Indígenas querem debate com Fux sobre projeto milionário da hidrovia do Rio Paraguai em MS Pular para o conteúdo
Política

Indígenas querem debate com Fux sobre projeto milionário da hidrovia do Rio Paraguai em MS

Conselho Terena e Associação Guató protocolaram manifestação no STF
Dândara Genelhú -
reunião Indígenas também acompanham julgamento em Brasília
Indígenas em Brasília durante julgamento do Marco Temporal. (Fábio Pozzebom / Agência Brasil)

O Conselho do Povo Terena e a Associação da Aldeia Indígena Guató da Barra do São Lourenço foram até o STF (Supremo Tribunal Federal) e protocolaram manifestação contra a concessão milionária da hidrovia do Rio Paraguai. Os indígenas de Mato Grosso do Sul pedem ao Supremo o ingresso no Recurso Extraordinário com Agravo e querem audiência com o ministro Luiz Fux sobre o projeto da hidrovia.

O recurso de nº 1524860, sobre a Ação Civil Pública nº 2000.36.00.010649-5, tramita no Supremo com questionamentos sobre a concessão. O MPF (Ministério Público Federal) e o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) querem a suspensão de licenças ambientais concedidas de forma fragmentada para o empreendimento.

Além disso, pedem o reconhecimento da competência administrativa do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) para promoção do licenciamento ambiental com elaboração dos estudos.

Manifestação no STF

Representados pelo advogado Maurício Terena, os povos indígenas apontaram que auditoria realizada sob a relatoria do ministro Augusto Nardes “revelou deficiências estruturais” no processo de concessão.

Ademais, ressaltaram que o TCU (Tribunal de Contas da União) constatou “a inexistência de mecanismo institucionalizado que viabilize o controle social da navegação na Hidrovia Paraguai–Paraná”.

O órgão também “identificou inconsistências nos levantamentos hidrográficos realizados antes e após as intervenções de dragagem, comprometendo a confiabilidade das informações técnicas que subsidiam a execução e a fiscalização dessas obras”.

Ao Midiamax, o advogado disse que o próximo passo é “pedir uma audiência com o ministro Luiz Fux para poder falar um pouco sobre esse processo e fazer com que as comunidades consigam o êxito no ingresso do processo no Supremo Tribunal Federal”.

Então, destacou que um dos problemas do projeto é a falta da participação dos povos indígenas. “A gente está começando a se organizar para justamente essa participação qualificada e também para fazer com que o respeito ao meio ambiente seja garantido.”

Frentes problemáticas, apontam indígenas

Assim, apontam três frentes contra a hidrovia e possíveis problemáticas da concessão:

  • A primeira trata da fiscalização sobre o Tramo Norte do projeto:
    • “Inexistência de canal institucionalizado que viabilize o controle social da navegação na Hidrovia Paraguai–Paraná”;
    • “O TCU identificou fragilidades nos levantamentos hidrográficos realizados antes e depois das intervenções de dragagem”.
  • A segunda trata da governança regulatória fragmentada no Tramo Sul:
    • “Inexistência de documentação técnica consolidada capaz de demonstrar a consistência da modelagem econômico-regulatória”;
    • “Dependência jurídica de acordo internacional ainda pendente de internalização pelos Parlamentos do Brasil, Paraguai e Bolívia, circunstância que comprometia a própria base normativa da futura concessão”;
    • “Ausência de estudo concorrencial atualizado apto a justificar tecnicamente as restrições previstas no edital licitatório”.
  • A terceira trata do diagnóstico sistêmico da política hidroviária federal:
    • “O Tribunal reconheceu que a política nacional de hidrovias permanece marcada pela fragmentação da governança pública, pela ausência de planejamento integrado entre os órgãos federais envolvidos”.

Cronograma

Com as atualizações de prazos, o cronograma da concessão em Corumbá foi alterado. Agora, o leilão está previsto para ocorrer no primeiro semestre de 2027.

Anteriormente, o ministério confirmou o processo do leilão para o segundo semestre de 2026. No entanto, as novas previsões são:

  • Retomada das tratativas com o TCU: 2º semestre de 2026, após avanço das discussões e consolidação do acordo entre os países envolvidos;
  • Publicação do edital: 2º semestre de 2026;
  • Leilão: 1º semestre de 2027.

O projeto prevê dragagem do rio, que deve tomar a maior parte do investimento. Além disso, o ministério projeta que as concessões hidroviárias prestem serviços essenciais para o funcionamento da navegação, como operação 24 horas, controle do tráfego e das condições do rio, sistemas de sinalização e balizamento, monitoramento ambiental, ações de segurança e manutenção da infraestrutura.

🚨 Não perca nada! Entre no nosso canal de Política no WhatsApp e receba notícias direto no seu celular

✅ Siga o @midiamax no Instagram

Fique por dentro de tudo que acontece em Mato Grosso do Sul, no Brasil e no mundo! No perfil do @midiamax você encontra notícias quentinhas, vídeos informativos, coberturas em tempo real e muito mais! 📰

🎁 E não para por aí! Temos sorteios, promoções e até bastidores exclusivos para você!

🔔 Clique aqui para seguir e não perder nada!

(Revisão: Dáfini Lisboa)

Compartilhe

Notícias mais buscadas agora

Saiba mais

Flagrada com munições e presa por corrupção, dona de gráfica paga fiança de R$ 4,8 mil

Obras para asfalto e drenagem vão custar mais de R$ 51 milhões em 20 cidades de MS

Ana Paula Renault Argentina

Polêmica: Fábio Porchat compara Seleção Argentina à Ana Paula Renault

Feminicida é condenado a 27 anos por matar esposa a tiros em aldeia de Dourados em 2024

Notícias mais lidas agora

Sob gestão de Claro, Alems gasta R$ 28 mil por dia com ‘deslocamento’ em ano eleitoral

Justiça mantém prisão de ex-prefeito e empresárias investigados por desvios de R$ 27 milhões

Defesa cita risco de ‘morte súbita’ ao pedir prisão domiciliar para Alcides Bernal

Açougue é interditado após apreensão de meia tonelada de carne estragada no Buriti

Últimas Notícias

Cotidiano

Fumacê reforça combate ao mosquito da dengue em cinco bairros de Campo Grande

Equipes da CCEV da Sesau circularão das 16h às 22h nesta quinta-feira (9)

Cotidiano

Unidade médica de Dourados firma acordo para entrega de remédios pelo SUS

Clínica fará parte de estratégia de acesso a medicamentos

Transparência

Obra de asfalto na rodovia MS-355 pode custar mais de R$ 30 milhões

Pavimentação deve beneficiar produtores de Terenos, Sidrolândia e Dois Irmãos do Buriti

Transparência

Preso por corrupção, ex-prefeito de Fátima do Sul ficará em presídio separado

Júnior Vasconcelos é policial civil e ficará no Presídio Militar