mais oportunidades a toda a população.

2. A titulação de terras para assentados e quilombolas em MS põe fim a décadas de incertezas no campo. Como o presidente acha que o Brasil precisa encaminhar a questão da reforma agrária sem comprometer a segurança jurídica daqui para frente?

Uma coisa que sempre levamos em conta neste governo — e nos meus mandatos anteriores — foi o cuidado nos processos da reforma agrária e titulação. Sempre garantimos aos assentados e aos quilombolas o seu direito à terra, mas nunca, em nenhum momento, desapropriamos propriedades que estavam com a documentação regular e eram produtivas. Mato Grosso do Sul é um grande exemplo disso. Nesta viagem, estou fazendo entregas no Assentamento Itamarati, um dos maiores do país, com quase 3 mil famílias em Ponta Porã. Conseguimos fazer a reforma agrária ali porque seus antigos proprietários estavam com dívidas com a União, negociamos sua propriedade em troca dessas dívidas e pudemos criar o assentamento. Também compramos terras, como fizemos no Território Quilombola Picadinha, em Dourados. É importante, aliás, lembrar que, apenas nesses três anos e meio, fizemos 48% de todos os decretos de titulação para quilombolas já publicados na história do Brasil. Também garantimos o direito à terra usando propriedades públicas, da própria União, que estavam ociosas. E, nos casos em que há desapropriação, todos os pagamentos são efetuados de acordo com a lei.  A verdade é que a reforma agrária já devia ter sido feita no Brasil ainda no século passado. Mas isso requer investimento e vontade política. Quando assumimos, em 2023, o Incra não tinha orçamento e os processos estavam interrompidos. Recriamos o Ministério do Desenvolvimento Agrário, reestruturamos o Incra, recompomos o orçamento, fizemos concurso para contratar mais pessoas e incorporamos mais de 250 mil famílias ao Programa Nacional de Reforma Agrária desde 2023. Ao todo, os meus governos e os governos da presidenta Dilma incluíram um milhão de famílias no programa. Isso é 57,7% de tudo o que já foi feito no Brasil.

3. ⁠As melhorias aeroportuárias em MS atendem à posição privilegiada do estado, que fica a 2 horas de voo das principais capitais do Cone Sul latino-americano. Essa posição também expõe o Estado à incômoda situação de corredor para atividades ilícitas. Como o governo pretende agir para endurecer o combate a crimes transnacionais, como narcotráfico, contrabando de insumos agrícolas, cigarros ou eletrônicos, que operam em território sul-mato-grossense?

Trabalhamos com estratégia, inteligência policial e coordenação entre as forças de segurança. E isso tem gerado resultados muito concretos. Nesta semana mesmo, em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, a Receita e a Polícia Federal fizeram uma das maiores apreensões de cocaína da história. Graças a uma cooperação com autoridades da Bolívia e dos EUA, interceptamos vários caminhões que transportavam a droga líquida misturada em toras de madeira. A Receita Federal está cada vez mais atuante e, apenas nesse ano, as apreensões realizadas pelo órgão no Estado já somam cerca de R$ 240 milhões em mercadorias irregulares. Em março passado, a PF inaugurou, em Maringá, no Paraná, uma base de aviação operacional que permitirá maior agilidade nas operações de fronteira, inclusive a de Mato Grosso do Sul com o Paraguai. E é importante lembrar que, além de reforçarmos a repressão ao crime organizado na ponta, estamos atacando o cérebro e o coração financeiro das facções. No ano passado, tiramos R$ 9,5 bilhões das organizações criminosas. Com o programa Brasil Contra o Crime Organizado, estamos, entre outras ações, levando o padrão de segurança máxima a 138 presídios estaduais, para garantir que líderes criminosos não sigam exercendo o comando atrás das grades. E, com a PEC da Segurança Pública, queremos ampliar ainda mais o papel do Governo Federal na segurança, com papéis bem definidos na sua cooperação com os estados.

4. Apesar de já ter elegido governos do PT em dois mandatos, MS tem um eleitorado conservador neste cenário de polarização política. Levando isso em conta, quais as prioridades para o PT nas eleições deste ano em MS?

Temos um candidato extraordinário para o governo, que é o Fábio Trad, e trabalhamos para ampliar a nossa bancada no Estado, seja com integrantes do PT ou de partidos aliados. Nessa disputa, mostraremos tudo o que já fizemos por Mato Grosso do Sul, e a população poderá fazer sua comparação entre governos e projetos de país. Digo isso porque nunca na história o Estado contou com tanto apoio da União em investimentos, em políticas públicas e na promoção do desenvolvimento como vem ocorrendo desde 2023. Só do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, já foram executados R$ 11,5 bilhões até março deste ano. Isso inclui antigas demandas, como é o caso da ampliação do Aeroporto de Dourados, que está em execução e foi inserida no programa a pedido do governo estadual. Inclui também obras importantes, como o contorno rodoviário de Três Lagoas e o Corredor Bioceânico, que vai integrar o Estado a vários países da América do Sul e tornar sua economia ainda mais dinâmica. Estamos criando dois novos campi de Institutos Federais, em Amambai e . Com o Agora Tem Especialistas, a rede pública de saúde passou a atender pessoas que esperavam anos para realizar um procedimento médico mais complexo. O programa Luz do Povo beneficia 195 mil famílias no Estado, sendo que, para 27 mil delas, a energia está sendo distribuída de forma totalmente gratuita. O Gás do Povo, por sua vez, garante a recarga gratuita do botijão para 151 mil famílias. O resultado disso tudo pode ser sentido na qualidade de vida da população sul-mato-grossense. O desemprego no Estado nunca foi tão baixo, atingindo 3%, segundo registrado pelo IBGE. E a renda domiciliar per capita ficou em R$ 2.169, outro recorde. Isso tudo mostra o que é um verdadeiro projeto de desenvolvimento. E é isso que estará em debate nos próximos meses.

5. ⁠Em MS, há candidaturas ao Senado e à Câmara Federal que darão tração ao projeto nacional. Como o senhor avalia a força desse grupo na defesa de seu projeto de governo?

Temos ótimos parlamentares de Mato Grosso do Sul no Congresso Nacional e queremos ampliar essa presença. A deputada Camila Jara tem se mostrado uma grande parlamentar e estamos confiantes na sua reeleição, na recondução de deputados dos partidos aliados e na entrada de novos parlamentares do PT. No Senado, o Partido dos Trabalhadores conta com a candidatura de Vander Loubet, que tem sido um ótimo deputado, e trabalhamos juntos também com a Soraya Thronicke, uma grande aliada. Com essa chapa, temos certeza de que o Estado estará muito bem representado em e que teremos, no Congresso, uma base de apoio ampla e democrática, capaz de criar e aprovar as leis necessárias para sermos um país cada vez mais justo, desenvolvido, garantidor de direitos e, principalmente, capaz de evitar qualquer retrocesso em nossa democracia.  

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